A questão é o controle



Observação interessante de Fábio Carille, em entrevista após o jogo de ontem. O técnico do Corinthians entende que seu time esteve mais perto de ser derrotado pelo Cruzeiro (vitória por 1 x 0 em Itaquera, na sétima rodada) do que pelo Flamengo. 

Não há nenhum motivo para descartar a opinião de Carille, embora possamos estabelecer algumas diferenças entre as ocasiões, apenas porque tratar de futebol é o que nos une e nos satisfaz. 

O Cruzeiro realmente pressionou o líder do campeonato naquela noite de quarta-feira, no segundo tempo, quando fez Cássio trabalhar além do que gostaria. Mas o que separa aquele encontro do deste domingo é a dinâmica que o Flamengo conseguiu impor e o nível de risco que o Corinthians correu. 

Quando se fala a respeito de times que são capazes de determinar o andamento de jogos a partir de seu comportamento defensivo, é preciso lembrar de um aspecto importante. A repetição de resultados favoráveis obtidos com essa ideia gera conforto coletivo e a convicção de que, mantidos os níveis de concentração e desempenho, o time será competitivo diante de qualquer adversário. 

É um componente “italiano”, digamos assim, no sentido de não apenas encontrar uma postura na qual os jogadores acreditam, mas de alcançar um patamar de confiança em que se crê na vitória independentemente do que o oponente possa fazer. 

Em última análise, é uma questão de controle. 

O Corinthians está habituado a marcar com sua primeira linha acompanhando a altura da bola, e a retroceder, principalmente quando em vantagem, para liberar espaços. 

Esse plano tem três fases: atrair, suportar a surpreender. 

Contra o Cruzeiro, as duas primeiras etapas foram realizadas sem problemas, embora o volume ofensivo do time mineiro tenha sido notável. O objetivo final da estratégia – o segundo gol – não foi atingido, mas o Corinthians ameaçou em três oportunidades. 

Além da falta de presença corintiana no ataque, a principal distinção que se observou no jogo de ontem foi a quantidade de perigo gerada pelo Flamengo, e como ela se apresentou. 

A jogada que Diego poderia ter convertido no gol da virada provavelmente foi a única vez, em todo o campeonato, que o sistema defensivo do Corinthians foi superado por associação de passes, até a aparição de um adversário desmarcado diante de Cássio. Não é algo grave, levando em conta a qualidade do Flamengo, mas um sinal de algo que não se dá com frequência. 

Acima de tudo, ao contrário do que aconteceu contra o Cruzeiro, o jogo de ontem ficou descontrolado do ponto de vista do Corinthians, e essa é a impressão mais forte após um empate justo (sem esquecer o inexplicável impedimento que apagou o primeiro gol de Jô).

Para ser bem sucedida, a ideia de Carille depende da capacidade ofensiva do sistema com dois meias e dois laterais que sobem para articular, auxiliados pela movimentação de Romero e Jô. São eles os responsáveis pela terceira fase do plano. Diante do Cruzeiro, o Corinthians não teve Fágner e Rodriguinho. Neste domingo, atuou sem Jadson e Romero. 

Sim, outros titulares também estiveram ausentes, além da perda de Marquinhos Gabriel durante o encontro. Em campo no lugar de Pablo, Pedro Henrique cometeu um erro de posicionamento no gol de Réver. A televisão mostrou Arana fazendo o gesto de que o zagueiro deveria ter se adiantado. 

O que Carille tem feito até essa altura é digno de aplausos, e a queda de desempenho – precipitada pela falta de reposição em um elenco enxuto – é absolutamente normal. Mas o empate com o Flamengo nos contou mais sobre o campeão do primeiro turno do que a vitória sobre o Cruzeiro. 



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