Um dia?



São Paulo, 22 de fevereiro de não sabemos quando.

“Dérbi centenário é salvo pela tecnologia”

Do LANCE!, na Arena Corinthians

Na história de cem anos do clássico entre Corinthians e Palmeiras, o dérbi realizado nesta quarta-feira terá, para sempre, um registro especial: foi o primeiro em que a tecnologia de auxílio à arbitragem foi utilizada para corrigir um erro que poderia ter comprometido o resultado do jogo. O árbitro assistente de vídeo, sistema aprovado pela Fifa após testes extensivos e utilizado pela Federação Paulista de Futebol nas partidas do campeonato estadual, teve sua eficiência comprovada ao consumir menos de um minuto para reformar a decisão tomada em campo. O jogo terminou empatado em 1 x 1 (clique aqui para saber mais).

O lance polêmico aconteceu aos quarenta e cinco minutos do primeiro tempo. Em um contra-ataque do Palmeiras, Keno sofreu falta do volante corintiano Maycon, que puxou sua camisa com evidente intenção de interromper a jogada. Situação de manual para a aplicação de cartão amarelo, que foi exatamente o que o árbitro Thiago Duarte Peixoto fez. Só que para outro jogador. Peixoto, que estava a oito metros de distância do local da infração, enganou-se após acompanhar a trajetória da bola, e equivocadamente advertiu Gabriel. O erro teve uma consequência grave: era o segundo amarelo dele, o que resultou em expulsão.

Os atletas do Corinthians imediatamente cercaram o árbitro para reclamar com veemência, enquanto os palmeirenses não se envolveram, provavelmente por saber que a questão seria resolvida pela tecnologia. Thiago Duarte Peixoto teve alguma dificuldade para se desvencilhar, e finalmente conseguiu se comunicar com o árbitro que acompanhava o clássico em uma das cabines da Arena Corinthians. O contato levou cerca de quarenta e cinco segundos, intervalo no qual as imagens da televisão comprovaram repetidas vezes que o cartão tinha sido exibido para o jogador errado. Peixoto sinalizou com os braços o uso do replay, antes de aplicar o cartão amarelo a Maycon.

O problema de identificação de jogadores é uma das situações previstas no protocolo do árbitro assistente de vídeo. Sua utilização tem o objetivo de corrigir cartões aplicados equivocadamente ou dirimir dúvidas do árbitro sobre qual jogador deve ser advertido ou expulso. A experiência no dérbi desta quarta-feira foi considerada um sucesso pelo departamento de arbitragem da FPF, pelo rápido esclarecimento na tomada de decisão sem que o fluxo do jogo fosse prejudicado. Após a partida, em entrevista aos meios de comunicação, Peixoto se mostrou aliviado. “Por um erro de atenção, corri o risco de comprometer o jogo e minha atuação”, disse o árbitro. “Mas felizmente a tecnologia fez o papel dela e tudo correu bem”, completou.

Os gols do clássico foram marcados no segundo tempo. Rodriguinho colocou o Corinthians em vantagem, aos dezoito minutos, com um chute de fora da área que desviou em Victor Hugo e impediu qualquer chance de defesa de Fernando Prass. O Palmeiras empatou nove minutos depois, com Dudu, aproveitando o rebote da trave, após um cabeceio de Felipe Melo. Ao final de um encontro disputado com a intensidade própria da rivalidade centenária entre Corinthians e Palmeiras, a noção de que a tecnologia pode proteger jogos de futebol de erros do apito ficou clara para quem esteve no estádio e quem assistiu pela televisão.

VOLTANDO A 2017…

Por mais quanto tempo o futebol se submeterá ao ridículo que se deu na última quarta-feira? Enquanto a partida ficou interrompida por longos minutos, seja pelo comportamento dos jogadores ou pela malsucedida comunicação entre o árbitro e seus colegas, a trapalhada em curso era cristalina para cem por cento das pessoas que viam o clássico pela televisão e a maioria dos presentes. O que mais é necessário acontecer para que o jogo seja tratado com a seriedade que merece?

(publicada em 25/2/2017, no LANCE!)
 
 



MaisRecentes

O início



Continue Lendo

Desconforto



Continue Lendo

Irmãos



Continue Lendo