Mergulho



1 – No período mais difícil desde que assumiu o Corinthians, Fábio Carille voltou ao local em que sua primeira grande alegria como técnico nasceu: a vitória por 3 x 0 sobre a Ponte Preta, no jogo de ida da final do Campeonato Paulista, que encaminhou a conquista do título estadual.

2 – Naquela tarde, em abril, o estádio Moisés Lucarelli viu um visitante que errava pouco e não permitia que o adversário falhasse. Era o prenúncio da campanha do primeiro turno do Campeonato Brasileiro, embora ninguém se atrevesse a fazer tal previsão. Com escalação inicial idêntica à daquele domingo, Carille imaginava uma atuação semelhante.

3 – Mas os efeitos do tempo são evidentes neste choque entre o desejo pelo troféu e a esperança pela permanência na Série A. A Ponte Preta tirou Cássio do chão em um chute insinuante de Danilo e um cabeceio em que Rodrigo estava posição irregular. O travessão impediu um gol de Gabriel, que se jogou no gramado para conseguir finalizar.

4 – O Corinthians de hoje é o inverso do time que construiu a liderança na classificação. Perdeu eficiência ofensiva e se tornou vulnerável, especialmente em jogadas aéreas. O lance bem trabalhado pelo lado esquerdo do ataque da Ponte criou o gol de Lucca, o nono de cabeça que o líder permitiu no campeonato.

5 – No intervalo, a perspectiva da diminuição da vantagem para três pontos (em caso de vitória do Palmeiras nesta segunda-feira) tinha um significado claro: a liderança do Campeonato Brasileiro, propriedade corintiana por tanto tempo, estava ameaçada. A reação imediata de Carille foi a substituição de Gabriel por Clayson, mandando o time ao ataque no momento de maior pressão.

6 – O empate só não aconteceu aos quatro minutos porque Aranha defendeu, com o pé, um chute rasteiro de Rodriguinho. O autor de dois gols na decisão estadual deve se penitenciar por ter finalizado mal, a um passo da pequena área.

7 – A Ponte estava naturalmente à espera, certa de que haveria ocasiões para atacar com vantagem. Na primeira delas, Emerson Sheik, sem marcação, desviou o cruzamento de Lucca para a linha de fundo. Com o jogo encaixado nesta dinâmica, a manutenção do placar obrigaria o Corinthians a arriscar em Campinas.

8 – Pedrinho (no lugar de Romero) aos vinte e nove minutos; Kazim (no lugar de Maicon) aos trinta e seis. Medidas de emergência na busca de ao menos um ponto, o que, antes da rodada, não poderia se considerar um resultado satisfatório.

9 – Com o Corinthians instalado no campo de ataque e enviando a bola à área de Aranha, o goleiro da Ponte Preta se responsabilizou por proteger a vitória que remove seu time da zona do rebaixamento. Duas defesas, em cabeceios de Pablo e Jô, mantiveram o 1 x 0.

10 – O produto da queda vertiginosa do líder: o Corinthians não é mais o único time que depende dos próprios resultados para ser campeão. Esfregando as mãos, o Palmeiras pode tomar o primeiro lugar com vitórias nesta segunda-feira e no próximo domingo. O jogo de futebol é um professor incansável.

NÃO É POSSÍVEL

A atual diretoria do Santos provavelmente estabeleceu o recorde de nonsense em gestão de futebol. A segunda demissão de Levir Culpi, nove dias depois da primeira, foi o resultado de uma derrota para um time dirigido pelo técnico que Levir substituiu em junho. Existem clubes dirigidos por amadores. Existem clubes dirigidos por amadores em ano de eleição. E existe o Santos de Modesto Roma Júnior.

É POSSÍVEL

Números do Manchester City, na vitória de sábado em visita ao West Bromwich, por 3 x 2: 78,2% de posse de bola, 930 passes, 15 finalizações, 3 gols, 7 faltas. Sim, em um jogo do Campeonato Inglês, que, dizem, “não aceita” um certo tipo de futebol. A segunda temporada de Pep Guardiola toma um rumo inicial semelhante à primeira, mas com um jogo muito mais enfático e jogadores mais capazes. Para quem admira futebol, cada partida é um compromisso.



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