Futilidade



No encerramento da temporada passada, os três primeiros colocados no Campeonato Brasileiro pareciam bem posicionados para cumprir um 2017 produtivo, com a sequência do desenvolvimento de seus times e, provavelmente, conquistas. A principal questão no Palmeiras era como a comissão técnica, com Eduardo Baptista à frente, administraria um vestiário condecorado pelo título nacional durante a montagem de uma nova equipe. Santos e Flamengo se encontravam em situações semelhantes, em que a manutenção de Dorival Júnior e Zé Ricardo, respectivamente, possibilitaria um passo à frente no amadurecimento coletivo.

Baptista foi demitido em maio. Dorival, em junho. Zé Ricardo, em agosto. A dez rodadas do final do ano, Palmeiras, Santos e Flamengo estarão satisfeitos se conseguirem um lugar na próxima edição da Copa Libertadores da América. O atual campeão aguarda o Campeonato Brasileiro terminar, já pensando em 2018 e com um treinador interino. O vice-campeão alimenta os percentuais de uma perseguição improvável ao Corinthians. O terceiro colocado investe no troféu da Copa Sul-Americana, que, mesmo se conquistado, não impedirá que a temporada seja qualificada como decepcionante.

Antes da realização da vigésima-nona rodada do campeonato nacional, o Santos era o único desses três clubes a aparecer entre os quatro primeiros colocados. Palmeiras e Flamengo, por mais incrível que possa parecer, ostentavam pontuações mais próximas da região do rebaixamento do que da liderança. Em jogo, o Palmeiras não conseguiu solucionar a crise existencial provocada pelo retorno de Cuca e o Flamengo prossegue exibindo os mesmos defeitos de comportamento perceptíveis durante a direção de Zé Ricardo. O Santos se tornou momentaneamente mais competitivo com Levir Culpi, embora esteja de mãos vazias.

Nos três casos, as decisões de demitir treinadores não tiveram razões futebolísticas, mas foram frutos de pressões internas agravadas pela insatisfação da parte mais ruidosa da torcida. Especificamente na Vila Belmiro, o ambiente político do clube aumentou a possibilidade da geração do que cartolas chamam de “fato novo”. Por mais evidentes que sejam as conclusões sobre a futilidade das demissões, elas continuarão se repetindo enquanto clubes de futebol forem administrados com convicções que duram apenas até o próximo jogo. E enquanto a escolha de treinadores for feita pelos motivos errados.

São tantos equívocos que, hoje, apenas o Flamengo sabe quem será seu técnico no próximo ano. Parece claro que Reinaldo Rueda foi contratado para terminar 2017 da melhor forma possível e iniciar a nova temporada em uma posição favorável. Alberto Valentim usará um crachá temporário e, se tiver sucesso imediato, suscitará comparações com Fábio Carille, mas sua efetivação não será decidida antes da procura do Palmeiras por um treinador estabelecido. Levir Culpi dependerá de várias circunstâncias para permanecer no Santos, incluindo, é claro, sua própria decisão. E assim o carrossel continuará girando, impulsionado pelo vento, não por ideias.

LÍDER

Em posição de destaque neste campeonato de futilidade, o Atlético Mineiro não pode ser esquecido. Em 2016, um técnico demitido no primeiro semestre e outro no meio da decisão da Copa do Brasil. Em 2017, a coleção aumentou com mais três treinadores. É uma aula a cada temporada.

JOGO DE BOLA

Manchester City e Napoli se enfrentam amanhã, pela fase de grupos da Liga dos Campeões da Uefa. Encontro de dois times que se propõem a monopolizar a bola, construir movimentos desde a própria área, transformar passes em gols. Jogo não recomendado aos enamorados pelo futebol vulgar.

AGRADECIMENTO

Algo que faltou à coluna de quinta-feira passada, na seção Camisa 12 deste diário, sobre Lionel Messi: imagine a quantidade de material danoso à saúde que seria dita/escrita se Messi não marcasse os gols que levaram a Argentina à Copa do Mundo. 



  • Fabrízio Michelon

    Essa falta de continuidade deles, aliada a uma certa falta de capacidade pra fazer o time evoluir, me faz pensar no técnico depois da copa da Rússia. Eu diria que na atual conjuntura é possível que Tite fique mesmo se não ganha a copa. Só sairia em caso de vexame, eliminação pra time tosco. Acho que só o Dorival conseguiu ficar quase 2 anos no mesmo time nesse atual ciclo pós copa de 2014. Isso é surreal e afeta o técnico da seleção.

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