Abraçados



1 – O abraço de Jair Ventura em Reinaldo Rueda é a imagem que deveria ser a mensagem: um futebol que recebe com gentileza os que chegam para agregar e trocar conhecimento. Treinadores nascidos em outros países não têm culpa pela licença dos colegas brasileiros não ser aceita na Europa. Essa é uma questão para a CBF resolver.

2 – O primeiro retrato do Flamengo de Rueda mostrou cautela e segurança, mais atento às qualidades do rival. Por observação e informação, o técnico colombiano tomou providências para minimizar os defeitos defensivos que caracterizaram o time recentemente, e que seriam explorados por um adversário competente. Missão clara de evitar o contragolpe botafoguense.

3 – O Botafogo se deparou com um oponente mais marcador do que esperava, tarefa na qual Cuellar desempenhou um papel importante. À medida que o Flamengo, com posse, evoluía e se soltava um pouco mais, os mandantes visualizavam os espaços cruciais para o tipo de futebol que preferem. Mas não foi o choque de ideias que se poderia imaginar, fundamentalmente pelo passo atrás do rubro-negro.

4 – A consequência foi um primeiro tempo com movimentos calculados e poucas ocasiões, uma para cada lado. O mata-mata costuma produzir encontros tensos e igualados na maior parte do tempo, especialmente nos jogos de ida. A tomada de riscos, mais ao feitio das características dos jogadores do Flamengo, dependeria de uma mudança de comportamento.

5 – Outra alteração notável: no lugar da posse paciente que investia na circulação para desorganizar, o Flamengo voltou do vestiário procurando o passe mais profundo, que elimina adversários. Como ideia, acelera o jogo, mas é difícil contra times que se posicionam bem como o Botafogo.

6 – A cobrança de falta de Diego, no travessão, simbolizou o reinício com mais iniciativa do Flamengo. Uma dinâmica condizente com o que se antecipava, e na qual o time do Botafogo se sente confortável. A possibilidade de um segundo tempo aberto, com cada time argumentando conforme suas virtudes, era a chance de gols no Nílton Santos.

7 – Mas uma precipitação do árbitro Anderson Daronco mexeu com o jogo. O lance de Muralha com Joel Carli não era para dupla expulsão. A recomposição da defesa do Botafogo sacrificou Roger, e Vinicius Junior teve de sair após seis minutos em campo para a entrada do goleiro Thiago. O episódio marcou o fim das pretensões ofensivas dos dois times.

8 – Um jogo de xadrez, diriam. No futebol, uma partida em que não perder era a prioridade de ambos. O zero a zero é teoricamente mais agradável para o Botafogo, mas tudo deve ser diferente no Maracanã.



  • Paulo Pinheiro

    Como de costume, uma excelente análise da partida, André.
    Mas também gosto de pontuar que aquele não foi o único erro do Daronco, infelizmente. No primeiro tempo o Rodrigo Pimpão (botinão) havia tentado quebrar o Arão com uma solada criminosa e não levou nem amarelo. Nos segundo tempo ele efetivamente QUEBROU o Berrío com outra solada, ainda mais criminosa (devastou o pé e o tornozelo do atleta) e tomou apenas o amarelo. Saiu logo em seguida, e a forma como foi parabenizado pelo seu banco é um tétrico retrato do futebol brasileiro. Missão cumprida, Pimpão.
    Como se não bastasse, tivemos injúria racial (sim, foi só um indivíduo), pedras e outros artefatos contra o ônibus da equipe do Flamengo e uma muito mal explicada barração dos torcedores visitantes ao estádio, tendo sido totalmente liberados apenas mais de 30 minutos após a partida iniciada.
    Entendo que é também um papel de vocês, formadores de opinião, denunciar e repudiar esse tipo de comportamento.

    Alô, STJD! Essa palhaçada tem que acabar. Senão 7×1 foi pouco.

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