Simuladores



Além dos já programados encontros com seleções europeias do primeiro escalão, medida que falta para que o Brasil tenha uma noção mais definida de onde está em termos de competitividade, os jogos restantes das Eliminatórias têm um papel interessante na preparação para a Copa do Mundo. Como simuladores de problemas, os adversários sul-americanos podem apresentar situações que a Seleção encontrará no torneio na Rússia, colaborando para o manual de soluções que Tite terá à mão. A partida de amanhã contra a Colômbia e a do dia 10 de outubro, contra o Chile, se encaixam neste perfil, uma vez que ambos estão em um grupo de quatro times separados por dois pontos na zona de classificação.

Quanto maiores forem as semelhanças desses jogos com a vitória da semana passada sobre o Equador, no aspecto do nível de dificuldade, mais valiosos eles serão para a Seleção Brasileira. Em Porto Alegre, os equatorianos mostraram uma lição de casa feita com capricho, ao travar a saída da bola tanto pelos lados, com Daniel Alves e Marcelo, como também com Casemiro, vigiado com especial atenção. O jogo de associação curta que Tite implantou com notável sucesso depende da construção limpa desde o campo de defesa, o que não se deu com a fluidez necessária e comprometeu as melhores escolhas de passe ofensivo. A impressão de lentidão decorreu desse problema.

É lógico que oponentes mais capazes do que o Equador usarão expedientes defensivos semelhantes, por isso a mudança provocada pela entrada de Philippe Coutinho como meia centralizado estimula a comissão técnica. Especialmente diante de adversários que recuam para fazer marcação baixa, a opção com Coutinho entre William e Neymar começa a se reforçar como mecanismo de superação desse bloqueio. No movimento do segundo gol, o meia-atacante do Liverpool exibiu arranque, passe e finalização, virtudes que explicam sua cotação no mercado de futebolistas na Europa e nas anotações do técnico da Seleção. Jogadores que podem ser utilizados em papeis diferentes são um luxo.

E não é apenas a introdução de um elemento novo ou a alteração de sistema que ele representa. A possibilidade de ter William, Neymar, Philippe Coutinho e Gabriel Jesus, juntos, oferece uma assustadora quantidade de problemas para os times que terão de controlá-los. Um potencial ofensivo com o qual apenas argentinos e franceses poderiam discutir. A procura de variantes na montagem da equipe e na elaboração da forma de atuar é central neste momento em que já se pensa no Mundial. A definição do elenco definitivo também passará pelas opções de escalação que se mostrarem úteis nos próximos jogos.

Embora o discurso – “a Copa do Mundo já começou” – tenha o evidente objetivo de manter a intensidade e a ambição em níveis elevados, a classificação assegurada carrega uma tranquilidade natural. Não será necessário injetar espírito de competição na equipe quando o adversário for, por exemplo, a Alemanha em amistoso. Mas as Eliminatórias, em que até o primeiro lugar já é inalcançável para os demais participantes, adquiriram contornos de formalidade. Tite insistirá no estímulo em encontros como o desta terça-feira, fontes de caminhos que podem não parecer importantes agora, mas certamente serão quando o resultado não valer apenas para o adversário.

MAGNÍFICO ISCO

Quem teve a chance de ver Espanha x Itália, no sábado, pôde aplaudir uma atuação espetacular de Isco, na vitória dos espanhóis por 3 x 0. Dois gols (embora no primeiro, em cobrança de falta, a bola parecesse defensável para Buffon), um recital de passes e interações. Sem falar em uma caneta e um lençol em Verrati, no segundo tempo. Tão impressionante quanto a exibição de Isco foi o fato de a Itália utilizar uma escalação que não se importou em ceder o controle do meio de campo. Logo contra a Espanha? O resultado poderia ser mais dramático.



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