Igual



1 – Na teoria, as condições eram atraentes para o líder. Visitante, como se sente mais à vontade, diante de um adversário inebriado pelo título da Copa do Brasil e desgastado pelo jogo do meio da semana. Um panorama que deveria gerar confiança na conquista de pontos fora de casa, como foram tantos durante o primeiro turno do campeonato.

2 – Mas este não é o primeiro turno, e este claramente não é aquele Corinthians. Não só pela ausência de seu jogador mais importante, substituído por um companheiro que não o substitui, mas principalmente pelas deficiências que surgiram no lugar do que eram virtudes.

3 – A consistência defensiva, como as últimas rodadas evidenciaram, não é mais a mesma. Jadson falhou na recomposição do lado direito da defesa, expondo Fágner à jogada de Alison com Diogo Barbosa. Ótimo cruzamento para Rafinha (1,67m) se antecipar a Arana e vencer Cássio com um cabeceio forte. A exemplo do que se deu no Morumbi, domingo passado, o gol cruzeirense obrigou o Corinthians a fazer um jogo diferente do que pretendia.

4 – E um jogo que favorecia ao Cruzeiro, confortável para recuar alguns metros e convidar o líder a tentar a sorte no campo de ataque. Os índices de posse desenharam a dinâmica do primeiro tempo: o gol aos dezenove minutos contribuiu para que os mineiros tivessem a bola por apenas 41% do tempo em casa.

5 – A tarde de Jadson terminou no intervalo. Mais insinuante e útil à ideia de criar a própria jogada, Marquinhos Gabriel recebeu outra vez a missão de injetar ofensividade em um time em desvantagem e em claras dificuldades. O trabalho ficaria menos complicado se o gol de cabeça de Balbuena, habilitado no que se chama na arbitragem de “lance ajustado” (pelo nível de dificuldade), não fosse anulado por impedimento.

6 – Brilhante defesa de Fábio, esticando-se para a direita para negar o empate a Rodriguinho, na primeira jogada de parede feita por Kazim. O chute foi muito bem colocado, mas o goleiro do Cruzeiro foi melhor.

7 – Enquanto Mano esperava, Carille deu um passo adiante ao trocar um jogador de meio de campo (Gabriel) por um atacante (Clayson). O cenário no Mineirão ficou estabelecido antes dos vinte minutos: o Cruzeiro teria espaço para punir a iniciativa do líder.

8 – O volume ofensivo dos visitantes era mínimo quando Murilo cortou, com o braço, um cabeceio de Kazim na área, aos trinta e oito minutos. Marcação correta do árbitro Rodolpho Toski Marques, convertida por Clayson em um empate que o Corinthians buscou com muito mais empenho do que jogo.

9 – Quando Mano disse, no pré-jogo, que “faltaria alguma coisa” em seu time por causa da celebração do título da Copa do Brasil, ele provavelmente se referia à queda de intensidade notável na parte final. Tanto que Carille ordenou pressão nos últimos minutos, insatisfeito com o 1 x 1.

10 – O ponto somado deixou em oito a diferença para o Santos, e evitou que o técnico corintiano tivesse de administrar as repercussões de uma derrota durante o período das datas Fifa. Mas não escondeu os problemas do líder em sete rodadas do segundo turno. Se é fato que todos os times passam por oscilações neste campeonato, as do Corinthians parecem se prolongar para além do que é natural. Até o jogo contra o Coritiba, ao menos haverá tempo para recuperar Jô.

DIALOGAR…

As observações feitas por Reinaldo Rueda, em entrevista na sexta-feira passada, deveriam estimular a necessária conversa sobre como se analisa futebol no Brasil. Censurar o técnico do Flamengo com base em sua nacionalidade, como se este fosse um critério que o autorizasse ou não a expressar o que pensa, é o recurso de quem não compreende e não tem nada a acrescentar ao debate.

… É PRECISO

Impedir um repórter de trabalhar, como fez o Flamengo em represália à cobertura de um meio de comunicação, tampouco é um bom caminho. Felizmente o clube reconsiderou a decisão.



  • Lucas

    André, como comentei no blog de seu pai, apesar da evidente e preocupante queda de rendimento do Corinthians no returno, há um dado interessante.
    Mesmo com essa oscilação e a má campanha no returno (8 pontos de 21 disputados), a vantagem pro segundo após 7 rodadas é a mesma da virada do turno: 8 pontos. A diferença é que antes o vice era o Grêmio e agora é o Santos. Pra ter uma noção do quanto a campanha corintiana no primeiro turno foi absurda, o Santos precisou de 7 rodadas para atingir a pontuação que fizemos nos 19 primeiros jogos. Incrível!

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