Fake



A “nova Conmebol”, siamesa da “nova Fifa” e, claro, da “nova CBF”, tem planos arrojados para Copa Libertadores do ano que vem: a final em jogo único e local pré-estabelecido, como apoteose do futebol sul-americano em um evento feito aos moldes da decisão da Liga dos Campeões da Uefa. Alejandro Domínguez, presidente da entidade com sede em Assunção, no Paraguai, advogou em nome da ideia na reunião da comissão de clubes, nesta semana. Trata-se de um terrível equívoco.

“O dinheiro nunca mais será o fim. O futebol será o fim”, declarou Domínguez, ao discursar antes do sorteio das próximas fases dos torneios de clubes da Conmebol. Lida como um slogan, a frase certamente representa uma passagem de eras na entidade que se especializou em apresentar dirigentes corruptos ao mundo. Se Domínguez planeja evitar o destino de seus antecessores enrascados com a Justiça, precisará converter o que diz em prática para ter a mínima chance de estabelecer alguma credibilidade. 

É uma empreitada arriscada e não começou bem. Outra frase palpitante proferida no mesmo discurso revelou com quem Domínguez estava realmente falando na noite de quarta-feira: “Por trás de todo grande jogador houve um grande dirigente”, afirmou, diante do creme do creme da classe dirigente do continente. Ao massagear a vaidade de cartolas com uma inverdade que não merece discussão, o presidente da Conmebol pavimentou o caminho para conseguir apoio dos clubes para sua versão do Super Bowl.

O verdadeiro problema de uma final de Libertadores em jogo único é a incompatibilidade com o restante do torneio. As distâncias culturais em relação à forma como se vive o futebol na Europa, incluída aí a facilidade de transporte entre países, assim como a oferta de estádios que podem abrigar uma grande festa, são argumentos que devem ser considerados, mas não impedimentos. A questão é o raciocínio ao contrário que caracteriza os políticos do esporte aqui nesta parte do mundo. A final da Champions é o baile de gala que encerra uma competição elogiável em diversos aspectos. Na Libertadores, seria como passar o Natal de BMW zero após dirigir uma Parati durante o ano inteiro.

A Conmebol não deveria imitar o último jogo da Liga dos Campeões, mas todos os anteriores. A Copa Libertadores continua sendo um torneio notabilizado por defeitos estruturais que resistem ao passar do tempo, em que a falta de segurança a torcedores e jogadores é relevada – quando não é admirada por quem a enxerga como uma “característica” a ser preservada – e as arbitragens comprometedoras são a norma. Conduzir a competição nesses termos a uma celebração completamente desconectada, apenas como cópia do que se faz na Europa, é um despropósito que desvia o foco do que é mais importante.

A sondagem feita por Alejandro Domínguez mostrou aceitação dos clubes, o que não surpreende. Fala-se no Maracanã como provável sede de uma decisão em partida única em 2018, mas também se cogita realizar a finalíssima em Miami. Calcule o que isso significaria para os torcedores de um clube brasileiro, após acompanharem seu time de perto durante todo o torneio. Enquanto a Libertadores não justificar um encerramento glorioso, o título disputado nas casas dos finalistas é o modelo a ser mantido. Pode não ter tanto glamour, mas ao menos não é fake.

GRÊMIO

Entre os times que despertavam maior interesse para esta temporada, o Grêmio não é apenas o único a exibir o desempenho que se antecipava. Além dos gaúchos, não há outra equipe que esteja disputando a Copa Libertadores e apareça entre os dez primeiros colocados do Campeonato Brasileiro. E duas delas, os Atléticos, habitam a zona do rebaixamento após sete rodadas completas. O cenário não apenas evidencia a competência do Grêmio e os defeitos dos demais, mas reforça a complexidade do Brasileirão. Muito cedo para qualquer prognóstico.



  • Alisson Rodrigues

    Ué, o santos tá na libertadores, na copa do Brasil e em 5º no brasileiro

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