Renovado



O anúncio da renovação do contrato de Fábio Carille no Corinthians foi um movimento acertado. Relacionar a retomada das conversas entre as partes à recuperação do time no Campeonato Brasileiro, como se cogitou, seria arriscado e, com o perdão da franqueza, pouco inteligente. Ficaria evidente a sugestão de que, se o líder do campeonato não tivesse perdido nove pontos dos últimos doze que disputou, a permanência do técnico já teria sido anunciada. E transferiria a resolução da questão para um momento hipotético: o que seria essa “recuperação”? Vencer os próximos dois jogos? Reestabelecer dez pontos de vantagem para o segundo colocado? E se nada disso acontecer?

Uma coisa é agendar as reuniões sobre a renovação para o fim da temporada, quando os contornos do ano seguinte estão definidos e se pode partir de uma visão concreta. Permite-se que o técnico concentre suas energias no trabalho de preparar e dirigir o time, sem nenhum tipo de distração (embora agentes sirvam exatamente para esse fim: negociar enquanto os representados trabalham). “Congelar” as conversas que se iniciaram com interesse mútuo é algo inteiramente diferente, uma decisão que transmitiria a impressão de dúvida e desperdiçaria a oportunidade de tornar pública a confiança do clube em Carille, justamente no trecho do campeonato em que as coisas não vão bem.

A única explicação aceitável para a suspensão do diálogo – previsto para ser concluído durante o período em que o campeonato ficou paralisado por causa das Eliminatórias – seria uma decisão do próprio treinador, o que revelaria falta de habilidade por parte da diretoria do clube ao permitir um entrave. Pois à exceção de exigências tresloucadas de Carille para prosseguir em sua posição, não haveria justificativa para que o Corinthians falhasse ao alcançar as pretensões profissionais do técnico que conduz o time em uma campanha que, mesmo com a queda recente, merece todos os elogios. Alguns bons resultados não deveriam ser necessários para acertar a sequência do relacionamento.

Ao dar a Carille um novo contrato de duas temporadas, com opção de mais uma, o Corinthians oferece uma demonstração de convicção no trabalho de um técnico que está no clube há muitos anos e já provou que merece a oportunidade que recebeu, ainda que não fosse a escolha inicial para 2017. Mais: reforça que crê na conquista do título brasileiro, embora esse objetivo não seja uma condição para a permanência do treinador. Aliás, a renovação do vínculo faz total sentido mesmo que o Corinthians não seja campeão. A possibilidade da conquista, que não se vislumbrava em janeiro, só é um assunto hoje por causa do desempenho do time sob o comando de Carille.

E até no que diz respeito ao relacionamento entre técnico e jogadores, aparentemente positivo em todos os aspectos, o anúncio feito ontem age para preservar o bom ambiente. Está claro para todos quem dará as ordens no futuro próximo. O Corinthians responde com estabilidade ao primeiro momento instável que experimenta em 2017, e se redime do equívoco que cometeu no começo do ano, quando recorreu, reticente, a Fábio Carille, após ficar sem opções. Carille sempre esteve ali, e ali seguirá, agora com o suporte devido. Ele representa a continuidade das ideias que propiciaram ao clube o que se pode considerar um período sustentável de vitórias.

SELEÇÃO

Não resta dúvida de que o santista Vanderlei merece uma convocação para a Seleção Brasileira. Mas o fato de um dos goleiros suplentes, provavelmente o terceiro, ser o grande ponto de discordância na lista apresentada por Tite revela o suficiente sobre as escolhas feitas. E é curioso que esse tema se sobreponha ao aparecimento de Arthur, jogador de controle, visão e inteligência, da classe que o futebol brasileiro sente falta. Quem o conhece bem afirma que veio para ficar. Tomara.



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