Vertigem



1 – As dificuldades esperadas na visita do Barcelona de Guaiaquil eram a configuração padrão dos torneios sul-americanos de clubes: proteção da vantagem à base de boa defesa e procura dos espaços, futebol sem pressa, aposta no descontrole. Neste cenário, os clubes brasileiros geralmente precisam superar, em casa, adversários inferiores no aspecto técnico em partidas marcadas pela paciência e insistência.

2 – Mas o time equatoriano apresentou duas distinções em relação a esse tipo de encontro que se repete ano após ano: a ausência de qualquer brutalidade na marcação e a clara intenção de jogar, conforme seu plano, no Allianz Parque. Após um início de pressão que expôs a personalidade teatral do goleiro Banguera, o Barcelona passou a se mostrar à vontade diante do Palmeiras.

3 – Foi na altura dos 25 minutos que o jogo ficou favorável aos visitantes, também por causa da porção de gramado na faixa central em que podia trabalhar assim que recuperava a bola. Houve ao menos duas situações em que o Barcelona se moveu com velocidade e pressionou uma defesa desorganizada, gerando perigo como na conclusão de Caicedo, que passou ao lado do gol de Jailson.

4 – Má notícia ao final do primeiro tempo, com a necessidade de substituição de Mina por lesão. O zagueiro certamente faria falta no restante do jogo, embora o pecado maior do Palmeiras fosse o futebol apressado que facilitava a retomada do Barcelona, dinâmica agravada pela dificuldade de controlar os meias equatorianos.

5 – Defeitos que Cuca tentou corrigir no intervalo, fazendo Moisés entrar no lugar de Róger Guedes. Só uma atuação consciente seria capaz de, primeiro, empatar o confronto, para depois tentar vencê-lo.

6 – Em cinco minutos, uma jogada exuberante exemplificou a mudança. Moisés lançou Dudu do campo de defesa e se apresentou na área para a tabela. A finta seca em Caicedo preparou o chute do pé esquerdo que ficou tanto tempo sem tocar na bola, assinando o gol que celebrou seu retorno ao futebol.

7 – O gol foi um alívio e uma oportunidade. Diminuiu a sensação de urgência e deu fartura de tempo ao Palmeiras para construir o resultado que interessava.

8 – Jogo franco: uma bola na trave de cada lado, além de um gol de Deyverson corretamente anulado por impedimento e uma furada majestosa de Díaz dentro da área. Não haveria ordem ou calma, só vertigem e emoção.

9 – Edu Dracena viveu perigosamente ao puxar Álvez pela camisa dentro da área. O árbitro fez que não viu.

10 – Nos pênaltis, deu Barcelona. Os heroísmos de Moisés não foram suficientes.



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