Revisão



A propósito do debate sobre a aplicação do árbitro de vídeo no futebol brasileiro, o lance que poderia gerar o segundo gol do São Paulo no domingo passado ilustra uma situação corriqueira, e que, portanto, merece atenção. Há uma confusão sobre o que o International Board (aliás, não existe “protocolo da Fifa”, pois a Fifa não faz as regras do jogo) determinou como ocasiões em que haverá revisão eletrônica das decisões tomadas em campo, agravada pela questão do “lance interpretativo”.

O sistema aprovado prevê que jogadas em que gols aconteceram devem ser analisadas pelo vídeo para que se apure que não houve irregularidades. O texto diz “… determinar se houve uma infração que signifique que o gol NÃO deva ser validado”. Na prática: o árbitro de campo dá o gol e o colega de vídeo verifica se a decisão foi correta. O episódio do clássico no Morumbi não se enquadra nessa situação, uma vez que Wagner Magalhães apitou falta de Pratto em Cássio. Não é lance passível de revisão, independentemente de ser ou não interpretativo.

Suponhamos que a conduta de Magalhães fosse a que universalmente se considerou a correta (pela imagem da televisão), ou seja, não apitar a falta. Com o VAR em ação, o gol seria validado e, como tal, revisado pelo árbitro de vídeo. A análise mostraria que o lance foi normal, confirmando o segundo gol do São Paulo. Ou notaria ação faltosa de Pratto sobre o goleiro do Corinthians, o que levaria à comunicação com o árbitro de campo para anular a jogada. Importante ressaltar que a revisão de gols por vídeo inclui, sim, decisões sobre lances de interpretação.

Críticos do sistema apontam a possibilidade de discordância entre árbitros como um convite ao caos, pois até entre analistas de arbitragem não houve consenso sobre o lance mencionado. No segundo cenário descrito acima (um deu o gol, o outro viu falta), a comunicação teria de ser suficiente para dirimir a questão, até, se necessário, com as imagens disponibilizadas ao árbitro de campo. É dele a decisão final, e é fundamental que seja a decisão certa.

A discussão tem sofrido um processo de infantilização que em nada contribui para o avanço do jogo. O VAR não pretende acabar com os lances interpretativos ou resolver todas as dúvidas que surgem em jogos de futebol. Trata-se de um mecanismo que multiplica as chances de acerto em ocasiões consideradas decisivas para o resultado, aproximando partidas de desfechos coerentes com o que os jogadores fizeram em campo. É difícil sustentar argumentos contrários a este cenário.



MaisRecentes

Feliz Natal



Continue Lendo

Mudar o meio



Continue Lendo

“O PF dos caras”



Continue Lendo