Capital



1 – Um clássico na terceira rodada do campeonato estadual significa um jogo decisivo quando nenhum time está apto a decidir nada. O adjetivo não se refere à classificação ou a qualquer objetivo imediato, que, se existisse, seria fútil. O encontro apenas vale um ganho de capital interno para seguir trabalhando e preparando a temporada, pois é isso que se faz em fevereiro.

2 – Mas exceto nos vestiários de Santos e São Paulo, essa questão não é levada em consideração em nenhum lugar assim que a bola se mexe, pois “como” se joga é um detalhe mínimo diante do “que” se leva do placar, especialmente quando dois rivais se enfrentam.

3 – Vitor Bueno e Copete tardam dez minutos para recordar o público imediatista do que um time treinado é capaz. Aquele que atua formalmente pela direita surge no lado oposto, e o que joga à esquerda se aprofunda na área. A passagem por Buffarini, como se o argentino não tivesse ido à Vila, é o ponto alto da jogada do gol santista.

4 – Em vez de se desordenar, o São Paulo faz a bola circular no campo do adversário, trocando passes com intenção e precisão. Importante sinal de compostura de um time que saiu em desvantagem nos três jogos que fez no Campeonato Paulista.

5 – E em todos buscou o empate. Neste, via um pênalti embrulhado para presente por Zeca. O empurrão em Gilberto, quando o são-paulino subia para tentar alcançar uma bola levantada na área, foi tão desnecessário quanto evidente. Cobrança de manual de Cueva.

6 – Com a mesma distribuição que se notou em momentos do jogo contra o Audax, mas principalmente diante da Ponte Preta, o time de Ceni encontrava corredores de passe no ataque e conservava a bola distante de sua própria área. O gol, no entanto, estava ao final de um contragolpe que nasceu de uma bola perdida por Lucas Lima. De Gilberto para Luiz Araújo, o lance foi vertiginoso: 2 x 1.

7 – Natural que o Santos fosse mais incisivo em desvantagem, mas não com tanta dificuldade para criar ocasiões. Na mais sensível, Sidão defendeu um cabeceio de Rodrigão que teve força, mas não foi tão colocado quanto o atacante santista gostaria. O São Paulo não sofria na defesa e avisava que o contra-ataque estava a postos.

8 – A jogada que começou com Sidão chegou à outra área, onde Cueva foi individualista para desorganizar a zaga santista e generoso para acionar Luiz Araújo em condição de finalizar: o chute cruzado do atacante que mudou o clássico tocou a rede lateral e deixou o São Paulo em controle.

9 – O ganho de capital interno ficou, merecidamente, para Ceni e seus jogadores. Com o bônus da primeira vitória são-paulina na Vila em oito anos.

(publicada em 16/2/2017, no LANCE!)



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