Evoluindo



1 – Uma das histórias pré-jogo era como o “time que não propõe” lidaria com um clássico em casa, algo que a vitória corintiana sobre o Santos já tinha sugerido. Imaginando um adversário disposto a dar as cartas, o São Paulo poderia optar por marcar mais atrás e convidar o dono da Arena a jogar. Assim foi.

2 – A escolha de Ceni por jogadores altos na defesa mirava limitar o trabalho de Jô e investir na bola parada ofensiva. Como toda estratégia no futebol, uma proposta que apresenta soluções e problemas. Não existe plano de jogo perfeito, mesmo quando as decisões fazem sentido.

3 – Ocorre que o Corinthians não é mais “apenas um time de contra-ataque”, como os movimentos iniciais do jogo provaram. A bola de Marquinhos Gabriel para a infiltração de Romero em diagonal congelou a zaga são-paulina, e o paraguaio finalizou o lance como o artilheiro do estádio, agora com vinte comemorações: 1 x 0.

4 – De Jadson para Marquinhos Gabriel, lance igual ao do gol, só que do lado invertido. Marquinhos preferiu tentar o passe e a jogada não frutificou, o que não isenta o comportamento passivo dos zagueiros do São Paulo em duas ocasiões seguidas. Impressão de surpresa e dúvidas de posicionamento.

5 – Clássico empatado em uma cobrança de falta que enganou a defesa do Corinthians. A posição central indicava o lançamento para um dos lados da área e o toque para o centro, mas Júnior Tavares alçou a bola para Gilberto, na marca do pênalti. O desvio, de costas, deixou Cássio sem ação.

6 – Foi o terceiro gol consecutivo que o Corinthians sofreu pelo alto, somado aos dois no jogo contra o Vasco. A imagem de cima mostrou que Gilberto estava levemente impedido, no tipo de lance impossível de ser detectado pelo assistente (muitos jogadores alinhados, visão comprometida). Em um futebol com aplicação do árbitro de vídeo, o gol seria anulado.

7 – O placar não era compatível com a produção de cada time, mas o futebol é o que é porque nem sempre premia intenções. Sem a fluência da meia hora inicial ou a mesma frequência de chances, o Corinthians seguia em controle e mais agressivo.

8 – No final do primeiro tempo, dois erros proporcionaram o segundo gol do Corinthians: a falha de Maicon no passe em uma região crítica do gramado, e a tentativa de Douglas de deixar Jô em impedimento enquanto o atacante, acionado por Romero, estava no campo de defesa. O rebote do chute de Jô ofereceu o gol a Gabriel: 2 x 1.

9 – O movimento que originou o pênalti de Douglas em Jô – convertido por Jadson – é o sinal evidente de uma equipe em evolução. Rápida sequência de passes que desordenaram a defesa rival e geraram o um contra um dentro da área. Aproximação, sincronia, velocidade, absoluta imposição de um time sobre outro.

10 – Ángel Romero: um gol e participação nos outros dois. Substituído aos 37 minutos do segundo tempo, sob ruidosos aplausos.

11 – Boa participação de Marcinho, jogador inteligente e talentoso, para viabilizar o cruzamento de Júnior Tavares e o gol de Wellington Nem. O 3 x 2 aos 38 minutos alterou completamente a dinâmica do final do jogo, quando o ímpeto do time de Ceni levou o dono da casa a se sentir pressionado.

12 – Mesmo com fartos espaços e o contragolpe à disposição, o Corinthians só construiu uma oportunidade, quando Renan pegou um chute fraco de Jadson.

13 – Enquanto conduz o time nos passos adiante em busca de maior produção ofensiva, uma necessidade, Carille certamente já percebeu a dificuldade que o Corinthians tem para “colocar jogos para dormir”. É uma questão de ser eficiente quando em vantagem, mas também um traço de uma equipe que acredita em sua capacidade de se defender. Nas últimas duas rodadas, marcou oito gols e sofreu quatro.

14 – Atuação ruim do São Paulo, que não foi capaz de fazer quase nada do que se propôs. 



  • J.H

    A comentar o lance do gol do Gilberto, tratado pela mídia como “normal”, “pouco impedido”, “difícil marcação”. Chega a espantar os comentários diferentes no caso do gol anulado do Romero em jogo anterior, onde nas imagens das câmaras foi apontado a distancia de meio pé à frente. Aquele bandeira deveria ser canonizado.

    • Julia Posey

      De fato, apesar de ser lance difícil, pouco se viu a imprensa comentar. Foi tratado com normalidade. Ah se o gol tivesse sido alvinegro…a manchete seria: “Corinthians vence com gol impedido”. Apesar de não gostar de entrar no mérito de arbitragem, a verdade é que institucionalizou-se a crença de que ‘contra o Corinthians tudo pode, tudo é válido’. Depois que um pseudo apresentador começou com essa história de ‘apito amigo’, a coisa piorou. É como se o time não precisasse se preocupar em entrar em campo pq a arbitragem já faz o restante. rs. Bem lembrado esse lance do gol do Romero. Ontem o Gilberto estava impedido, ano passado contra o Flamengo o Guerrero idem…e assim vai indo… Incrível é o silêncio dos comentaristas qdo isso acontece, pq, afinal, foi contra o Corinthians, então tudo é permitido……

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