Brasil 3 x 0 Paraguai



1 – Recuado e cauteloso, o Paraguai propõe o empate em zero a zero desde o primeiro segundo. De fato, desde antes do jogo começar. Não se poderia esperar nada diferente considerando a distância de capacidade entre os dois times e o momento amedrontador da Seleção Brasileira.

2 – A carga de trabalho do goleiro Anthony Silva indicava que seria uma noite exaustiva para ele em Itaquera, embora o Brasil não conseguisse encontrar espaços no cinturão que protegia a área paraguaia. A marcação próxima ao gol praticamente elimina a profundidade e obriga o adversário a construir soluções onde é mais complicado.

3 – A bola precisa girar rápido entre jogadores em constante movimentação, abrindo frestas na parede. Foi o que fizeram Coutinho e Paulinho, no um-dois que propiciou o chute de primeira, preciso, do jogador do Liverpool: 1 x 0.

4 – Sequência de protagonismo de Neymar para começar o segundo tempo. Imediatamente após se chocar com a trave ao tentar completar, de carrinho, um cruzamento de Coutinho, ele sofreu pênalti em jogada individual. Cobrou com direção e força sob medida para a defesa de Anthony Silva. A possibilidade de um jogo aberto na Arena Corinthians terminou nas mãos do goleiro paraguaio.

5 – Mas foi apenas a primeira delas. Em arrancada do próprio campo, Neymar iludiu dois marcadores no caminho para a área, onde balançou para criar espaço e bateu à procura do canto esquerdo. O desvio na zaga não impediu o gol.

6 – Neymar já tinha até comemorado o terceiro gol – marcado em claro impedimento – quando o assistente, que não tinha levantado seu instrumento, comunicou-se com o árbitro para anular o lance. Intrigante a demora e, principalmente, a mudança de ideia. Ao menos a decisão final foi correta.

7 – Já no final, o selo de identidade de uma equipe que é bem mais do que uma reunião de excelentes jogadores: Neymar-Marcelo-Coutinho-Paulinho-Marcelo e gol. Associação, velocidade, categoria. O toque de calcanhar de Paulinho foi o ponto alto do movimento que faltava em mais uma noite de vitória, e jogo, da Seleção Brasileira.

8 – O jogo termina com Tite agradecendo, comovido, o canto de seu nome em Itaquera. Somente os 24 pontos conquistados sob o comando dele seriam suficientes para fazer do Brasil o líder das Eliminatórias. Sem mais.

ATUALIZAÇÃO, 29/3/2017, 01h11: Com o resultado de Peru x Uruguai, o Brasil está classificado para a Copa do Mundo da Rússia. 



  • nilton

    André com relação ao pênalti acredito que não foi, mas pelo lance em si, e a visão do arbitro e bandeirinha é aceitável a marcação.

    Com relação ao impedimento, pelo o que lembro se um jogador que chuta a bola e ela troca em um jogador adversário e sobra para um jogador em posição de impedimento, É impedimento, e no lance o defensor tenta rifar a bola e a mesma bate no jogador adversário e sobra para Neymar. Tem como apontar a parte da regra que fala disso????

    • Edouard

      Regra 11, segunda parte. O impedimento somente é marcado se no momento em que a bola é “tocada ou passada” por um companheiro de time… “A player in an offside position at the moment the ball is played or touched by a team-mate is only penalised on becoming involved in active play…” (http://www.fifa.com/mm/document/footballdevelopment/refereeing/02/79/92/44/laws.of.the.game.2016.2017_neutral.pdf)
      Então se um zagueiro tenta dar um chutão e a bola bate num atacante e sobra para outro, que estava em posição de impedimento, a infração deve ser marcada.

      Não me lembro bem de como foi o lance específico, mas a abordagem da regra é essa. Um abraço.

    • Paulo Pinheiro

      Concordo com você sobre o pênalti. O Neymar já está caindo (se jogando) quando o adversário apenas encosta nele.
      Uma pena. Mas como o pênalti não entrou não chegou a macular a vitória maiúscula.

  • Willian Ifanger

    “Somente os 24 pontos conquistados sob o comando dele seriam suficientes para fazer do Brasil o líder das Eliminatórias.” Realmente impressionante. É muito bom quando seu time entra em campo sendo temido. O Brasil voltou a esse patamar.

  • Paulo Pinheiro

    Faz tempo que não dava tanto gosto de ver a Seleção Brasileira jogar.
    Ocorreram-me duas dúvidas.
    1. Paradoxalmente quanto mais o Neymar joga (e ele tá jogando MUITO, um verdadeiro craque) melhor é o desempenho da equipe e – daí o paradoxo – mais preocupa a chamada “neymardependência”. Como vai ser enfrentar uma seleção forte européia numa eventual ausência dele?
    2. Por que o Firmino praticamente não é acionado (com certeza BEM menos que o G. Jesus) no ataque do Brasil? Posicionamento? O time tem desenho tático diferente quando ele joga? Ou isso teve mais a ver com os adversários que o Brasil enfrentou?

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