Pérola



1 – A disposição inicial para atacar foi muito mais uma impressão otimista do que a real intenção de Flamengo e Botafogo. A ofensividade dos primeiros minutos no Maracanã – uma chance para Guilherme e uma para Guerrero – logo deu lugar a uma disputa com amarras de ambos os lados, numa noite que não permitiria erros.

2 – A cautela que no jogo de ida serve para evitar que o confronto se desequilibre, apresenta-se, na volta, como o lembrete de que uma falha pode ser decisiva. O resultado são atuações controladas e um encontro em que se luta muito e se joga pouco.

3 – A temporada mostra o Botafogo com padrões coletivos mais bem definidos que os do Flamengo. O primeiro tempo acompanhou essa realidade. Cômodo em seu posicionamento defensivo e pronto para ir ao ataque sem demora, o visitante não viu problemas em suportar o volume do adversário e ameaçá-lo quando teve a chance.

4 – O zero a zero persistente é lógico em jogos dessa natureza, mas o placar que não interessa a ninguém passa a ser um problema quando o tempo começa a ficar curto. Na procura pelo espaço que conduziria à vitória, o Flamengo teria de administrar o risco de sofrer um gol do qual seria muito difícil se recuperar.

5 – Nada de diferente em quinze minutos de segunda parte, embora o árbitro não tenha visto um pênalti de Marcelo, ao bloquear com a mão a finalização de Guerrero. Na dinâmica do clássico, a iniciativa do Flamengo seguiu testando a capacidade do Botafogo de se defender.

6 – A posse do Flamengo encostava nos 66% quando o brilho individual provou-se, uma vez mais, determinante. O lance de Berrío pela direita é digno dos grandes momentos do Maracanã: drible-da-vaca-de-letra em Victor Luis, entrando na área para encontrar Diego em posição de marcar: 1 x 0, que eliminou a possibilidade de pênaltis e obrigou o Botafogo a se soltar.

7 – Em termos de ocasiões de gol, a partida do Flamengo era opaca até a mágica de Berrío. Jogadores capazes de ganhar duelos pessoais próximos à área são valorizados exatamente pelo impacto em noites como a desta quarta-feira.

8 – Sair de sua característica principal para gerar um gol em pouco tempo, diante de um adversário habituado a cuidar da bola. A situação do Botafogo ficou extremamente complicada nos minutos finais. Não por acaso, a jogada mais sensível foi criada pelo Flamengo, quando Vinicius Júnior demorou a concluir e permitiu o desarme de Leandrinho.

9 – Merecida classificação do Flamengo, superior nos dois jogos e impulsionado pela pérola de Berrío no gol que decidiu o confronto.



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