No mesmo lugar 



Seria cômico se, ao final de uma dessas entrevistas coletivas em que os temas passam a ser a cor da calça e urgências semelhantes, Cuca revelasse que o verdadeiro motivo de seu afastamento em dezembro passado foi dar um chapéu no Campeonato Paulista: saltar o trecho do calendário que atrapalha a vida da maioria dos técnicos e retornar ao trabalho no início do Campeonato Brasileiro, com a passagem de fase na Copa Libertadores praticamente assegurada e um time que tem muito a crescer.

Sabe-se que a ideia não era essa e, não, troll, aqui não se pretende suspeitar das razões pessoais de Cuca. É apenas uma licença para constatar, com leveza, que, se a estratégia fosse eliminar o estadual e se envolver apenas com a parte nobre da temporada, teria sido um plano brilhante. Férias não remuneradas até maio, chamado quase que unânime para reassumir o Palmeiras, recepção com clima de solução para todos os problemas. Nem os roteiristas de “House of Cards” pensariam em um movimento tão magistral.

As diferenças em relação ao ano passado são gritantes. Cuca substituiu Marcelo Oliveira em março, quando a distância entre o potencial dos jogadores disponíveis e o time que se via em ação era grande e a eliminação na Libertadores, irreversível. Exceto o sofrimento inicial, o ano transcorreu com poucas passagens tensas até a conquista do título brasileiro, o primeiro do Palmeiras desde 1994. A decisão de não prosseguir gerou um problema para o clube e para o técnico que estivesse em seu lugar, especialmente alguém que ainda precisa escrever sua história com letras maiores, como Eduardo Baptista.

Já o Palmeiras que Cuca reencontrou na semana passada é um clube que lida com a exigência de sucesso que o próprio Cuca ajudou a criar. Provavelmente não há outro técnico mais indicado para a posição, pois, além da imagem associada ao torcedor, ele volta a dirigir os mesmos jogadores que conduziu ao troféu, reforçados pelas contratações feitas para esta temporada. Não haverá um período de adaptação mútua ou dificuldades para moldar a equipe conforme seus desejos. Sem falar que o cenário no torneio sul-americano é muito melhor. De certo modo, é como se Cuca jamais tivesse deixado o Palmeiras.

A estreia no Campeonato Brasileiro reforçou essa sensação. Cuca recebeu tratamento de jogador predileto no Allianz Parque antes do encontro com o Vasco, cujas carências constituíram a situação ideal para que o Palmeiras iniciasse a defesa de seu título com notas positivas. E provavelmente não foi por acaso que Dudu e Tchê Tchê, destaques do ano passado, tenham feito boas atuações na goleada por 4 x 0, que ainda veio com o bônus de dois gols marcados por Borja, ansioso por melhores momentos. No clube em que a demanda por vitórias está no nível mais alto do país, o campeonato começou de forma a temporariamente saciar o monstro.

COMEÇOU

A maravilha do Campeonato Brasileiro: unir a paixão do torcedor por seu clube em uma decisão a cada rodada à oferta de opções para aqueles que querem apreciar partidas atraentes. Um prato sempre cheio para quem só se interessa pelo próprio time e para quem gosta de futebol pela televisão. Após meses de torneios estaduais esticados a um tamanho muito além do que merecem, é notável a diferença de expectativa na primeira rodada do Brasileirão. É fundamental que esse nível de interesse seja mantido, o que só será possível com organização de primeira classe para cultivar o produto mais importante do futebol no país, cuja relevância no aspecto esportivo deveria estar acima da Copa Libertadores.

DISTÂNCIA

Em campo, e à esta altura, Palmeiras, Flamengo e Atlético Mineiro parecem à frente da concorrência. O Brasileirão é uma maratona, mas investimento e elenco forte geralmente fazem diferença em campeonatos de pontos corridos.



  • nilton

    Continuo achando que há dois nó no nosso calendário, Libertadores/Sul Americana e os Estaduais, Se a Libertadores e a Sul Americanas forem disputadas na mesma semana e ocupando apenas 20 “datas” 4 na Fase pre, 6 na Frase de Grupo, 4 na Oitavas, 2 na Quarta/Semi/Final como é na Europa (com exceção da Final) metade dos problemas de data esta resolvido. A outra metade chamada de Estadual é meio complicada já que a mesma serve para indicar os representantes na Serie-D, minha sugestão seria reduzir o Brasileirão A e B de 20 para 16 Times (redução de 8 “datas”) sendo jogados ao Fim de Semana entre Fevereiro a Novembro com as paradas para atender a Seleção (como é na Europa e não esta farsa que a CBF montou), aumentaria a Serie C para 40 times “mantendo” o formato de hoje (4 grupos de 10 e 26 datas), aumentaria a Serie D para 80 times (8 grupos de 10 e 28 datas). E colocaria a Copa do Brasil e Estaduais (no sistema mata-mata ou até mesmo no mata-jogo único) nas data que sobrasse.

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