Matadouro



Corinthians, Grêmio, Botafogo e Fluminense são os únicos clubes da Série A em que a esquizofrenia da troca de técnicos não se instalou em 2017, e talvez fosse conveniente, apenas por segurança, incluir um “ainda” nesta sentença. Nos casos dos dois primeiros, Fábio Carille e Renato Portaluppi comandam campanhas elogiáveis e desfrutam da sustentação dos resultados. Jair tem conseguido manter o time em um nível de desempenho acima do que o elenco sugere, enquanto parece consenso que exigir de Abel muito mais do que sua equipe tem feito não é razoável.

No Flamengo, Zé Ricardo já esteve por um fio em ao menos duas ocasiões, e, infelizmente, não há motivos para crer que a impaciência não voltará a ameaçá-lo. O Palmeiras demitiu Eduardo Baptista em maio, mesmo com a classificação na fase de grupos da Libertadores praticamente assegurada. O Santos dispensou Dorival Júnior em junho, embora ele tivesse um aproveitamento acima de 64% na direção do time. O Vasco devolveu Cristóvão Borges ao mercado em março. Roger Machado administra pressões no Atlético Mineiro desde o início da temporada, suavizadas pela conquista do campeonato estadual.

O Coritiba foi o primeiro a sucumbir, mostrando a porta a Paulo César Carpegiani em fevereiro, após a eliminação na Copa do Brasil. O mesmo aconteceu com Felipe Moreira na Ponte Preta, no mês seguinte. Em maio, o Sport encerrou o trabalho de menos de sessenta dias de Ney Franco. Mano Menezes ainda não teve quinze dias corridos de sossego no Cruzeiro, e a derrota no clássico mineiro voltou a acordar os movimentos de sempre. Imagina-se que o Atlético Paranaense seja um ambiente diferente, mas o “fora Eduardo” pôde ser ouvido com clareza na noite de ontem, na Vila Capanema, durante a derrota para o Santos.

Até a Chapecoense, de quem poderia se esperar uma condução um pouco mais racional em virtude da tragédia de novembro passado, não resistiu: Vágner Mancini perdeu o emprego anteontem. O Bahia está em uma situação particular, por ter perdido Guto Ferreira por decisão do próprio, mas a proximidade da zona do rebaixamento obviamente é um problema para Jorginho. Na segunda-feira, o São Paulo mandou seu maior ídolo para casa após seis meses e vários jogadores negociados, mas o presidente Leco quer que você acredite que não tem responsabilidade nenhuma. O Vitória dispensou Argel Fucks em maio.

Claudinei Oliveira chegou ao Avaí em agosto de 2016, e talvez não estivesse mais trabalhando não fosse a vitória sobre o Botafogo, na décima rodada. Encerrando a lista, o Atlético Goianiense mandou Marcelo Cabo embora no mês passado. Vai piorar, ainda é julho.



  • Gustavo Favaro

    Eu gostaria de saber as razões que levam os clubes a continuar com esse comportamento. A sensação que tenho é que o primeiro grande clube que inaugurar o planejamento de longo prazo (o que inclui a manutenção dos técnicos no cargo e dos jogadores no time) vai nadar de braçada por alguns anos.

    • Antonio Carlos Syqueira

      A própria mídia esportiva muitas vezes buscam chifres na cabeça de cavalo, vide o caso do Zé Ricardo que mesmo com os números abaixo sempre na primeira oportunidade os programas esportivos colocam em dúvida sua capacidade de treinador
      81 jogos São 47V 22E 12D, 67,07% de aproveitamento
      ATAQUE 137 gols DEFESA 69 gols SALDO 68 gols
      Em 2017 42 jogos São 26V 12E 4D, 71,42% de aproveitamento
      Flamengo 1° melhor Total de pontos ganhos – 90
      Flamengo 2° melhor ataque – 81
      Flamengo 1° melhor saldo – 51
      Flamengo 1°em n° de vitória – 26
      Flamengo 2° em n° de derrota – 4
      Flamengo 4a melhor defesa- 30

      • André Kfouri

        A “mídia esportiva” não existe.

        • Antonio Carlos Syqueira

          Está bem, André.
          Alguns comentaristas esportivos de Fox Sports, ESPN, BAND, SPORTV.
          Alguns debatedores deveriam ao menos ver as entrevistas coletivas dos treinadores antes de fazerem críticas, como se os mesmos nas suas coletivas não reconhecessem que o trabalho deve ser constante para melhorar os fundamentos, as performances que nada é feito do dia para noite.
          Há muitos comentários imediatistas, como em 12 rodadas dizer que o Corinthians já é campeão. Utilizando a frase de alguns comentaristas em relação a treinadores e jogadores, posso dizer, que esses comentaristas ganham muito bem para ter ter esse tipo de opinião. Futebol não é uma estatística matemática, não tem fórmula. Em 2009, o Flamengo ocupava o 10º lugar ao final do primeiro turno e Flamengo terminou a 21ª rodada na 14ª colocação, 13 pontos atrás do líder Palmeiras. 21ª rodada a 13 pontos atrás do líder, hoje na 12ª rodada temos o Palmeiras a 13 pontos atrás do líder. O Palmeiras de hoje tem o time e o treinador melhor que o do Flamengo de 2009.

          Abraços

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