Ilustração



O épico – sim, a palavra está banalizada, mas não deve ser descartada quando cabe – jogo de volta entre Lanús e River Plate, pelas semifinais da Copa Libertadores, deu origem a um novo tipo de reclamação a respeito do árbitro de vídeo. Para juntarem-se aos amantes-do-erro-humano-enquanto-fator-de-interesse-pelo-futebol, aos guardiões da “essência do jogo” e aos torcedores de cronometragem, surgiram os maus perdedores dispostos a responsabilizar o recurso eletrônico pelos erros que deveriam assumir.

É um expediente que não conhece a vergonha. Especialmente no caso dos membros e dos simpatizantes do River Plate, pouco incomodados com o papel desempenhado pelo time em um jogo como o de anteontem. Após vencer o encontro de ida por 1 x 0 e abrir 2 x 0 na casa do rival, a equipe dirigida por Marcelo Gallardo poderia sofrer até três gols sem comprometer a classificação para a decisão. Sofreu quatro num intervalo de vinte e cinco minutos e se pôs a acusar o VAR por uma eliminação absolutamente merecida sob qualquer aspecto.

Não só o pênalti – que possibilitou o quarto gol – marcado para o Lanús com a ajuda do replay foi indiscutível (puxão na camisa), como as críticas pela não utilização do sistema no lance em que o River Plate pediu um toque de mão na área não têm mérito. O brasileiro Wilson Seneme, chefe da arbitragem na Conmebol, explicou ao diário argentino La Nacion que “é uma jogada interpretativa. O árbitro principal interpretou que não foi mão e os assistentes de VAR interpretaram que não havia erro claro”. Seneme acrescentou que, se considerasse necessário, o árbitro Wilmar Roldán poderia solicitar a revisão, mas isso não significa que o pênalti seria marcado.

A questão extrapola a discussão se foi ou não foi pênalti. Culpar o VAR por atuar apenas para um lado, como se o sistema tivesse desequilibrado o resultado do jogo, é um equívoco que revela desconhecimento sobre a forma como o recurso deve colaborar com a arbitragem de futebol. Além, é evidente, de uma tentativa de transferir responsabilidades. Um time que permite quatro gols legais em tão pouco tempo, evaporando a posição privilegiada em que se encontrava, tem muito mais problemas a contemplar do que o apito eletrônico.

A propósito: no debate mais amplo sobre o árbitro assistente de vídeo, jogadores, técnicos, dirigentes e jornalistas já se posicionaram com diversas opiniões. Na chamada comunidade da arbitragem, o apoio ao sistema é maciço. Jogos como Lanús x River Plate ilustram incontáveis vitórias legítimas impedidas por erros que hoje podem ser revistos. Como ser contra?



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