O que vale para todos



Esqueçamos, por um momento, o conflito entre um áudio vazado e uma entrevista ao vivo, as contradições entre o que se diz e o que se faz, o efeito do champanhe – normalmente companheiro de celebrações – em uma relação que se rompeu muito antes do que o pior cenário possível indicava. 

O que importa no caso de Felipe Melo, do ponto de vista da tomada de decisões, é uma pergunta: o time do Palmeiras estará melhor posicionado para o restante da temporada com ou sem ele?

Apenas essa questão. Não significa que seja simples, mas não há nada além disso. 

E para encontrar a resposta, aquela que leva ao caminho que as pessoas que trabalham e torcem pelo Palmeiras entendem ser o correto, um aspecto é decisivo: a opinião dos outros jogadores. 

Ademais, para o contexto da cronologia das coisas, não se trata de como “o vestiário” reagirá ao afastamento de Felipe, pois essa situação representaria um momento tremendamente perigoso. 

Mais do que antipatias e demais sentimentos, trata-se do que “o vestiário” considerava justo. A posição coletiva está antes da ruptura, não depois. 

Existem vários códigos de conduta em equipes de trabalho como um time de futebol profissional. Aquelas que o clube impõe e as que estão em vigor desde que o esporte existe. 

 A noção de que todos devem ser tratados da mesma forma é ficcional. As quantidades de talento e investimento, a estatura interna, o currículo… muitas circunstâncias entram em ação no momento de decidir a respeito de qualquer problema. 

Mas há um limite entre o que é ou não é permitido, um limite que pode ser esticado aqui ou ali, mas vale para todos. 

Como a história da “revolta” interna de jogadores de um grande clube brasileiro, que estavam dispostos a concordar com um regime diferente de treinamento para uma estrela recém-contratada e sabiam que teriam de se sacrificar em campo por ela. Mas não aceitaram quando o astro apareceu para treinar alterado por um almoço regado a vinhos. 

“Correr por ele não tem problema, professor. Mas vinho no almoço a gente também quer tomar”, disse um deles ao técnico. 

Ficou resolvido que não aconteceria de novo (e não se repetiu), pois era o mais justo com todos. 

Aí está a linha. 

É verdade que Cuca tem um histórico de problemas de relacionamento, provavelmente mais longo do que se sabe. Mas é difícil acreditar que um técnico com tanta estrada correu o risco de contaminar o vestiário de seu time por uma resolução com a qual os demais jogadores não concordam. 

Felipe Melo foi afastado porque as vozes que comandam o elenco do Palmeiras deram o ok. 

Do contrário, ele seria reintegrado em algum momento. 

Ou, então, o ambiente no Palmeiras é mais problemático do que se imagina. 



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