São Paulo joga, Corinthians soma



1 – Uma espécie de “manual do mandante”, com orientações sobre a melhor maneira de receber e enfrentar o Corinthians, foi oferecido pelo Santos há duas semanas. Consiste, basicamente, em levar o jogo a ser disputado no campo de defesa corintiano pelo maior tempo possível, em busca do gol que retira o líder do campeonato da posição em que prefere atuar.

2 – De modo que a postura inicial do São Paulo, em controle quase total das ações no Morumbi com ambiente inteiramente favorável, era uma certeza. Assim como a chegada daquele momento em que se nota o jogo passar a uma marcha abaixo, porque é necessário dosar energias. Por volta dos dez minutos, o São Paulo respirou um pouco. Na metade do primeiro tempo, já havia dois times em campo.

3 – E duas dinâmicas eram evidentes: o São Paulo tinha mais entusiasmo e agressividade; o Corinthians tinha uma noção mais definida do que pretendia fazer. Reflexos diretos da “idade” de cada equipe e das posições que ocupam na classificação do Campeonato Brasileiro.

4 – Na queda de desempenho do líder desde o início do returno, um dos defeitos mais notáveis é uma certa permissividade defensiva. Já não é mais necessário um esforço tão grande para criar ocasiões. O gol são-paulino, aos vinte e sete minutos, desenhou essa situação. A bola chegou fácil a Petros na lateral da área, criando a dúvida entre cruzamento e finalização que congelou Cássio.

5 – Mais do que a coerência com a diferença de iniciativa entre os dois times, o gol estabeleceu o início de um enfrentamento diferente. O São Paulo poderia alternar entre pressão e recuo, obrigando o oponente a sair de sua característica na procura do empate. Uma situação inédita para o time de Carille, que não tinha sofrido gol no primeiro tempo em doze atuações como visitante no campeonato.

6 – Para contexto: no melhor momento do Corinthians no Brasileirão, um dos temas de análise era a longa sequência de jogos em que o time não permitiu ao adversário fazer o primeiro gol. No início do segundo tempo no Morumbi, o São Paulo estava muito bem posicionado – em jogo e em resultado – para conseguir uma vitória valiosa.

7 – A vantagem permitiu ao time de Dorival Júnior se dedicar a minimizar riscos, sem deixar de jogar. No lance em que o segundo gol saiu, a falta que parece clara, ao vivo, não é clara no replay (que o árbitro não tem). Ficaram evidentes, uma vez mais, as dificuldades de construção do líder diante de defesas posicionadas, cenário agravado pelo acúmulo de decisões erradas – outro problema recente – de determinados jogadores.

8 – Um deles é Rodriguinho, errático contra o Vasco, expulso contra o Racing, e criador do gol de empate em uma ocasião que reuniu astúcia, dedicação e técnica. O lance próximo à linha de fundo era amplamente favorável a Júnior Tavares, que preferiu esperar a bola sair a jogar. Rodriguinho não apenas conseguiu evitar a saída, como, com um drible seco, abriu espaço para cruzar. Sidão defendeu o chute de Romero, mas não o de Clayson.

9 – O 1 x 1 inverteu as características do encontro, obrigando o São Paulo a se expor para tentar evitar a sensação de derrota que se aproximava. O Corinthians só ameaçou em um contragolpe, enquanto Cássio se esticou para negar um gol de cabeça a Jucilei. Haverá discussão sobre a atuação do goleiro corintiano na abertura do placar, mas não na manutenção de um empate que ficou mais agradável para o líder.

PERIGOSO

Não deveria haver lugar no futebol para atitudes como a de Gabriel, com gestos obscenos em provocação à torcida do São Paulo durante a comemoração do gol corintiano. Mesmo se fosse o autor do gol, em um momento de explosão, a conduta não pode ser tolerada. Gabriel estava no banco de reservas e agiu como um torcedor irresponsável, o contrário do que se espera de jogadores profissionais que têm a obrigação de saber quais podem ser as consequências desse tipo de comportamento. O posterior pedido de desculpas fica registrado, mas é pouco diante do papel que futebolistas devem exercer em uma sociedade violenta.



