No LANCE! de hoje



REENTRADA

A contratação de Felipe Melo pelo Palmeiras acessa dois pontos recorrentes no planejamento de equipes que se classificaram para a Copa Libertadores: a crença de que a conquista da América exige um elenco experimentado, no qual a solidez defensiva é uma característica obrigatória. O jogador que começou a carreira no Flamengo em 2001 e passou onze temporadas na Europa preenche o primeiro requisito. O volante de marcação feroz, passe superior e vitalidade superlativa, o segundo. Mas seu retorno, aos trinta e três anos, também apresenta questões interessantes sobre a mudança de ambiente e o encaixe no recém-coroado campeão brasileiro.

Como todo jogador que passou tantos anos seguidos no primeiros níveis do futebol europeu – prova inequívoca de qualidade – , Felipe terá de se reacostumar ao jogo que se pratica no Brasil. É uma adaptação que se dá em todos os contextos: pessoal, vida familiar, método de treinamento, frequência de jogos e, claro, a forma como um futebolista é utilizado em seu novo clube. Tais aspectos são muito mais importantes do que o comportamento explosivo em campo, um traço que tem dominado as conversas a respeito de sua chegada ao Palmeiras, como se Felipe fosse um jogador incontrolável e uma garantia de inferioridade numérica.

O que não significa que o tema disciplinar deva ser ignorado. A forma como se dará sua relação com a arbitragem brasileira – defeituosa, personalizada e com critérios volúveis – é uma circunstância a ser observada. O sentido inverso é igualmente importante, pois são numerosos os exemplos de jogadores rotulados como violentos que recebem um trato mais rigoroso dos apitadores. Neste caso, a aclimatação ao futebol brasileiro também passa pelo conhecimento dos limites normalmente estabelecidos pelos árbitros no país e no continente, um processo de aprendizado como qualquer outro.

No ponto de vista futebolístico, parece evidente que Felipe será o principal jogador de marcação no 4-1-4-1 com que Eduardo Baptista enxerga o time. Ele demonstra as qualidades físicas e técnicas necessárias para desempenhar o papel mais importante neste sistema, por ser o jogador que equilibra o conjunto e participa de todas as fases do jogo. O Palmeiras possui outros futebolistas capazes de atuar na posição, mas nenhum deles ostenta a vivência de Felipe Melo, ou provocaria no adversário as mesmas sensações que o volante que teve passagens elogiáveis por Fiorentina e Juventus e se tornou um favorito da torcida do Galatasaray.

Baptista é um treinador jovem, diante da grande oportunidade de sua carreira no aspecto das possibilidades que seu elenco oferece e, obviamente, em relação aos objetivos do clube. A forma como ele dirigirá um jogador de alto perfil como Felipe Melo – e Michel Bastos – será acompanhada ao longo da temporada. A semana passada foi fértil em opiniões úteis neste âmbito. Jorge Sampaoli disse ao site Goal.com que “não há trato mais desigual do que tratar a todos por igual”; e Julio Velasco, em entrevista ao diário argentino La Nación, advertiu que “o terrível erro é quando um treinador trata como se fosse um fenômeno a um jogador que não o é”.

MAIS JULIO VELASCO (ao Goal.com)

O que define um bom treinador?

– É o que resolve os problemas de seu time. E isso implica manejar situações e a química de uma equipe. Resolver os conflitos que um jogador pode ter, ou o time, em seu conjunto. Às vezes podemos resolver os problemas de oito times, e de dois não, e isso não significa que você não é bom.

Como maneja a convivência de um time?

– Tive jogadores tranquilos e ordenados, e outros mais desordenados, mas o que me preocupa é o que cada um me dá para que um time funcione. Alguns acreditam que uma equipe significa criar uma comunidade para ficar dois meses na praia, convivendo. Não é assim, um time tem de funcionar acima das afinidades. O modo de ser de cada jogador não me preocupa. Minha atenção está em seu modo de ser para aprender.

(publicada em 9/1/2017, no LANCE!)



  • J.H

    E, o sr Alexandre Mattos se encontra com Kia Jooorabchian (segundo o Globo Esporte) na Inglaterra. Nada se lê sobre lavagem de dinheiro, mafiosos russos, dinheiro sujo etc, comentários que proliferavam nas notas esportivas diária e repetidamente quando negociava com o Corinthians. Dirão os hipócritas: “Ah! mas ele foi absolvido agora”. Pois é. Acusadores seletivos são assim mesmo.!

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