Um tremendo Fla-Flu 



UM TREMENDO FLA-FLU

1 – Em apenas oito minutos, o Fla-Flu mostrou por que não pode ser mutilado, ou condenado a um estádio vazio. Um gol para cada lado em um enfrentamento de ideias no Engenhão, começo de clássico para estimular um encontro capaz de terminar como um dos grandes jogos da temporada que se inicia.

2 – Wellington Silva ilustrou perfeitamente a expressão repetida por Abel Braga nos últimos dias: saída rápida. O atacante do Fluminense recolheu um rebote em sua própria intermediária e, explorando o adversário posicionado para a cobrança de uma falta no ataque, rasgou o campo até a rede do Flamengo.

3 – Detalhe: Richarlison corria livre à espera da bola. Ao escorregar diante de Wellington, Pará lhe resolveu a dúvida entre driblar e passar.

4 – Detalhe (2): Diego, o cobrador da falta que originou o lance, foi o jogador do Flamengo que mais se aproximou de Wellington. Quase conseguiu travar o chute.

5 – O empate chegou pelo alto. Paolo Guerrero cabeceou a bola antes de Júlio César, que deixou a pequena área no tipo de saída do gol que precisa ser certeira. Willian Arão se viu presenteado com o gol aberto, nenhum marcador e a bola diante de si.

6 – E a virada do Flamengo seguiu o mesmo caminho, mas teve a colaboração de um colapso defensivo. Diego, Pará, Guerrero e Everton foram observados pelos jogadores do Fluminense enquanto construíam a jogada do gol. Total ausência de marcação, antes e depois da defesa de Júlio César.

7 – Correta decisão do árbitro Wagner Magalhães ao apitar pênalti de Guerrero. Toque de mão após o desvio de Léo, que o atacante do Flamengo prontamente acusou ao reclamar da própria sorte. Um raro caso desse tipo de marcação que não gerou reclamação. Gol de Henrique Dourado para novo empate no clássico.

8 – A segunda virada em um tremendo primeiro tempo foi outra exibição da velocidade do Fluminense, aproveitando o buraco aberto na defesa do Flamengo. Wellington notou a projeção de Lucas pelo centro do ataque e o acionou com um excelente passe de primeira. Domínio e finalização impecáveis: 3 x 2.

9 – Números sinceros: dez faltas, onze finalizações, cinco gols, nenhum cartão. Após uma semana de ataques ao futebol, futebol de ataque em um grande Fla-Flu.

10 – O descanso permitiu a reavalização do cenário no estádio Nilton Santos. Após uma primeira parte da decisão disputada em velocidade máxima e com pouco tempo para recuperar o fôlego, a vitória parcial deixava o Fluminense à vontade para ser reativo, desde que não falhasse na defesa da própria área.

11 – Ao Flamengo não restava outra estratégia além da aplicação de suas virtudes (posição, circulação, criatividade), ciente de que a jogada aérea para Guerrero já tinha dado frutos no início.

12 – No território dos quinze minutos finais, a pressão do Flamengo determinou – além da própria e inevitável exposição – a dinâmica do encontro, sem que o grito de gol estivesse a ponto de sair para qualquer das torcidas presentes.

13 – Até uma falta de Richarlisson em Pará, perto da área do Fluminense. Zé Ricardo fez o sinal da cruz à frente do banco, e Guerrero congelou Júlio César com uma cobrança no canto esquerdo, com a bola caindo e entrando rente à trave. Formidável atuação do atacante peruano.

14 – Empate no placar, vitória do futebol.

15 – O emocionante 3 x 3 impôs a solução por pênaltis, único momento de um jogo de futebol em que o treinamento – para quem bate – tem pouco efeito. Nada pode reproduzir todos os fatores que se reúnem no instante da cobrança em uma tarde de decisão.

16 – A dupla de zagueiros do Flamengo falhou, os cobradores do Fluminense foram perfeitos e deram a Taça Guanabara ao clube após um clássico sensacional.

17 – Um motivo a mais para a satisfação do torcedor tricolor: o Fluminense não teve seu principal jogador (Scarpa) em campo e superou o desgaste da volta de Sinop. Foi ligeiramente melhor que o Flamengo neste domingo.

(publicada em 6/3/2017, no LANCE!)

 



  • J.H

    Desculpem por levantar outro assunto totalmente fora da excelente análise do jogo Fla x Flu. Mas acontece que como corinthiano, assim como o André, chega a incomodar ler certas críticas a Tite por ter comemorado o gol do Corinthians no clássico. Impressionante como a seletividade quando se trata de corinthians salta aos olhos de qualquer um. Lúcido foi o Sorin, que disse: “se não comemorasse não seria Tite”. Ele sempre se declarou Corinthiano, ou seja, queriam que ele fingisse? Além disso, não vimos críticas a Levir Culpi quando levantou publicamente e berrou aos quatro ventos a ilegitimidade do título do Corinthians de forma leviana e irresponsável insinuando “esquema” que saiu de sua cabeça oca. Respeito opiniões, mas essa me desculpem, foram absolutamente ridículas.Ou será que acham que Tite não tem discernimento nenhum do papel que representa quando está com seus convocados na seleção com jogadores de Santos, Palmeiras etc?

    • Paulo Pinheiro

      Concordo com você. Ninguém nunca disse que um técnico tem que ser “imparcial”. Não há problema nenhum.
      É claro que é preciso ter bom senso nas convocações. Exemplo: numa final entre Corinthians e um adversário qualquer o Tite não pode convocar jogadores desse adversário pra enfraquecê-lo.
      Mas o Tite tem crédito e ao menos eu não lembro nenhuma convocação que tenha provocado esse tipo de desconfiança.
      E não sou corintiano.

      • J.H

        Paulo. Com efeito, as críticas que ouvimos, sugerem explicitamente que Tite deveria ser imparcial. Se ninguém nunca disse, agora disseram. rsrsrsrs. Quanto a convocações para enfraquecer adversário, essa desconfiança sempre existirá. Imagine Rogério Ceni no futuro, técnico da CBF, em situação semelhante ? Certamente esse tipo de desconfiança partiria de Corinthianos, Palmeirenses e Santistas. O triste é ver criticas desse tipo por críticos sem o bom senso que você demonstrou nos dois últimos parágrafos de seu comentário.

  • Paulo Pinheiro

    André, desculpa comentar tanto tempo após o ocorrido, mas você não acha que o Flamengo só jogou futebol “feito Flamengo” depois do Guerrero ter marcado o terceiro gol?
    Foi assim que enxerguei. Antes disso os jogadores do Fluminense conduziam, passavam e dominavam bolas praticamente ser ser incomodados. A marcação do Flamengo era “de longe”. Em comparação nenhum jogador do Flamengo respirava com a bola por mais de três segundos e já era sufocado pela marcação adversária.
    Depois do gol de empate vi o time dando carrinho e chegando junto, mas já era tarde demais.

  • Paulo Pinheiro

    Tenho outra pergunta também: houve alguma depredação do Engenhão, como temiam os dirigentes do Botafogo?

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