No banco



O julgamento de três usurpadores do futebol sul-americano entra na segunda semana em um tribunal no bairro do Brooklyn, em Nova York, com dois brasileiros como figuras centrais. José Maria Marin, ex-presidente da CBF, senta-se no banco dos réus ao lado de Manuel Burga, ex-presidente da federação peruana de futebol, e Juan Ángel Napout, ex-presidente da federação paraguaia e também da Conmebol. Marco Polo Del Nero, a maior autoridade do futebol brasileiro, enviou advogados aos Estados Unidos para acompanhar as deliberações. Acusado pelo FBI desde 2015, não é exagero afirmar que Del Nero está sendo julgado à distância pelas sessões supervisionadas pela juíza Pamela Chen.

Desde que Marin foi preso na operação da polícia suíça no hotel Baur au Lac, em Zurique, em maio de 2015, suas relações com Del Nero sofreram uma transformação radical. O atual presidente da CBF não escondeu seu esforço para se distanciar do antecessor durante o período de cinco meses em que Marin ficou encarcerado na Suíça, assim como desde sua extradição para prisão domiciliar nos Estados Unidos. Na semana passada, o depoimento de uma das principais testemunhas da acusação marcou não só o rompimento entre os cartolas brasileiros, mas uma declaração de guerra. A estratégia da defesa de Marin é estabelecê-lo como uma alegoria na cúpula da confederação, em que quem dava as cartas mesmo como vice-presidente era Del Nero.

As declarações de Alejandro Burzaco, ex-executivo da empresa Torneos y Competencias, desenharam as rotas do dinheiro nas negociações de direitos de transmissão de competições sul-americanas de futebol. Os detalhes dos pedidos pessoais de cartolas do continente revelam um ambiente de desconfiança e traição, até entre aliados aparentes como Marin e Del Nero. O empresário argentino os descreveu como “gêmeos siameses, viajavam sempre juntos, estavam sempre juntos, tinham sempre o mesmo tratamento”, uma imagem que confirma a impressão gerada pelas aparições públicas da dupla que comandou a CBF a partir da renúncia de Ricardo Teixeira, em 2012.

Mas uma das histórias contadas durante o julgamento sugere que a percepção era muito diferente da realidade. Burzaco mencionou um encontro em um quarto do hotel Bourbon, em Assunção (Paraguai), no mês de outubro de 2014, no qual Del Nero pediu um aumento do suborno anual de 900 mil dólares que dividia com Marin. O valor solicitado era de 1 milhão e 200 mil dólares, mas Del Nero queria que o pagamento fosse feito somente em junho de 2015, quando já teria assumido a presidência da CBF e não precisaria repartir a propina. É importante ressaltar que Burzaco, que escapou da prisão no Baur au Lac porque não estava em seu quarto e colabora com as autoridades americanas desde junho de 2015, está sujeito a uma sentença de sessenta anos de prisão se mentir no tribunal.

O operador argentino calcula que distribuiu cerca de 160 milhões de dólares em propinas, dos quais 2 milhões e 700 mil ele diz ter pagado a José Maria Marin. Apresentar-se como um acessório de Del Nero é um expediente arriscado, uma vez que a assinatura de Marin aparece em contratos investigados e um depoente o conecta diretamente com pagamentos ilegais. Para um júri formado por pessoas que não têm o mínimo conhecimento sobre o ambiente em questão, as evidências expostas até agora podem ser mais do que suficientes. O julgamento prossegue hoje, em uma semana que será curta por causa do feriado de Ação de Graças (dia 23), com a possibilidade do testemunho de um brasileiro com tanta história para contar quanto Burzaco.

CARA A CARA

O Flamengo é o único time que não foi derrotado pelo Corinthians no Campeonato Brasileiro. Também é o único que superou o campeão (quatro pontos ganhos em seis disputados) no confronto direto. Bahia, Atlético Goianiense, Vitória, Botafogo, Ponte Preta e Santos somaram três pontos em dois jogos.



MaisRecentes

Irmãos



Continue Lendo

Na mesa



Continue Lendo

Mudanças



Continue Lendo