Em frente 



A permanência de Mano Menezes no Cruzeiro deve ser celebrada pelo que significa para o futebol que se pratica no Brasil, o que vai muito além das esperanças do torcedor cruzeirense para o ano que vem (sim, o técnico renovou por duas temporadas, mas sabemos que o período do contrato é uma utopia). Mano fez a opção pela continuidade de seu próprio trabalho, em uma estrutura da qual já é parte, com um grupo de jogadores que – com as mudanças naturais – ele conhece e já estão habituados a seus métodos e sua personalidade. Para o Cruzeiro, é um passo à frente diante de objetivos maiores. Para o ambiente do futebol brasileiro, é mais uma chance para que se perceba que o desenvolvimento de equipes, com sequência de ideias, é a único caminho para períodos sustentáveis de desempenho e conquistas.

Os equívocos das pessoas que tomam decisões no Palmeiras proporcionaram a Mano uma situação privilegiada. Na pesquisa por um técnico estabelecido para iniciar a próxima campanha, o campeão da Copa do Brasil, em fim de contrato, surgiu como resultado óbvio. O que o atual campeão brasileiro tem a oferecer é um pacote sem similares: um centro de treinamento de primeiro mundo, um estádio formidável, um elenco de alto nível e um orçamento generoso. Mas esses mesmos equívocos – da diretoria atual e da anterior – exerceram um papel importante na opção de Mano por continuar no Cruzeiro. Embora as condições sejam excelentes e sedutoras, os treinadores que passaram recentemente pelo Palmeiras não tiveram o crédito de paciência necessário a qualquer trabalho. Pois todos, por melhores que sejam as perspectivas, atravessam fases ruins.

Mano foi muito questionado após perder o título estadual, que até em locais bipolarizados como Minas Gerais já deveria ter passado por uma atualização em termos de relevância. Na mesma época, alguns problemas de relacionamento entre o técnico e um ou outro jogador tornaram as coisas mais complicadas. Não é algo anormal. Ao contrário, a relação pessoal em times de futebol profissional é frequentemente tempestuosa. Cabe ao técnico – e Mano é competente nessa área – descobrir a maneira correta de exigir performance e comportamento de cada futebolista, um processo que não é simples e não tem prazo determinado. As manifestações públicas de jogadores do Cruzeiro a favor da continuidade do técnico dizem o suficiente sobre a convivência e o estágio em que o time se encontra.

A frase após o título da Copa do Brasil, sobre a necessidade de ser campeão para escapar do rótulo de desatualizado, é uma crítica justa a um futebol que opta por ignorar tudo o que vem antes do resultado final. Em que impressões distanciadas, com nível zero de informação, transformam situações passageiras em teses fictícias sobre equipes, jogadores, técnicos, todos os dias. Diferentemente do que se imagina, a insana rotatividade de treinadores em nada interessa a eles mesmos, por impossibilitá-los de montar times, treiná-los e vê-los crescer. O futebol ganha uma chance a cada contrato renovado, mas não é suficiente. É preciso sustentar o discurso e a assinatura quando a arquibancada reclamar e os “conselheiros” erguerem o tom, missão para dirigentes que, infelizmente, ainda não existem.

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Como se percebe, não havia motivo para antecipar incompatibilidades entre Mano e a próxima diretoria do Cruzeiro. Embora o técnico tenha passado alguns dias refletindo sobre sua permanência, houve total concordância em relação a um tema que o preocupava: a necessidade de aperfeiçoar a estrutura de trabalho do clube.

ELITE

O Santos demitiu Levir Culpi ontem, mas os jogadores convenceram os dirigentes a recontratá-lo. Dessa forma, Levir é o terceiro técnico do time nesta temporada, depois de Dorival Júnior e do próprio Levir. E Elano, que assumiria com a demissão de Culpi, caiu antes disso. Loucura? Não, o futebol brasileiro de elite é feito assim.



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