Final



Entre os possíveis resultados do dérbi que deve ser decisivo para o título do Campeonato Brasileiro, a noção de que o empate é um bom resultado para o Corinthians não se sustenta. Manter o Palmeiras a cinco pontos de distância com seis rodadas por jogar seria uma situação razoavelmente confortável – mesmo considerando a hipótese da suspensão de Jô, o mais importante jogador do time – se não houvesse outra concorrência. Mas há, o Santos, que pode se colocar a quatro pontos do primeiro lugar com a combinação de uma vitória sobre o Atlético Mineiro (hoje, na Vila Belmiro) e a igualdade em Itaquera.

Seja qual for o placar, a sorte de Corinthians e Palmeiras na disputa não será definida no clássico, mas pelo desempenho de cada um nos seis jogos que restarão. Não é por outro motivo que o líder, cambaleante, porém dono do próprio destino, precisa vencer amanhã. Embora o confronto direto com o atual vice-líder seja visto como uma oportunidade para o Palmeiras encolher a diferença para dois pontos, o grande impacto nas contas para o troféu viria de uma vitória corintiana: Palmeiras a oito pontos; Santos, no mínimo, a seis. Sem figuras de linguagem, o dérbi deste domingo é uma final para ambos, mas só um deles pode transformar a rodada em uma sentença para o campeonato.

Um comportamento que descreve a campanha do Corinthians não deve passar despercebido: em trinta e um jogos, nenhuma vitória de virada. A ocasião mais próxima deste cenário foi o jogo contra o Atlético Paranaense, na décima-quarta rodada, quando o líder saiu atrás, virou com dois gols de Jô, mas cedeu o 2 x 2 em um chute de longe que desviou em Balbuena. Os outros oito encontros em que o Corinthians sofreu o primeiro gol terminaram em seis derrotas e dois empates. O contraste em relação aos jogos em que saiu na frente é brutal: dezessete vitórias, dois empates, nenhuma derrota.

Como é frequente nas trajetórias de equipes que apresentam queda de produtividade, o culpado não é o sistema, mas a execução. A condição primordial para o título do Corinthians é a recuperação da relação entre a solidez defensiva e a eficiência no ataque. Alguém dirá que isso é verdade para todos os times, o que é um equívoco de análise. Conjuntos cuja principal ideia de jogo está fundamentada no controle do rival dependem de gols provenientes de poucas oportunidades. O time de Fábio Carille tem desperdiçado pontos porque perdeu a capacidade de condicionar partidas a seu modo, como fez durante todo o primeiro turno.

O Palmeiras se encontra diante de um pequeno dilema estratégico. A interessante proposta que vem sendo desenvolvida por Alberto Valentim não está madura para ser dominante em jogos deste nível, além de configurar o time da forma – linhas adiantadas, jogo curto, elaboração – que convém ao Corinthians. Se a história do campeonato indica que marcar o primeiro gol é uma rota quase garantida para derrotar o líder, os times que tiveram sucesso em Itaquera adotaram planos baseados em espera e reação. É provável que a vantagem mantenha o Corinthians em seu jogo primordialmente cauteloso, mesmo em um ambiente que o estimulará a correr mais riscos. Valentim terá de escolher entre jogar e competir.

À época do encontro do campeonato estadual, vencido pelo Corinthians em circunstâncias surpreendentes, mencionava-se o aniversário de cem anos do clássico paulista de maior rivalidade sem que o jogo tivesse qualquer outra conotação especial. Após nova vitória corintiana no primeiro turno do Campeonato Brasileiro, no Allianz Parque, a perspectiva de uma partida decisiva entre os rivais em 2017 não era palpável. Eis que o futebol encontrou o caminho que passa por Itaquera neste domingo, com um “dérbi do centenário” determinante para o título. Talvez seja o último momento de emoção da corrida pelo troféu, mas não deve decepcionar.



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