Gratidão é virtude



A nota do Corinthians em agradecimento a Didier Drogba foi um equívoco. Muito longa, com ênfase nos pontos errados e portadora de uma tolice. Um produto típico da gestão de Roberto de Andrade. O fato de ser um erro não significa que tenha sido uma “vergonha que apequena o clube”. Essa descrição se aplicaria se o Corinthians tivesse, de fato, contratado o jogador de 38 anos, uma operação que não se justificaria mesmo se fosse lucrativa nos pontos de vista do marketing e das finanças.

Uma coisa é contratar um futebolista de renome internacional que vive o período pós-auge de sua carreira. Há muitos jogadores nessas condições que seriam úteis a clubes brasileiros, tanto para o time quanto para os negócios. Outra coisa é investir em alguém que, além da idade avançada, já se encontra em um ambiente próximo à aposentadoria no aspecto competitivo. É consideravelmente mais fácil jogar na Major League Soccer do que no Campeonato Brasileiro, o que obrigaria Drogba a se recondicionar como atacante, quase aos quarenta anos. Improvável. Um clube na posição do Corinthians não deveria nem considerar a ideia.

Sem falar na forma como a possibilidade da transação foi conduzida, com o envolvimento de um ex-funcionário do marketing do Corinthians, sintomas de desgaste com o departamento de futebol e toda a embalagem das ideias megalomaníacas que caracterizam as piores administrações de futebol no Brasil. Não conversar diretamente com o jogador não é um problema. Muitas negociações são mantidas assim até a etapa final do processo, em especial com aqueles que possuem vários representantes, como o marfinense. A questão foi não controlar o fluxo de informações e permitir a impressão de que não se tratava de coisa séria.

Mas algo está muito errado – em um âmbito mais importante do que o futebol – quando um gesto de agradecimento é tratado como se representasse humilhação. De qualquer forma, o Corinthians se equivocou no tom. A nota poderia se restringir às duas linhas iniciais, informando o final da história e dizendo obrigado ao jogador pela conversa. A declaração do presidente é desnecessária, por nada acrescentar, e a noção de que Drogba se converteu em “mais um louco do bando”, aí sim, é cabotina. Além de inverossímil, não serve de consolação para o torcedor que era favorável à contratação.

Em termos puramente futebolísticos, Didier Drogba seria um inconveniente para Fabio Carille, que já tem problemas e pressões suficientes em seu início de carreira como treinador. A obrigação das pessoas que dirigem o Corinthians é ajudá-lo a construir um time.

(publicada em 2/2/2017, no LANCE!)



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