  • Luiz Gustavo Da Costa Calixto

    o ato dele é reprovável, mas porque o SP. também, não vai reponder pelo ataque e vandalismo, no ônibus onde estavam a delegação do Corínthians, é muito grave também,…

    • André Kfouri

      Sim. Mas um jogador profissional se comportar como torcedor irresponsável é mais grave.

      • J.H

        Sim é tão grave quanto o Maicon fazer gestos imitando galinhas para irritar torcedor. Ambos praticaram atos graves. As penalidades devem ser iguais por isonomia. Vamos ver como será julgado Gabriel, para podermos avaliar a justiça.

  • Luiz Gustavo Da Costa Calixto

    e ameaçarem e quebrarem o ônibus é crime, mas vai ficar por isso mesmo, previsto no código penal, além de formação de quadrilha, o SP tem que ser bem punido sim,…

    • André Kfouri

      Não é possível que você não perceba a diferença entre uma coisa e outra.

      • Luiz Gustavo Da Costa Calixto

        este é seu ponto de vista, voce acha que é muito inteligente e menospreza a resposta do outro , se voce não gostou da minha resposta, eu não gostei da sua indagação, voce tem seu ponto de vista, e eu o meu, houve nos dois casos, atos lamentáveis e puníveis, do jeito que voce me dá uma resposta, eu vou falar também, meu modo de pensar é diferente do seu, e me parece que voce se acha melhor que eu, diferença entre as coisas, há, mas os dois atos são puníveis, sou formado em direito, administração, falo línguas, e acho que foi bem infeliz na sua colocação, acha que eu não tenho capacidade intelectual de discernir as coisas, acho lamentável o seu comentário,…, os dois casos foram graves,…

      • Luiz Gustavo Da Costa Calixto

        não entendi, pularam as frases, vou corrigir, sou formado em direito, administração, falo linguas, o que eu quero dizer, que tenho bastante inteligência, para uma análise destas,quem não percebe as diferenças,os dois caso, foram graves, tem que serem punidos,no fim abaixo em referência, sairam frases erradas, não estou entendendo, uma dificuldade, várias vezes, falência,foram sepulturas, não estou entendendo como entraram estes dizeres abaixo, mas ao contrário do que disse, tenho bastante competência e inteligência de interpretar as coisas, se voce duvida, eu duvido muito mais de voce, eu sei o que as pessoas falam de mim,sei tanto quanto voce,….

      • Luiz Gustavo Da Costa Calixto

        não estou entendendo, os textos estão saindo diferentes, do que eu estou escrevendo, não sei o que está acontecendo, ponho uma frase, está saindo diferente,…

  • Gustavo Favaro

    AK, a passividade da imprensa diante do desempenho questionável da arbitragem me causa espanto. Procurou-se colocar panos quentes nas escolhas do árbitro, em especial o óbvio recuo de bola ao Cássio e o óbvio toque na mão do jogador corintiano dentro de sua área. Mesmo o lance do Pratto, convenhamos, não oferecia dificuldade, já que foi o Cássio quem se projetou. Não se trata de complô ou algo parecido, mas de se colocar a limpo os equívocos que decidiram mais uma partida. Não vi a mesma complacência jornalística naquele medonho Boca Jrs. X SCCP, por exemplo.

    • André Kfouri

      Não acho coerente comparar jogos, e não sei de quem você está falando, uma vez que “a imprensa” não existe. Posso oferecer minha opinião: como está escrito, a jogada do segundo gol é difícil para a avaliação sem replay. O recuo me pareceu claro pela televisão, mas não faz sentido julgar sem ter o ângulo do árbitro. E no toque de mão, francamente, é evidente a tentativa de tirar o braço após a bola tocar no peito.

      • Gustavo Favaro

        AK, 1) vc e o árbitro sabem que tentar tirar a mão da bola é irrelevante segundo as regras da FIFA em vigor desde 2014, se mesmo assim a área do jogador foi ampliada; 2) ambos sabem que no lance do recuo o corintiano não pode ter tido outra intenção – ele dificilmente quis cruzar na própria área ou fazer gol contra; 3) sim, todos os lances são interpretativos, e o álibi do juiz será sempre dizer que seu ângulo era ruim, e acabou “interpretando” mal; 4) aliás, ele nem precisa de álibi: vocês limpam a barra dele, para vender 20% a mais de jornal na segunda-feira (percentual dado pelo Xico Sá ao vivo no SPORTV); 5) vamos ver quantos lances “interpretativos” vão favorecer o SCCP se estiver em apuros de novo como nos dois últimos jogos 6) e favorecer o São Paulo contra algum time menor, para se safar do rebaixamento; 7) Enfim, acredito na sua isenção, mas não na sua total independência para falar tudo que sabe. Valeu.

