Indecifrado



1 – Natural domínio inicial do Grêmio, o time mais confiante do futebol brasileiro, que se empenha em condicionar jogos independentemente do local e do adversário. Não se esperaria outro comportamento, em casa e com maciço apoio popular, na partida que vale a liderança do campeonato.

2 – Mesmo sob ameaça e com dificuldade para afastar o jogo de sua própria área, o Corinthians não se desconcentra ou comete o equívoco de abandonar sua maneira de atuar. Prova de compostura de uma equipe confortável ao se defender, que não se deixa levar pela presunção.

3 – Paulo Roberto por pouco não converte em gol uma bola recuperada na intermediária. Após iludir dois marcadores, ele aparece diante de Grohe, que desvia o chute cruzado e salva o Grêmio. A jogada exemplifica a punição ao erro do oponente em uma região sensível do gramado, algo básico no futebol de hoje.

4 – Geromel quase marca, acionado por Luan em jogada ensaiada de escanteio. Desmarcado e habilitado para finalizar, o zagueiro desvia a bola na pequena área e lamenta a grande oportunidade perdida. É o tipo de ocasião que a defesa do Corinthians não pode tolerar.

5 – O primeiro tempo chega ao final de forma a satisfazer os dois times. O Grêmio, pela iniciativa, o volume e a pouca exposição. O Corinthians, pela solidez, a concentração e o controle. Bom jogo, compatível com o que se imaginava que Grêmio e Corinthians apresentariam, cada um de acordo com suas características e ideias.

6 – O Corinthians faz o primeiro estrago, aos seis minutos da segunda parte. Nova aparição de Paulo Roberto na área gremista, com leve colaboração de Luan ao tentar desarmá-lo e facilitar sua projeção. O passe para trás chega a Jadson (corta-luz ou falha no domínio de Jô?), que bate rasteiro. A bola passa entre as pernas de Grohe antes de entrar.

7 – Gol de Cássio, ao negar a Luan o empate que a Arena já gritava. A conclusão do jovem astro gremista poderia ter sido mais bem colocada, mas foi praticamente à queima-roupa, sobre a linha da pequena área. Grande defesa, ao final de um ótimo movimento ofensivo do Grêmio.

8 – O encontro entra em um período de testes para a capacidade de elaboração do Grêmio (alterado duas vezes por Renato Portaluppi, sempre para frente), contra um sistema defensivo que parece ter gelo nas veias. E ao invés de retroceder para atrair, o Corinthians opta por marcar mais adiante do que fazia antes de ficar em vantagem.

9 – Uma irresponsabilidade de Marquinhos Gabriel abre a porta para o empate. Não há como explicar o puxão na camisa de Geromel em uma cobrança de escanteio, à frente do árbitro, com a defesa posicionada. Pênalti bem marcado, mal cobrado por Luan e defendido por Cássio, caindo para o canto direito sem precisar se esticar.

10 – A atuação decisiva do goleiro corintiano ainda teria a defesa de um chute de Fernández, nos acréscimos, quando o Grêmio era só pressão. A primeira vitória do Corinthians na Arena tem as impressões digitais de Cássio.

11 – Num encontro em que qualquer resultado seria normal, a vitória do visitante talvez fosse o placar em que menos se apostasse. Muito mais pela campanha e pelas qualidades do time de Portaluppi do que por qualquer outra razão. O que se viu foi mais uma resposta de um time que ainda não foi decifrado na temporada, especialmente fora de casa.

12 – O Corinthians evolui de forma semelhante às declarações públicas de seu treinador. No início, exageradamente tímidas, defensivas, reticentes até. Aos poucos, surgiu uma personalidade sóbria, controlada, em que se notava a valorização da simplicidade. Hoje se percebe a ambição para continuar crescendo, mas sem vaidades ou distrações.

13 – Necessário registrar: elogiável tarde de Wilton Pereira Sampaio, na condução de um jogo que poderia ter sido muito mais complicado para a arbitragem.



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