Depreciada



Joinville e Chapecoense atuaram em dias consecutivos na semana que passou. Na dividida de datas entre os jogos do campeonato estadual e a tabela da Copa da Primeira Liga, ambos optaram por competir no primeiro e apenas comparecer na segunda. O Grêmio não mandou nem o técnico Renato Portaluppi ao estádio Mané Garrincha para enfrentar o Flamengo, enquanto o Fluminense só utilizou três jogadores titulares no encontro com o Internacional. A sensação de incômodo com a Primeira Liga não poderia ser mais clara.

Independentemente da forma como é visto e tratado pelos cartórios do futebol brasileiro (as federações estaduais), o torneio resultante de uma associação de clubes – ou seja, uma competição disputada por opção, não por obrigação – tem sido um empecilho logo no primeiro mês da temporada, situação contrária ao que seria lógico. Se os próprios clubes depreciam o produto que criaram, como esperam que ele seja valorizado em qualquer aspecto?

Em dezembro de 2015, quando o Cruzeiro anunciou que saía da Primeira Liga (voltaria atrás pouco depois), foi o presidente do Grêmio quem demonstrou a visão mais sensata do significado da união, entre aspas e em negrito, das entidades que a formavam: “os clubes se ressentem de um ambiente em que possam discutir todos os temas que lhes são comuns”, disse Romildo Bolzan. Na mesma declaração, Bolzan afirmou que o que menos importava naquele momento era o torneio em si, pela relevância de um forum de debates e sua representação política.

Como se sabe, a competição tem caráter amistoso, mas o desprestígio fica evidente não só com o uso – não por todos, anote-se – de formações alternativas, mas com o emprego de um claro tom de desaprovação por parte de técnicos em entrevistas, como se a Primeira Liga fosse uma anomalia de um calendário que já não é racional, uma distração em meio a compromissos importantes. E é precisamente o que ela parece.

Também não se nota o discurso inovador que marcou o nascimento da liga, o que talvez seja uma decisão estratégica: aliviar o posicionamento inicial de ruptura e oposição às federações, especialmente no Rio de Janeiro, em nome da manutenção do torneio que tem patrocinadores e transmissão pela televisão. Pode ser. Mas a imagem que a Copa da Primeira Liga transmite em 2017 é oposta à da encubadora de “um novo futebol”, embora o Flamengo a leve a sério e o clássico mineiro tenha sido um sucesso.

A questão dos clubes catarinenses é especialmente desagradável, seja quem for o principal responsável pelo conflito de datas que provocou a barbaridade da última semana, algo que um ambiente de futebol dito profissional não pode permitir. Por cruel ironia, o ex-presidente da Federação Catarinense de Futebol, Delfim de Pádua Peixoto Filho, foi o único de seus pares a apoiar a criação da Primeira Liga. Hoje, times do estado são obrigados a jogar duas vezes em quarenta e oito horas por falta de entendimento entre as entidades.

CANETA

É interessante que Flávio Adauto, responsável pelo futebol no Corinthians, tenha descrito a negociação com Didier Drogba como “amadora”, sem utilizar um termo correspondente para o papel a que o clube se prestou na contratação frustrada de William Pottker. A Ponte Preta simplesmente refutou todas as explicações do “cartola” corintiano, mas ainda mais constrangedor é tentar fazer acreditar que os dois jogadores que o Corinthians cedeu ao time de Campinas não estavam relacionados à chegada do atacante. Há momentos em que é necessário reconhecer o drible pelo vão das pernas, situação em que a capacidade de cada um fica exposta.

FECHADO

Borja é a carta que faltava para o campeão brasileiro. Eduardo Baptista tem, no papel, o elenco mais qualificado do futebol no país. É o sonho de todo treinador, embora o nível de exigência para converter peças em um time à altura seja equivalente.

(publicada em 13/2/2017, no LANCE!)

 
 



  • castilho17

    Meu palpite pra primeira liga é que ano que vem, com o fim do contrato de tv, o torneio acabe..

    • Paulo Pinheiro

      Seria o sonho dos clubes paulistas que – fechados com a CBF – foram contra desde o início. Espero que a liga resista.

  • J.H

    Botafogo x Flamengo. A seletividade da mídia na cobertura da “guerra” em praça pública mostra como estamos muito bem(?) de “informantes”. E pior com mortes e ferimentos seríssimos em torcedores. Ninguém foi para Bangu nesta oportunidade? Porque?

  • Fernando

    Certo estava o Eurico!

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