Formidável



O centésimo gol de Neymar com a camisa do Barcelona, anotado na vitória de ontem sobre o Granada, é apenas a lembrança mais recente de que 2017 talvez seja o melhor ano de uma carreira que não tem teto. Nota aos os especialistas em apontar supervalorização na trajetória alheia: na estrelada relação de jogadores brasileiros que atuaram pelo clube da Catalunha, apenas três marcaram cem gols. Rivaldo (130), Evaristo (105) e Neymar. Ele está se aproximando do final da temporada europeia como um jogador que não pode ser contido, mesma impressão deixada a cada vez que se apresenta à Seleção Brasileira e atormenta os oponentes da América do Sul nas Eliminatórias para a próxima Copa do Mundo.

É difícil apontar precisamente o momento em que Neymar passou a ser elogiado em loop, dentro e fora do Brasil. A estimativa com maior chance de acerto é o segundo tempo, ou melhor, os últimos minutos da visita do PSG ao Camp Nou, pela Liga dos Campeões da Uefa. A partir daquele gol em cobrança de falta, em um estágio do encontro em que a classificação dos franceses já se podia medir em segundos, foi como se um futuro como o principal astro do time se tornasse palpável. Com Lionel Messi em campo. E quando tal cenário é visível, mesmo que por um piscar de olhos, instala-se a certeza de que um jogador extraordinário está se movendo em outra marcha.

Desde aquela noite, não é complicado escolher exibições de brilho do atacante brasileiro, embora sejam mais frequentes quando ele está a serviço da Seleção. O gol por cobertura contra o Uruguai, em Montevidéu, onde uma arrancada pelo campo de ataque na primeira ameaça do Brasil já tinha sido um aviso de intenções; a construção do gol contra o Paraguai, em Itaquera, de antes da linha média à área adversária com um show de velocidade e engano. Dois exemplos da atual versão de um craque mais relaxado em seu papel de fora de série, que continua entrando na cabeça dos marcadores, mas que tem mantido a própria no devido lugar.

Foi durante a vitória da Seleção em São Paulo que comentaristas europeus afirmaram que Neymar podia não ser, mas “estava” o melhor jogador do mundo. Possivelmente seja mais correto dizer que, neste exato instante, ele é o futebolista mais determinante, que mais desequilibra, o mais capaz de se apoderar de partidas e levá-las ao destino que deseja. Essa imagem se encaixa a seu feito contra o PSG e à sensação de que, por clube ou país, cada intervenção de Neymar deve ser acompanhada com máxima atenção porque algo transcendente acontecerá. Essa é a marca de um jogador especial em uma passagem formidável.

Há quem julgue que as atuações de Neymar pelo Brasil, quando não resta dúvida sobre quem é a figura-alfa em campo, comprovam que ele precisa se afastar do ambiente de influência de Messi para atingir o máximo de suas capacidades. O próprio Neymar parece refutar essa ideia, não apenas por saborear a realização do objetivo romântico de jogar no Barcelona, mas por assistir pessoalmente ao reinado do argentino e saber o que significa ser um ícone daquela camisa. Ele acaba de assinar cem gols com ela, e mais alegrias podem estar a caminho, também com outras cores.

MOTIVAÇÃO

Victor Golas, goleiro do Linense, aparentemente não compreendeu as críticas feitas à desistência do clube de exercer seu mando de jogo contra o São Paulo. Em referência a comentários “da imprensa” de que o Linense “vendeu o jogo”, Golas afirmou que ele e seus companheiros entraram em campo “220 % motivados”. Vender o jogo, o que é completamente diferente de “vender o resultado”, foi o que o Linense fez ao trocar a chance de jogar em casa pela divisão da renda das duas partidas. O único percentual que interessa neste caso é o do orçamento.

(publicada em 3/4/2017, no LANCE!)



