A vida anda rápido



1 – Um gol perdido foi também um sinal postivo. Na jogada que Romero iniciou após um erro de Madson, apareceu a associação dos dois meias, tão importantes para o bom funcionamento da maneira de jogar do Corinthians: Jadson para Rodriguinho, na área. O chute passou perto da trave e enganou muita gente ao tocar a rede por fora.

2 – O Corinthians tinha controle e boa circulação, embora sem o capricho para superar o bloqueio vascaíno diante de sua área. Também se defendia com solidez, permitindo ao Vasco apenas dois chutes de fora da área na primeira meia hora, ambos defendidos por Cássio com certa dificuldade.

3 – Na medida em que o time carioca passou a jogar um pouco mais adiantado, os espaços se tornaram generosos. Mas o plano de fazer a bola chegar por dentro a Jô não teve efeito. É uma jogada vital para o Corinthians, seja com o atacante como destino final ou viabilizador da aparição de companheiros. Tem sido silenciada por marcação competente, ainda que, neste domingo, Jô possa reclamar de um pênalti ignorado.

4 – Rodriguinho teve outra ocasião, de cabeça, dentro da pequena área. O álibi da surpresa – Jô não conseguiu alcançar a bola, que se ofereceu de repente – é válido, mas tocá-la por cima do travessão pareceu o mais difícil. O primeiro tempo começou e terminou com um gol que ele quase marcou.

5 – E o segundo tempo se abriu no mesmo tom: Jô cruzou do lado esquerdo e Rodriguinho concluiu à curtíssima distância de Martín Silva. A defesa no reflexo, com a mão direita, salvou o Vasco.

6 – O atual momento do líder do campeonato é marcado por claros defeitos de execução. O bonito lance de Rodriguinho com Fágner, tabelando pelo lado direito, propiciou um caso exemplar. Jadson aguardava a bola na marca do pênalti para finalizar a jogada treinada e tantas vezes bem sucedida, mas o chute saiu torto.

7 – Com Arana e Jadson, combinação parecida do lado esquerdo. Passe para trás, para a chegada de Maycon. Outro chute com a direção errada, outro gol que ficou no quase.

8 – Há passagens em que um time de futebol dá a impressão de que encontrará um jeito de vencer jogos, mesmo que esteja em um mau dia. Há outras em que, por mais que produza e tente, sugere que não terá sucesso.

9 – O lance do gol é uma ilustração das dificuldades momentâneas do Corinthians. Excelente avanço de Marquinhos Gabriel pelo lado esquerdo, cruzamento desviado que provavelmente tocaria na trave e entraria. Mas Jô, com o braço direito, criou um tento irregular cuja validação é uma lástima.

10 – Cabe um comentário sobre a inutilidade do árbitro que se posiciona ao lado da trave e não vê o toque de mão, ok. Mas, quantas vezes forem necessárias: em um jogo com árbitro de vídeo, um gol como esse jamais veria a luz do dia. Não há justificativas.

11 – Jô era o jogador envolvido no episódio de fair play de Rodrigo Caio, no Campeonato Paulista. A vida anda rápido.

12 – O Corinthians jogou mais do que o Vasco e teve diversas oportunidades para marcar. Terminou por vencer o encontro com um gol ilegal, o tipo de ocorrência que não tem mais lugar no futebol. Enquanto o resultado – somado aos demais, aumentando a vantagem na liderança do campeonato – será visto como prova de recuperação, a atuação voltou a exibir alguns problemas das rodadas recentes.

DIFERENTE

Paulinho se projetou pelo meio da defesa do Getafe, acelerou para pedir a bola a Lionel Messi, recebeu, dominou, travou um adversário no corpo e marcou o gol da vitória do Barcelona, o primeiro dele pelo clube. Um gol muito celebrado em campo, e que pode indicar de que forma o brasileiro será utilizado em um time que pretende voltar a jogar com posse. De todos os nove meiocampistas do elenco, Paulinho é o jogador cujas características mais se distanciam da ideia que o Barcelona tradicionalmente representa. Talvez por isso seja aquele que pode contribuir com um comportamento diferente, inesperado. O começo foi interessante.



