Sofrido



1 – Uma das perguntas sobre o jogo foi respondida pela escalação e pela postura do Flamengo nos primeiros minutos. Com o talento habitual do meio de campo para a frente, o visitante em Itaquera mostrou que buscava sua melhor versão num encontro em que o controle seria fundamental.

2 – Isso era exatamente o que o Corinthians esperava, uma dinâmica que o líder está mais habituado a encontrar fora de casa, quando se defende e explora o posicionamento adiantado do adversário. O início da partida exibiu dois times à vontade em suas maneiras de atuar.

3 – Os conhecidos defeitos defensivos do Flamengo foram expostos na jogada em que Maycon foi lançado em projeção por Rodriguinho e fez o passe para Jô tocar para o gol. Todos os jogadores corintianos estavam habilitados, mas o gol foi anulado por um erro grosseiro da arbitragem.

4 – A vantagem do Corinthians não apareceu no placar da arena, mas, no gramado, o Flamengo claramente acusou o gol. Passou a atuar com receio, o que é grave para quem pretende construir e se impor com circulação.

5 – Em um passe interceptado por Balbuena, no campo de defesa, nasceu o gol de Jô que valeu. Ótima conexão entre zagueiro e atacante, em velocidade, com a zaga do Flamengo correndo de frente para a própria área. O chute cruzado de Jô deu a Diego Alves as boas vindas ao futebol brasileiro: 1 x 0.

6 – Em dezesseis rodadas do Campeonato Brasileiro, o Corinthians permitiu empates em quatro jogos (Chapecoense, São Paulo, Vasco e Atlético Paranaense), dos quais saiu vencedor em dois. Número de viradas: zero. No intervalo, perdendo em Itaquera, o Flamengo se viu diante de uma tarefa improvável.

7 – Em um escanteio cedido por falha de comunicação entre Cássio e os zagueiros (deve haver uma estatística da conversão desse tipo de lance em gols ou quase), Juan surgiu desmarcado para cabecear. A bola foi na direção do goleiro, mas, pela força, exigiu reflexo.

8 – Durante vinte minutos, só o Flamengo jogou. Domínio territorial e excesso de jogadas pelo alto que produziram pouco além da ocasião de Juan. Embora se deva considerar o recuo estratégico do Corinthians, Carille precisou injetar ameaça e colocou Pedrinho no jogo.

9 – Mas a insistência do Flamengo alcançou o empate em outro escanteio. Juan ajeitou de cabeça para o bonito voleio de Réver, habilitado no lance porque Pedro Henrique não se adiantou. Resultado condizente com o que o segundo tempo mostrava, com o líder, mais do que recuado, acuado em seu estádio.

10 – Diego desperdiçou a virada, ao final de uma ótima associação com Guerrero, Willian Arão e Berrío. Foi a única vez no jogo que o Flamengo envolveu a defesa do Corinthians trocando passes, o tipo de lance que a qualidade dos jogadores do time de Zé Ricardo sugere que deveria acontecer com mais frequência.

11 – A sorte também ajudou Cássio quando Pedro Henrique tentou cortar um cruzamento e mandou a bola no travessão.

12 – O Corinthians só teve um momento na segunda parte do jogo, período em que, além de não conseguir competir como de hábito, pareceu cansado e enfraquecido pela ausência de titulares: outro chute cruzado de Jô, já no final, desviado por Diego Alves para escanteio.

13 – O ponto somado talvez não ajude muito o Flamengo, mas o desempenho após o intervalo certamente mostrou um caminho. Em nenhuma outra partida deste campeonato o Corinthians foi tão pressionado, o que dá a medida da atuação coletiva do adversário.

SURPREENDENTE

Felipe Melo foi contratado para ser um líder, um símbolo, uma referência. A incompatibilidade com Cuca, o segundo técnico do Palmeiras na temporada, mostra como as narrativas do futebol são efêmeras. Seja qual for o motivo da ruptura, não se imaginava que o futebol de Felipe pudesse ser dispensado. Diante do tamanho do investimento e da forma como ele foi apresentado, é surpreendente que não se tenha encontrado uma forma de utilizá-lo.



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