  • J.H

    Impressionante esse caso. O Dirigente do Linense disse que jogar em outro estádio a torcida São Paulina seria maioria, e portanto ele pensou na questão financeira do Clube. Ora bolas! Como está a cara dele agora, quando tivemos 15 mil pagantes no Morumbi, e após as despesas coube ao Linense 60 mil reais? Imaginem se isso acontecesse com o Corinthians. A propósito, hoje um dos maiores portais do país dá uma manchete “Vítima da tesoura de Fagner, Ederson está há 9 meses fora do Flá”. E a matéria exibe o vídeo do lance, onde o jogador do Fla, segura a perna direita com expressão de dor. O que a matéria omite seletivamente, é que o jogador continuou na partida e se machucou quando deu uma tesoura em ou outro jogador e lesionou a perna esquerda, que até hoje está em tratamento. São matérias desse tipo que faz com que a gente duvide de jornalistas que lançam um projeto, onde pedem que os jogadores não “enganem” os árbitros e o auxiliem dizendo a “verdade” quando os mesmos se equivocarem. Aplaudem a sinceridade, no entanto eles próprios fazem matérias tendenciosas como essa. Depois reclamam quando perdem credibilidade.

  • Gustavo Sordi

    Neymar é um craque, nível dos melhores do mundo mas se for considerar 2 ou 3 jogos para dizer quem “está” o melhor do mundo, esse bastão seria passado por vários jogadores. Na mesma linha do pensamento de Tostão eu assisti aos programas esportivos e tive que mudar de canal tamanho o “pachequismo nacionalista” de alguns (principalmente os mais experientes). Foi incrível o que ele fez contra o PSG (nos minutos finais) e por sua seleção, mas quem acompanha o futebol Europeu não esquece que a temporada dele está bem abaixo de Messi (nível absurdo mentido por tantos anos que até subestimam seu ano – algo parecido acontece com Lebron James há anos) e até de Suarez – sem contar com Lewandowsky ou atletas de outros clubes. Não acho que Neymar não seja o melhor do mundo por jogar ao lado de Messi, apesar de alguns brasileiros não aceitarem, Messi provavelmente é o segundo melhor jogador de todos os tempos e ainda é o melhor e mais decisivo do mundo. Desde 2008 Messi não apenas decide alguns jogos ou faz alguns belos gols, ele passou OITO ANOS decidindo TODOS os jogos, “quarta e domingo”. Fazendo gols, dando assistências ou desequilibrando antes dos dois toques finais. Isso nem Ronaldo ou Ronaldinho fizeram, provavelmente Maradona e qualquer outro também não. Neymar ainda não é esse jogador na Europa, são confrontos contra times mais qualificados e organizados que as seleções. Tenho a impressão que a habilidade absurda de Neymar o faz parecer ainda melhor, pois seus lances encantam os olhos. Ele será o melhor do mundo, ainda não o é, ao meu ver a diferença é grande. Deixando a rivalidade fake contra a Argentina de lado, lamento profundamente Messi nunca ter tido um time e um treinador “de verdade” na seleção, imagino ele nessa organização do Tite, ou de Sampaoli com tempo de trabalho. Todos nós perdemos.

    • André Kfouri

      “ele passou OITO ANOS decidindo TODOS os jogos”. Não. Absolutamente não (e será difícil encontrar alguém que tem Messi em mais alta conta do que eu…).
      Os exageros para elogiar Neymar são tão criticáveis quanto os exageros para diminui-lo. E a menção à pequena amostra de boas atuações também perde o ponto, partir do momento em que estamos falando de um jogador que reconhecidamente está entre os melhores há algum tempo. A maior diferença é a mudança de comportamento, especialmente na Seleção Brasileira. Um abraço.

      • Gustavo Eu

        André, primeiramente queria corrigir algo que expressei erroneamente. Definitivamente minha “crítica” não é a você nem a ESPN, apenas discordei de um pedaço do seu texto, isso me lembrou de outras coisas e acabei comentando algo não tão relacionado com a ideia escrita. Eu exagerei no “todos os jogos” mas queria dizer que isso é um assunto que um jornalista já falou e que me chama atenção. O quão comum era e ainda é Messi decidir um jogo que até acostumamos e se outros craques e gênios decidiam com tanta regularidade assim. Uma estatística sobre isso seria interessante. Concordo com sua resposta que até explica melhor a situação, acredito que o Neymar é um dos 3 melhores do mundo, não tento diminuí-lo a todo custo mas existem pessoas que exageram tanto que é difícil não ser do contra – não é o seu caso. Aguardo sempre os seus textos por ser fonte de conhecimento e de fugir do comum, mesmo não sendo minha área eu gosto de aprofundar e de analisar cientificamente o assunto. Pode não ser importante mas gostaria de saber que leu a minha correção para ver que definitivamente não era algo à você. Abraço

        • André Kfouri

          Tranquilo. Não entendi que a crítica era a mim, e não haveria problema nenhum se fosse. Um abraço.