  • Paulo Pinheiro

    Não vale também comentar a cara-de-pau do Jô ao dizer ao final de que “não tinha convicção de onde a bola bateu”? Ou ainda gesticulando com o adversário (Ramon) com uma enorme “convicção” de que a bola bateu no peito?
    Também queria o árbitro de vídeo nessas horas.
    Mas nem ele cura a falta de caráter.

  • J.H

    Pronto André. Depois dos episódios do Keno e do Cuca, na injusta e errada expulsão do Gabriel, com o jogador do Palmeiras aplaudindo o erro, o incrível impedimento inexistente do Jô contra o Flamengo, onde nada se compara a dimensão dada a esse lance do Jô, onde só faltaram convocar o mesmo a execução em praça pública por falta de carater (que absurdo mellll deossss), o que vemos? AGORA, somente agora quando é o CORINTHIANS do PT, do Lula, do apito amigo, do campeonato manchado,do campeonato onde vale até entregar jogos para prejudicar o clube, a CBF, promoverá já na próxima rodada, o que você sempre defendeu. Ou seja, está explicito que é o CORINTHIANS, sempre o responsável por tudo. Até ouvir, hoje, um jornalista corinthiano na TV, dizer que o campeonato está manchado!. Não estava quando os erros ocorridos contra o Flamengo, Coritiba Palmeiras. O dimensionamento desse fato, invocando Rodrigo Caio foi de uma maldade sem tamanho.

    • Julia Posey

      A discussão vem à tona pelo fato de Jô estar envolvido no episódio do FP de R Caio. Até aí, td bem, embora a situação de jogo seja completamente distinta da de ontem, que foi lance de gol. Um erro não se justifica com outro e duvido que qq outro jogador na mesma situação assumisse que fez um gol irregular. Por ex, ngm falou do Luis Fabiano qdo este fez um gol de mão no jogo do 1o turno contra o mesmo Corinthians. Ngm cobrou ética desse rapaz, embora seu histórico seja péssimo.Pelo contrário: é um jogador endeusado por parte da midia, tido como esperto, artilheiro, malandro, etc. Porém, a desproporcionalidade das críticas feitas ao Jô demonstram todo o ranço e, em muitos casos, ‘ódio’ explícito de jornalistas e analistas – pessoas das quais se exige um mínimo de equilíbrio e bom senso – contra o Corinthians e o notável campeonato que vem fazendo. É capaz de o STJD nos tirar 15 pontos por causa desse lance, pq contra o Corinthians td é possível e permitido. Vide os erros crassos cometidos contra o time não apenas este ano e que lhe custou pontos valiosos, mas que sempre ocorrem. Isso sim é manchar o campeonato. Alguns fizeram uma pequena menção, como se fosse permitido ou algo normal. Nada com a raiva e paixão tal como visto ontem. Houve casos em que jornalistas como Mauro Cezar, por ex, nem quiseram comentar em seus programas e só o fizeram pq outros colegas insistiram no assunto. Agora, é muita hipocrisia parte da imprensa pegar o Jô para Cristo, cobrando deste uma ética que nem eles próprios têm ao emitirem suas opiniões e ao procederem em suas vidas e profissão ao puxarem sardinha de jogadores e dirigentes, aceitando benesses destes, qdo deveriam manter distanciamento p não comprometerem a seriedade e isenção de suas análises. Digo que, a seguir esse raciocínio, cobrar ética de alguém – no caso, Jô – é algo que somente soará legítimo se partir de quem sempre prezou por esse comportamento. Por isso, mais uma vez, os meus parabéns ao excelente texto do André – que analisou o jogo e o fato que ocorreu no jogo – sem as paixões desmedidas de profissionais que não sabem separar o lado torcedor do lado analista e que a cada dia empobrecem o nível do jornalismo esportivo do Brasil, que retrata o limbo intelectual ao qual foi relegado.

