Outro mundo



1 – A Ponte Preta inicia o jogo com mais posse e mais iniciativa, como qualquer time que amarga o saldo de menos três está obrigado a fazer. Como consequência direta, o Corinthians prepara o contragolpe dentro de seu próprio estádio, um cenário que não se repetirá com frequência.

2 – Minuto 16: em 13 de outubro de 1977, Rui Rei foi expulso pelo árbitro Dulcídio Wanderley Boschilia à esta altura, deixando a Ponte em inferioridade numérica no Morumbi. Quase quarenta anos depois, em Itaquera, o 0 x 0 é o mesmo, mas com igualdade de forças.

3 – Se bem que Pablo correu sério risco de ver um cartão vermelho por uma falta excessivamente bruta sobre Nino Paraíba.

4 – Dinâmica esperada. A Ponte não encontra campo para jogar quando se aproxima da área de Cássio, recorrendo a bolas aéreas que apenas mantêm o goleiro corintiano aquecido. O Corinthians exibe o que pretende com o centro de Jadson para Romero e o chute de Maycon, na trave, lance que resultou de um erro na saída do time de Campinas.

5 – Minuto 39: Geraldão quase marcou para o Corinthians em 1977, após cruzamento de Vaguinho. Jô deveria ter marcado para o Corinthians em 2017, após cruzamento de Fagner.

6 – A decisão chega ao intervalo com o mesmo 0 x 0 que interessava ao Corinthians há quatro décadas (mais a prorrogação, embora houvesse uma discussão sobre interpretação do regulamento), mas com um significado radicalmente diferente. O time dirigido por Oswaldo Brandão não tinha o conforto de poder sofrer dois gols e ainda assim ser campeão. À época, ser corintiano era um exercício de dúvida permanente.

7 – Naturalmente lembrada nos últimos dias, a escalação do Corinthians campeão após vinte e três anos tinha Moisés na zaga. A deste domingo também teve um, o lateral-esquerdo reserva. É a única coincidência de nomes entre todos os envolvidos nos dois times.

8 – Em outro passe interceptado no campo de defesa da Ponte, Fagner faz a bola chegar a Jadson, que encontra Romero, desmarcado. Ele perde o gol, mas o reencontra no rebote de Aranha, estabelecendo o placar que estava evidente desde a metade do primeiro tempo.

9 – Ravanelli, de fora da área, manda um chute no travessão quando o segundo tempo já passa da meia hora. Principal ocasião da Ponte Preta em toda a tarde.

10 – Minuto 36: o instante do “gol da libertação” de Basílio, em 1977. A partir dele não houve mais jogo no Morumbi, dominado por um transe coletivo que só quem lá esteve tem alguma possibilidade de explicar. Em Itaquera, Pablo cabeceia por cima do gol de Aranha.

11 – A Ponte Preta empata com Marllon, completando o cruzamento de Ravanelli. Gol que premia uma atuação séria, diante de uma tarefa quase impossível.

12 – Oscar e Geraldão se desentenderam e foram expulsos por Boschilia, pouco antes do apito final, naquela noite de quinta-feira. Neste domingo, não houve motivo para algo semelhante até o árbitro Leandro Marinho encerrar o Campeonato Paulista, com o mesmo vencedor. Então, eram dezesseis títulos. Agora são vinte e oito.

13 – Parabéns ao Corinthians e aos corintianos, que devem saber compreender o significado de conquistar o campeonato estadual em 2017. Em 1977, o mundo era outro.

BR-17

Vem aí o Campeonato Brasileiro, principal competição do futebol no país, momento para o qual os estaduais deveriam servir como preparação. Por formato e nível de exigência, é o exame que revela a verdade a respeito de todos os participantes, cada um com suas ambições e limitações. Provavelmente é um exagero dizer que se trata de um dos “melhores campeonatos do mundo”, por diversos motivos, mas é fato que em nenhum outro país existem tantos confrontos entre times do mesmo nível. Apesar dos avanços dos últimos anos, ainda é necessário que o padrão de organização esteja à altura da qualidade dos times, e que o árbitro de vídeo seja implantado o quanto antes.



MaisRecentes

Abraçados



Continue Lendo

A diferença aumentou



Continue Lendo

Sabotagem



Continue Lendo