Jô és ley



1 – De todos os problemas apresentados por visitantes a Itaquera, o Botafogo trouxe o pacote mais perigoso. A marcação baixa determinada por Jair Ventura comprimiu o campo de defesa e obrigou o Corinthians a trabalhar diante de um bloco de jogadores vestidos de preto. E cada passe interceptado era um contragolpe em potencial.

2 – Um teste duplo para o líder, instalado no campo oposto desde o primeiro minuto: desgastar a parede até perfurá-la, sustentando o posicionamento organizado que permite a recuperação rápida da bola e a proteção do passe longo.

3 – A exemplo do que o Corinthians faz quando atua fora de casa, o Botafogo se mostrou confortável ao se defender com todos os jogadores. Comportamento de equipe treinada mesmo com escalação diferente e – um traço evidente desde o início da temporada – disposta a jogar próxima ao limite de sua capacidade. Pura competição.

4 – Na altura da meia hora de jogo, o Corinthians teve a bola por 73% do tempo, mas nenhuma finalização certa na direção do gol de Gatito Fernández. Em encontros dessa natureza, a exigência de concentração é semelhante para os dois lados. Um time procura se ordenar com a bola; o outro, sem ela. Ninguém pode errar.

5 – O Botafogo ameaçou aos trinta e cinco minutos, com a aparição de Bruno Silva pelo lado direito. Bom passe para a conclusão de João Paulo para fora. No desenho de Jair Ventura, uma vitória do Botafogo em Itaquera passava pelo aproveitamento de jogadas como essa.

6 – No intervalo, eis o número de defesas de Cássio e Gatito:

7 – O Corinthians fez uma blitz inicial no segundo tempo, forçando o goleiro do Botafogo a interferir em três ocasiões. A primeira, em um chute de Rodriguinho que teve força, mas não a melhor direção.

8 – Um grave erro de arbitragem colocou o jogo sob risco de contaminação. Marcelo fez falta em Arana fora da área, mas Rodolpho Marques marcou pênalti. Para a sorte dele, Gatito defendeu a cobrança de Jô e protegeu o resultado da interferência do apito.

9 – Lembrete: a falta aconteceu, no mínimo, um passo fora da grande área. Os críticos do árbitro assistente de vídeo certamente consideram que esse tipo de falha “é coisa do jogo”.

10 – A entrada de Marquinhos Gabriel incrementou a circulação do Corinthians, que cercou a área botafoguense em uma pressão intensa. A bola ficou confinada não apenas ao campo, mas à intermediária do time carioca. Um exercício de ataque contra defesa, porém sem gol.

11 – A posição recuada da última linha do Botafogo era perigosa, mas dificultava a jogada pela lateral da área. Não é possível criar profundidade quando o movimento de ataque já está tão perto do limite do campo.

12 – A não ser no caso de uma jogada individual com a de Pedrinho, segundos após entrar no jogo: matada no peito, lençol em João Paulo, outra no peito, projeção contra o marcador e passe para trás. Gatito, enorme, defendeu dois chutes antes de Jô marcar um gol pelo qual o Corinthians teve de trabalhar muito.

13 – Pedrinho é privilegiado no aspecto técnico, mas fisicamente frágil para as demandas do futebol de alto nível. O Corinthians o imagina um jogador com capacidade para desequilibrar partidas. Este domingo serve como ilustração.

14 – Vitória merecida, especialmente considerando um segundo tempo em que só houve jogo em metade do gramado. O brilho particular de um jovem meia foi definitivo para que o Corinthians extraísse três pontos em sua casa.

TEMPO

O Flamengo cresce e caminha para o nível de desempenho coletivo que a qualidade de seus jogadores pressupõe. Nada acontece antes do tempo no futebol, como comprova a manutenção de Zé Ricardo no comando do time. Uma mudança de rumo no momento de crise teria sido um tremendo equívoco.

NO FUNDO

São Paulo no Z-4: resultado do desmantelamento do time pela política de negociação de jogadores do clube. E quem não tomou essas decisões terá de resolver o problema.



  • Paulo Pinheiro

    Oi, André.

    Você acha que o Corinthians pode ainda neste campeonato oscilar o suficiente pra ser ameaçado por Flamengo e Palmeiras?

    • André Kfouri

      A possibilidade de um time manter esse nível de aproveitamento por 38 jogos não é razoável. A questão passa a ser matemática.

      • Edouard

        Além disso (porque me parece evidente mesmo que nunca mais teremos um campeão invicto, ou com 88% de aproveitamento), com apenas 11 rodadas completas, o Corinthians tem ainda dois jogos contra Flamengo e contra Palmeiras, adversários mencionados na pergunta do Paulo. Um abraço.

  • LCTP

    O Botafogo jogou com 5 reservas, por priorizar a Libertadores.

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