Classificado



1 – A Copa do Brasil deixou lições. Para o São Paulo, a necessidade de abrir o campo e articular por dentro que deu resultado no Mineirão, aliada à maior intensidade para recuperação após a perda da bola. Para o Corinthians, o risco do cálculo matemático aplicado ao futebol, em situações de administração de vantagem.

2 – O chute cruzado e perigoso de Lucas Pratto simboliza a maior presença inicial do São Paulo no campo ofensivo. Carille intervém à frente do banco para orientar linhas um pouco mais adiantadas, e o Corinthians tenta distanciar a bola de sua própria área.

3 – O jogo disputado primordialmente na metade corintiana do gramado é a configuração normal do clássico nos dias atuais. Seria assim mesmo se o Corinthians não estivesse vencendo a eliminatória por 2 x 0, por uma questão de ideias e posicionamento. A luta do São Paulo contra o relógio apenas acentua essa dinâmica.

4 – É o básico confronto criação versus exploração do espaço. O gosto pessoal permite a escolha entre cada proposta; a análise impõe a compreensão dos objetivos. O futebol caminha para a necessidade do manejo de ambas, com o mesmo nível de competência, e de preferência com os mesmos jogadores. É um grande desafio.

5 – Romero chuta na trave, ao final de uma exibição clássica do jogo que o Corinthians deseja: desarme na região do meio de campo, poucos toques para chegar à área, finalização. Gabriel e Maycon na recuperação, Jadson e Rodriguinho no transporte da bola a Romero.

6 – Corinthians na frente, após a bola se apresentar a Jô dentro da pequena área. Quinto gol em cinco clássicos no ano para ele, em posição de impedimento no instante do lançamento, habilitado pelo toque de Pratto no meio do caminho. Lance tremendamente difícil para árbitro e assistente, que precisam decidir sem o replay que você tem em casa. Crédito quando há merecimento. (e quem é contra a implantação do árbitro assistente de vídeo não pode reclamar…)

7 – A ínfima possibilidade do São Paulo empatar o placar agregado praticamente encerrou a dúvida sobre o resultado. O clássico passou a ser uma questão de tempo para o Corinthians, orgulho para o São Paulo. A lógica indicava uma porção ainda maior de gramado à disposição do time de Carille. A rivalidade sugeria um segundo tempo disputado em temperatura mais alta em Itaquera.

8 – Neste tipo de ambiente, a expressão “duelos individuais” ganha outro sentido, pela disposição geral para não praticar futebol e competir de maneira supostamente valente. Sim, o jogo também é feito dessas interações. E sim, há jogadores que se preocupam e se ocupam demais com elas.

9 – Thiago Mendes contribui com um grande passe para o gol de Pratto, mas é excluído do jogo por excesso de violência, três minutos depois, já no trecho final. O São Paulo conclui o clássico com mais motivos para lamentar os próprios defeitos durante o primeiro tempo no Morumbi, período que essencialmente decidiu a vaga na final do campeonato.

10 – O segundo 1 x 1 em casa em cinco dias termina com sabor bem diferente do que o Corinthians sentiu diante do Internacional. O time foi mais seguro, mas também criou menos do que na noite de quarta-feira. Na leitura da atuação deste domingo, claro, é preciso considerar a diferença de gols construída na partida de ida. Quarenta anos depois de um título icônico na história do clube, é quase poético que Corinthians e Ponte Preta se reencontrem na decisão do Campeonato Paulista.

A PONTE

A final será um choque de equipes com planos semelhantes. E não é nenhum exagero avaliar que, nas ideias que compartilham, a Ponte Preta tem mostrado uma execução mais confiável do que o Corinthians. As disputas de títulos levam muitas circunstâncias para dentro do campo e tendem a equilibrar as coisas, mas certamente não falta confiança a um time que passou por Santos e Palmeiras no trajeto para a decisão.



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