A diferença aumentou



1 – Mesmo com Neymar na França e Cristiano Ronaldo no banco, Barcelona x Real Madrid permanece o principal jogo do futebol mundial. Se a ausência do craque brasileiro tem um impacto (além do óbvio) na atualização da rivalidade, é o de desequilibrar ainda mais um encontro que tem sofrido um processo de repaginação nos últimos dois anos.

2 – O time dos meio-campistas hoje é o Real Madrid, bicampeão europeu e campeão nacional, operado por Kroos, Modric (suspenso nesta partida de ida da Supercopa), Casemiro, Isco… O Barcelona deixou de sê-lo em nome de um tridente ofensivo que não existe mais, e se apresenta como uma interrogação de estilo que, neste momento, recorre a Messi como resposta para tudo.

3 – A Supercopa abriu a temporada espanhola com equipes ainda longe da forma de competição e um Madrid vestido de “verde-turquesa”. Condições diferentes das normais no clássico que acostumou o mundo a um confronto de maneiras de jogar futebol tão reconhecíveis quanto as cores que as representavam. Difícil diferenciar os jogadores no gramado do Camp Nou, assim como notar superioridades claras entre os rivais no início.

4 – O Real Madrid se mostrou mais à vontade em seu jogo, como é natural pela continuidade de futebolistas e comissão técnica, mesmo com o principal astro fora de campo. Deulofeu é o jogador que substitui Neymar entre os titulares do Barcelona, o que é muito diferente de ser o substituto do atacante brasileiro. Ernesto Valverde, novo técnico do clube catalão, terá de definir que tipo de futebol seu time praticará.

5 – O segundo tempo começou com o impensável para Piqué: um gol de seu próprio pé a favor do Real Madrid. Conteúdo de pesadelo para o mais vocal dos barcelonistas, que não conseguiu evitar o desvio fatal após o cruzamento de Marcelo. Alba salvou o que seria um gol de Carvajal, pouco antes de Zidane mandar Cristiano ao gramado para explorar o vasto espaço no Camp Nou.

6 – Mas foi o Barcelona quem subiu de nível na procura do empate, conservando a bola nas imediações da área adversária, mas sem a construir a jogada aguda para Suárez ou Messi. No único trecho do jogo em que se pôde perceber um time trabalhando com urgência, também ficou evidente a carência de soluções coletivas dos catalães.

7 – Messi empatou cobrando um pênalti que só é concebível na dramaturgia. Atuação teatral de Luis Suárez que convenceu o árbitro a tomar uma decisão – não seria a única, e, por mais incrível que possa parecer, também não seria a pior – com reflexo direto no placar. O Barcelona pressionava e era perigoso, mas nada justifica um pênalti fictício.

8 – Acionado por Isco em um contragolpe que o colocou em situação de vantagem contra Piqué, Cristiano Ronaldo assinou mais um de seus gols maravilhosos. Corte para o centro e chute no ângulo. Ele só não sabia quanto custaria o cartão amarelo por tirar a camisa na comemoração.

9 – Porque em jogada na área com Umtiti, Ronaldo foi ao chão em um desses lances que não são falta e nem simulação. Contato legal, perda de equilíbrio, tudo normal. Não havia razão para o cartão amarelo que determinou a expulsão do português, em mais um erro que os críticos do árbitro de vídeo devem digerir como ocorrência natural do jogo de futebol.

10 – Quando o Barcelona se animou pela vantagem numérica, o Real Madrid encerrou as dúvidas com outro golaço. Asensio, projeto de craque, também acertou o ângulo do gol de Ter Stegen: 1 x 3. Placar que representa o que foi o clássico, embora a arbitragem tenha se esforçado para contaminar o que os jogadores produziram em campo.

11 – A ida da Supercopa reforçou a impressão deixada ao final da temporada passada (quando Neymar ainda era jogador do Barcelona): o Real Madrid é superior em jogo e elenco. Ainda que a conta bancária do Barcelona apresente alta capacidade de investimento, a posição é delicada no que diz respeito à montagem de um time que jogue futebol coletivo.



  • Gustavo Favaro

    Muito bom o texto.

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