      • J.H

        O que poderia acrescentar ao seu texto? Absolutamente nada!
        Mas, a CBF implanta a partir da próxima rodada o árbitro de vídeo. Então o Corinthians foi o responsável por isso. Aliás, depois de programas dedicarem 48 horas de discussão sobre o caráter do Jô, gostaria de saber dos mesmos jornalistas o que acham da medida da CBF, tomada justamente após um lance em que o Corinthians foi beneficiado. Com certeza no máximo que dirão, foi “demorou muito”. Econômicos nessa resposta, e prolixos quando interessa! Uma lástima!

        • Alisson Sbrana

          Acho que para o torcedor corintiano mais apaixonado pelo clube do que pelo esporte (acho que em todos os times existe isso), pode parecer perseguição mesmo. A verdade é que nossos juízes já são uma lástima, precisam de ajuda e o vídeo é uma necessidade para impedir que coisas esdruxulas manchem o muito provável título do time paulista. Acho até que o próprio corintiano poderá se vangloriar de ter sido expoente na implementação do vídeo. Agora, sobre o Jô… caramba, sou santista e não acho que o Ricardo Oliveira iria fazer diferente… Mas por causa do Rodrigo Caio (o ato até hoje é visto por muitos como principal motivo para sua convocação) fica realmente remoendo na cabeça de quem não é corintiano. Acredito que até de alguns. Uma pena que seria uma boa rodada para um lance de flairplay, já que os adversários quase todos perderam. E num país cada vez mais esquisito, onde se fecham exposições, barram peças de teatro e decretam que homossexualidade tem cura, Jô perdeu a chance de ser um Sócrates.

          • J.H

            Alisson, não dá para ficar vendo e ouvindo jornalistas posando de moralistas oportunos em cima do Jô, quando nós os vimos diversas vezes, dando risadinhas e lançando ironias quando o corinthians é prejudicado (Ou estou exgerando?). Só masoquista para dedicar tempo a ouvir essas nulidades!

    • Paulo Pinheiro

      O problema, amigo, é que sua paixão de torcedor não deixa enxergar os erros que BENEFICIARAM o Corinthians este ano. Por exemplo: nesta mesma partida de Corinthians 1 x 1 Flamengo o Guerrero sofreu um pênalti não marcado.
      Não tem “perseguição”. Estamos apenas desmascarando o sujeito que cobrou postura de fair play dos jogadores do Palmeiras nesse mesmo lance que você citou e que – após ter a chance de dar o exemplo do que prega – mandou o fair play às favas. E – pior – quis nos fazer de otários com suas explicações estapafúrdias de “não sei onde bateu” e “se tivesse convicção avisaria”. Ah, vá! Se ele ainda justificasse que é um lance “nada a ver com o do Rodrigo Caio” até passaria menos vergonha (embora eu ainda discordasse dele). Mas querer falar pra gente de cara lavada que “não sabe onde pegou”, quando nas imagens ele ainda gesticula com o Ramón cheio de convicção de que a bola pegou no peito? Não tem que perdoar mesmo. Poderia ser de qualquer clube.

      • J.H

        Você poderia por gentileza, responder com sinceridade porque Jô não admitiu, assim que saiu de campo, que a bola havia batido em sua mão?

  • J.H

    Não sei se as regras permitem a colocação de links de videos do youtube aqui André, mas sugiro que vejam “Corinthians 1×0 Vasco – Golpe de Wrestling de Wagner em Balbuena”, Nenhum canal, nenhum comentou essa barbaridade. Insistiram que o arbitro de fundo não viu a mão de Jô e classificaram de erro grosseiro, embora com visão coberta pela trave. E o que dizer dos mesmos críticos que não tiveram nem mesmo o cuidado de ver essa? São cegos ou o que?

  • J.H

    Sobre o Jô: Hernanes: “‘Eu tomei amarelo por simulação de pênalti na área. O juiz estava louco. Cheguei em casa e vi o lance. Eu não fui tocado. Realmente me joguei. Na hora do calor, tem coisas que você não percebe.’ “

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