Sabotagem



É possível que a noite de quarta-feira tenha deixado ensinamentos para os dirigentes e as bases de torcedores do Palmeiras e do Atlético Mineiro, dois clubes que sabotaram seus times durante o curso da temporada, e agora se perguntam o que deu errado em um jogo, ou um confronto, quando a questão real é muito mais ampla. As ideias valem mais do que o orçamento e a exigência que resulta do simples olhar para os elencos, imaginando que se transformarão espontaneamente em equipes vencedoras. Ideias e trabalho com um mínimo de continuidade, mesmo que seja nos padrões do futebol brasileiro.

O presidente do Atlético Mineiro, Daniel Nepomuceno, proferiu a brilhante frase “futebol é resultado” para justificar a demissão de Roger Machado, provavelmente esquecendo que o clube que ele comanda tem média recente de um treinador a cada seis meses. Não, futebol é planejamento, convicção, formação de grupo e de equipe. O resultado – o resultado sustentável, diga-se, não o episódico – é produto da satisfação desses aspectos, e sua ausência em um intervalo curto de tempo não pode ser usada para corrompê-los. Alguém poderá dizer que, com Roger, o Atlético estaria na mesma situação, ou pior. Futurologia rasteira que serve apenas para sustentar a “cultura” da troca de treinadores como solução de problemas.

O Palmeiras fez ainda pior, interrompendo a montagem do time de Eduardo Baptista ainda na fase de grupos da Copa Libertadores, com o argumento da substituição preventiva que permitiria o alcance dos objetivos da temporada. A noção de “trocar antes que seja tarde” foi agravada na própria execução, pois a Cuca, em quem se projetou uma aura de salvador, foi entregue um elenco diferente do que ele escolheria se pudesse. Ainda mais equivocada é a conta time caro + técnico estabelecido = sucesso. No futebol não existem garantias e nem obrigações, duas suposições que estão distantes dos conceitos que efetivamente minimizam as chances de derrotas surpreendentes.

O uso do termo vexame também é inadequado, porque apenas fruto da análise financeira dos times em campo, apagando tudo o que torneios como a Libertadores sempre mostraram. Equipes em estágios iniciais de formação frequentemente são vítimas das expectativas que geram, e continuarão sendo até que tenham o tempo necessário para fazer valer a diferença de potencial sugerida pelos salários de seus jogadores. Comparar folhas de pagamento pode ser fútil do ponto de vista do que acontece em campo, como, por exemplo, o controle que os jogadores de meio de campo do Barcelona de Guaiaquil exerceram no Allianz Parque. Ou a inefetividade de Robinho.

Embora essa seja a leitura geral, o ano não acabou na quarta-feira para o Palmeiras e para o Atlético Mineiro. As dezenove rodadas do segundo turno do Campeonato Brasileiro apresentam a oportunidade de posicioná-los para a temporada de 2018, não apenas no que diz respeito a um lugar na próxima edição da Copa Libertadores, mas – o que é mais importante – como equipes no sentido coletivo do jogo que praticam. O problema é que a visão de quem toma decisões no futebol brasileiro não alcança nem mesmo essa distância, razão pela qual dirigentes insistem em declarações que simulam pulso firme para transmitir a impressão, falsa, de que sabem o que estão fazendo.

LEVE

É branda a suspensão de 120 dias imposta pelo STJD a Modesto Roma Júnior, presidente do Santos, pela acusação formal e nominal, sem provas, de interferência externa no jogo contra o Flamengo. A confissão do advogado do clube de que tudo foi feito sem a devida apuração revela um caso grave. A defesa do dirigente de que estava fora do Brasil evidentemente não pode isentá-lo de responsabilidade, mas deveria causar a punição dos outros participantes dessa demonstração de leviandade. Está claro que há mais envolvidos.



  • Plínio

    Sobre Palmeiras e Atlético MG assino embaixo de cada palavra sua. Quanto à punição que também considero branda ao presidente do Santos, claro que deve partir do interessado, mas isso não poderia passar sem um pedido de indenização por calúnia e danos morais. Era o que eu faria no lugar do Eric Faria, com o perdão pela pobreza do trocadilho.

  • Mauricio Kubik

    Outra questão que gostaria de colocar aqui é o famoso PROJETO que todos dizem existir num começo de temporada, o usam para fazer mudanças, mas que ninguém nunca viu em lugar nenhum. Pelo pouco que sei, num projeto envolvendo milhões de R$ o mínimo exigido é que isso fosse documentado e aprovado pelas pessoas necessárias (técnicos, gerentes, presidência, etc). Alguém já viu um projeto desses?

  • J.H

    Inexplicável a posição do Mauro Cezar Pereira com relação a equipe do Grêmio, Fiquei sem entender o que ele quis passar para os torcedores! Não era o que ele defendia quando o Flamengo estava na Libertadores! Por isonomia, deveria sugerir o mesmo para o time da Gávea para abandonar a Copa do Brasil e a Sulamericana e se concentrar no brasileiro. Só se alguma coisa o esteja incomodando com a classificação do momento do Brasileirão. Ainda faltam 18 rodadas.

MaisRecentes

Gracias



Continue Lendo

Abraçados



Continue Lendo

A diferença aumentou



Continue Lendo