        • André Kfouri

          1) se você pretende falar sobre regra, ao menos se informe para evitar constrangimento. O lance é acidental e o jogador mostra que tentou tirar o braço para evitar o toque. Ele não tira vantagem e não assume o risco de tocar a mão na bola. Você está completamente equivocado. 2) várias situações podem acontecer, como por exemplo ser um lance dividido. Como disse, o ângulo do árbitro é crucial. 3) Não, nem todos os lances são interpretativos. E não me importa o que o árbitro diz ou não. O que é relevante é saber que não se deve analisar as decisões de um árbitro, em campo, com base no que se vê pela televisão. A não ser que a arbitragem tenha os mesmos recursos à disposição. 4) Não sei quem são “vocês”, e sugiro que você modere seu tom se quiser continuar publicando comentários aqui. 5) Não, não vamos. Isso é coisa de quem menospreza o próprio time pelo qual diz torcer. 6) Muito menos isso. 7) Você não faz a menor ideia sobre o que está falando. Permita-me, novamente, sugerir que modere a forma como se expressa.

          • Gustavo Favaro

            Desculpe, não quis soar ofensivo e considero você um dos três melhores jornalistas esportivos brasileiros atuais (e os outros dois não sei bem quem são). Quanto às arbitragens, a solução me parece simples: a estatística, que vem sendo empregada para pegar trapaceiros em várias circunstâncias, desde fraudadores de seguros a jogadores de tênis conluiados com apostadores. Essa tecnologia acabaria com a desculpa do “ângulo de visão” e da “interpretação”, tão utilizadas pelos Amarillas da vida. Mais uma vez, desculpe soar ofensivo, eu não desejei isso. Abraço.

            • André Kfouri

              Sem problemas. Agradeço e seguimos em frente.

  • Paulo Pinheiro

    Pois é, AK. Agora o Manoel Serapião Filho está dizendo que o árbitro de vídeo não poderá ser utilizado em lances como esse da anulação absurda do segundo gol do SPFC, porque só poderá ser utilizado pra DEFINIÇÃO de lances (dentro/fora da área, dentro/fora do gol, …) e não pra auxiliar o árbitro em lances interpretativos. Perde-se muito com isso, não?

    • André Kfouri

      Sim, porque mesmo em lances de interpretação, a avaliação pelo vídeo multiplica a chance de acerto.

      • Klaus P.

        Penso que tudo isso ainda faça parte do processo de amadurecimento do AV. Mas concordo que o próximo passo é incluir alguns lances comuns dentro da área. Hoje, por exemplo, se o juiz tiver convicção de que não foi pênalti (mesmo que o estádio todo tenha visto que foi), ele não precisa consultar o AV. Esse gap continua sendo decisivo e vai destoar enormemente quando o AV estiver consolidado e houver redução da sensação de injustiça por falha da arbitragem.

        Um abraço!

  • J.H

    O que é lamentável é a insinuação de favorecimento sistemático de arbitragens ao corinthians, Isso já beira a insanidade, Agora culpam até a imprensa pelos lances “que acham” favorecer ao corinthians propositalmente. Então estamos diante de uma neurose ridícula, onde o clubismo anula o discernimento do que é certo e errado. Como diria o Milton Leite: “que faaaase!” (sociedade)

  • Luiz Gustavo Da Costa Calixto

    Sr André, eu percebo sim, o Sr que acha que eu não tenho capacidade para analisar os fatos, infelizmente o Sr, não me conhece, sou formado em direito, administração, falo línguas, para mim, os dois casos, o gesto do jogador, e o vandalismo no nosso ônibus, foram muito graves, e não mudo uma palavra e minha forma de pensar, que sou bem admirado, por muitas pessoas, e que também acharam um absurdo sua resposta para mim, minha resposta é a mesma, para o Sr,…

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