  • Klaus P.

    “…cada intervenção de Neymar deve ser acompanhada com máxima atenção porque algo transcendente acontecerá.”

    Jamais esquecerei o dia 29/04/12, quando estive entre os quase 50.000 torcedores encharcados do Morumbi, naquela tarde fria e chuvosa, que viram mais do que um hat-trick do Neymar ou, coincidentemente (?), o 100o. dele com a camisa do Santos, contra o São Paulo, pela semifinal do Paulistinha.

    Era absurdo o silêncio ecoado pelas arquibancadas, especialmente no segundo tempo, a cada toque do craque na bola. Aquela certeza do perigo eminente…

    O consolo foi poder sentir a vibração fugaz no 2 x 1. Mas, principalmente, ter a certeza de que um jogador sobrenatural (do adversário) valia cada centavo do ingresso.

    Mal sabia que estava iniciando uma “sina” privilegiada: sempre que assisti Neymar em estádios – Brasil 4:1 Camarões (Copa-14), Barcelona 3:1 Arsenal (Champions 2016) e Brasil 6:0 Honduras (Olimpíadas-16), ele fez ao menos um gol.

    Ou seria ele o privilegiado, que evapora coincidências para concretiza um manual de gols decisivos?

    Um abraço!

  • Paulo Pinheiro

    Neymar só não chega aos 200 gols pelo Barcelona se algum time inglês levar ele antes.

  • Ailton Souza

    Caro AK

    Não tem como não dizer que Neymar e Suarez são coadjuvantes do Messi, como Bale e Benzema são coadjuvantes do Cristiano Ronaldo.

    Lembro que no ano que o Bayern ganhou a triplice coroa o Ribery não foi O Melhor do Mundo, pois havia uma consciência quase unânime que era o conjunto que sobressaia e não a individualidade de um jogador.

    Sendo assim, há possibilidade de algum desses coadjuvantes serem em algum ano O Melhor do Mundo?

    Veremos algum dia Cristiano Ronaldo e Messi, serem coadjuvantes no Real Madri e Barcelona, respectivamente?

    Abraços

  • Ailton Souza

    Caro AK

    Não tem como não dizer que Neymar e Suarez são coadjuvantes do Messi, como
    Bale e Benzema são coadjuvantes do Cristiano Ronaldo.

    Lembro que no ano que o Bayern ganhou a triplice coroa o Ribery não foi O
    Melhor do Mundo, pois havia uma consciência quase unânime que era o
    conjunto que sobressaia e não a individualidade de um jogador.

    Sendo assim, há possibilidade de algum desses coadjuvantes serem em algum
    ano O Melhor do Mundo?

    Veremos algum dia Cristiano Ronaldo e Messi, serem coadjuvantes no Real
    Madri e Barcelona, respectivamente?

    Abraços

  • Ailton Souza

    Caro AK

    Não tem como não dizer que Neymar e Suarez são coadjuvantes do Messi, como
    Bale e Benzema são coadjuvantes do Cristiano Ronaldo.

    Lembro que no ano que o Bayern ganhou a triplice coroa o Ribery não foi O
    Melhor do Mundo, pois havia uma consciência quase unânime que era o
    conjunto que sobressaia e não a individualidade de um jogador.

    Sendo assim, há possibilidade de algum desses coadjuvantes serem em algum
    ano O Melhor do Mundo?

    Veremos algum dia Cristiano Ronaldo e Messi, serem coadjuvantes no Real
    Madri e Barcelona, respectivamente?

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