Até o fim



1 – Para observadores neutros, era o jogo mais atraente do fim de semana. Para santistas e palmeirenses mais interessados no progresso de seus respectivos times do que com as “conversas de bar” das segundas-feiras, uma excelente ocasião para seguir evoluindo. Para os habitantes do mundo apressado e imediatista do futebol, um clássico em que nada importava mais do que a vitória.

2 – E como essess habitantes são numerosos e barulhentos, profissionais como Dorival Júnior e Eduardo Baptista se sentem obrigados a ganhar um jogo do campeonato estadual para poder trabalhar com tranquilidade.

3 – O Santos é um time muito diferente quando tem seus principais jogadores em campo. Não é uma questão da presença individual de quem quer que seja, mas do senso coletivo que a equipe assume quando se percebe “inteira”. Sim, é um problema a ser solucionado, pois a temporada impõe mudanças e adaptações.

4 – O Palmeiras está adquirindo a confiança necessária para jogar fora de casa com naturalidade. No ano passado, eram dois times com personalidades diferentes conforme o local. Neste domingo, na Vila, mostrou que não basta defender o ímpeto do Santos em seu estádio, sem disputar a posse e ser agressivo. Boa postura.

5 – Um lance incompreensível manteve o placar em zero a zero, pouco antes dos vinte minutos. O cruzamento de Bruno Henrique foi desviado na área, oferecendo a chance a Vitor Bueno, livre, na segunda trave. Era apenas uma questão de fazer contato para a frente, tal a proximidade da linha do gol. Mas o atacante santista, traído pela trajetória da bola, tocou para trás.

6 – Sequência de intervenções de Fernando Prass, a melhor delas para impedir um gol de letra de Ricardo Oliveira. Esforço semelhante de Vladimir do outro lado do campo, para conter a pressão dos visitantes no final do primeiro tempo. As ótimas aparições dos dois goleiros comprovam um jogo de alto nível na Vila Belmiro.

7 – Prass seguiu atuando como um ímã para uma bola de metal. Até na jogada – paralisada por falta – cara a cara com Vitor Bueno, o camisa um do Palmeiras prevaleceu. Prass também foi buscar um cabeceio de Veríssimo no canto direito baixo, provavelmente fazendo a principal defesa em uma noite de trabalho intenso.

8 – Quase na meia hora de segundo tempo, o Santos finalmente fez seu maior volume ofensivo aparecer no marcador. Cruzamento de Victor Ferraz para Bruno Henrique cabecear. Ricardo Oliveira estava no lugar certo para aproveitar o rebote.

9 – O Palmeiras virou em um intervalo de dois minutos (40 e 42), em duas jogadas pela direita com a participação de Roger Guedes. No empate, acionando Jean para a finalização cruzada (talvez a única falha de Vladimir no jogo). No segundo gol, livrando-se da marcação dupla e cruzando para o chute de Willian. Guedes substituiu Keno aos vinte e cinco minutos e foi crucial.

10 – Além da modificação que se provou importante, o Palmeiras teve o inegável mérito de seguir jogando para alterar o rumo do clássico, aumentando sua presença no campo de ataque nos últimos quinze minutos. Na auto-análise santista, a questão principal é puramente de comportamento após o gol de Ricardo Oliveira. O Santos pareceu querer apagar as luzes da Vila bem antes do horário marcado para os convidados irem embora.

11 – O resultado prático? Estabilidade no ambiente para Eduardo Baptista continuar desenvolvendo o time que ele acredita que o Palmeiras pode ser. Situação inversa para o dia a dia de Dorival Júnior, após uma derrota em que o Santos não merece ser criticado por jogar mal.

(publicada em 20/3/2017, no LANCE!)

 



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