Inglaterra 0 x 0 Brasil



1 – Era Wembley, mas poderia ser qualquer estádio sul-americano em que a Seleção Brasileira se apresentou nas Eliminatórias. Porque dentro das linhas quase tudo é igual independentemente de onde se jogue, e quase tudo foi igual em Londres, pois a Inglaterra escolheu se defender antes de pensar em qualquer outro aspecto do jogo.

2 – Não é exatamente para encontrar um oponente assim que o Brasil precisa enfrentar seleções europeias de elite. A ideia é submeter o time a situações em que o protagonismo é efetivamente disputado, o que se espera em fases mais agudas de uma Copa do Mundo. Por outro lado, a linha de cinco defensores ingleses representava um dilema diferente para a Seleção, dona da bola no primeiro tempo por vocação natural e opção dos anfitriões.

3 – A capacidade de articulação do meio de campo brasileiro foi testada e, de certa forma, reprovada. o Brasil teve presença, controle e intenção, mas não causou desconforto. Na única ocasião em que soube criar profundidade, Neymar foi lançado por Coutinho na área, mas não conseguiu fazer a bola chegar a Gabriel Jesus, que fechava sem marcação.

4 – A Inglaterra não deixou sua posição profunda, congestionando o centro da defesa e negando espaço da intermediária para trás. A parte integrante desse plano é o aproveitamento do erro para a saída em contragolpe, algo que o jogo também ficou devendo. Deve-se considerar a ausência de jogadores titulares, especialmente o principal nome do time de Southgate, Harry Kane, mas foi notável a postura hermética diante do Brasil.

5 – Na altura dos vinte minutos da parte final, Tite trocou Coutinho por Willian e Renato Augusto por Fernandinho, duas alterações que já se institucionalizaram (embora a variação com Coutinho E Willian, ambos como meias em uma linha de três antes do centroavante, também esteja no catálogo). O volante do Manchester City fez a bola raspar a trave direita do gol defendido por Hart, aos trinta e um, na melhor finalização da Seleção em todo o jogo.

6 – Paulinho, o jogador que chega, só pôde fazê-lo uma vez: já quase aos quarenta minutos, recebendo passe de Neymar. O chute de pé direito não saiu como ele gostaria e não criou problemas para Hart. A Seleção chegou ao final do amistoso deixando sensações melhores, embora Alisson tenha sido obrigado a se jogar aos pés de Lingard, aos quarenta e três, na solitária chance inglesa.

7 – A leitura final do encontro entre o melhor Brasil e uma Inglaterra desfalcada foi que faltou superioridade coletiva, um indício de que o time que saiu do sexto lugar para a classificação antecipada na América do Sul precisa se desenvolver mais. As questões são “como?” (em relação ao tempo) e “com quais jogadores?” (em relação às opções, desde que a comissão técnica considere a convocação final aberta, ainda).

8 – Se este for o pensamento de Tite, a visita a Wembley, teoricamente uma oportunidade de “concluir” o processo de observação de jogadores, pode ter tido o efeito contrário.



MaisRecentes

Dilema



Continue Lendo

No banco



Continue Lendo

É do Carille



Continue Lendo