Protagonista



Provavelmente foi Sid Lowe, jornalista inglês radicado na Espanha, quem primeiro se referiu a Daniel Alves como o jogador que “seria o melhor lateral-direito do mundo, se, de fato, fosse um lateral”. A descrição, precisa, foi feita na época em que Daniel jogava no Barcelona, onde a nomenclatura formal de sua posição guardava pouca relação com seu papel no funcionamento do time: disfarçado de lateral, ele era um atacante pela direita, região do gramado em que atormentava os adversários em associações com Messi.

Antes de assinar seu último contrato com o clube catalão, Daniel esteve a um telefonema de deixar o clube e a cidade onde foi mais feliz. A oferta de renovação não o agradava no que dizia respeito ao tempo do vínculo e cláusulas de remuneração por metas, algo que ele compreensivelmente entendeu como demonstração de pouca fé por parte de quem deveria conhecê-lo. A temporada 2014-2015 terminou com três títulos e, na celebração com a torcida, Daniel deixou claro que queria ficar. O clube lhe apresentou um compromisso de dois anos, mas apenas depois da punição da Uefa que o proibia de contratar.

Quando aceitou a proposta, Daniel já tinha decidido que aquelas seriam suas temporadas finais no Barcelona e orientado seus representantes a encontrar um novo clube. A Juventus não só significava a oportunidade de seguir jogando em um time de elite, como também de mostrar aos dirigentes catalães que haviam cometido um grave equívoco. Uma fratura na fíbula da perna esquerda durante um jogo do campeonato italiano, em novembro de 2016, pode até ter levantado dúvidas sobre a sequência da carreira de Daniel como protagonista. Cinco meses depois, seu futebol tratou de afastá-las.

As duas assistências para Higuaín na vitória da Juventus sobre o Mônaco são apenas os elementos mais recentes, e mais visíveis, da capacidade de adaptação de um jogador formidável. A transição de “falso atacante” do Barcelona para lateral-direito em um clube italiano não é tarefa para qualquer um, além de exigir notável dose de humildade de um futebolista consagrado como Daniel. Para encontrar seu território em um prodígio do controle espacial e da excelência defensiva, ele precisou esperar e observar. Como meia pela direita no jogo de ontem, pôde retomar a personalidade criativa que sempre o caracterizou.

Os dirigentes do Barcelona acompanham a Juventus, time que os eliminou da Liga dos Campeões, pavimentar seu caminho para a decisão. E lidam de maneira estranha com uma sensação que conhecem bem: os passes de Daniel Alves para gols de um atacante argentino. Certamente estão convencidos.



  • Gustavo Favaro

    1) “A transição de ‘falso atacante’… caracterizou”. Tipo de coisa que a maior parte dos outros comentaristas não chega perto de perceber.
    2) O Daniel Alves há vários anos me parece subestimado. Não que receba poucos elogios, mas recebe menos reconhecimento do que merece.

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