No LANCE! de hoje



EMBARAÇOSO

Deveria ser suficientemente constrangedor o fato de o Corinthians – pela segunda vez no ano – não ser capaz de atrair um treinador para substituir Tite. Sylvinho, Roger Machado, Fernando Diniz e Dorival Júnior, por razões distintas, agradeceram as aproximações feitas em junho, logo após o técnico mais vitorioso da história do clube dizer sim à Seleção Brasileira. “Não, obrigado”, disseram, educadamente recusando a oportunidade. O mesmo aconteceu nos últimos dias com Guto Ferreira, Jair Ventura, e de novo com Dorival. E talvez acontecesse com Reinaldo Rueda, se os contatos com o agente que o representa tivessem chegado a esse ponto.

Também deveria ser suficientemente constrangedora a campanha de desvalorização, ainda que involuntária, a que o Corinthians submeteu o técnico que comandará o time no ano que vem. A nomeação de Fábio Carille é um ato de confissão de incompetência de Roberto de Andrade e Flávio Adauto, um recibo escandaloso que fica ainda mais evidente diante das tentativas pueris de apresentar uma embalagem diferente para a “escolha”. Carille não foi escolhido. Ele estava lá quando Tite saiu, permanecia lá quando Cristóvão e Oswaldo saíram, e agora assume por exclusão. Ninguém merece esse tratamento, menos ainda aqueles que merecem investimento.

Esse episódio não é um juízo sobre a capacidade de Carille, que o credencia a iniciar uma promissora carreira como técnico, mas sobre a incapacidade dos dirigentes que minaram sua posição ao ignorá-lo enquanto procuravam treinadores estabelecidos e, de repente, fizeram um retorno de emergência e decidiram exibi-lo como um trunfo guardado com discrição. Não, Carille não é má ideia. Ele apenas foi apresentado assim, por aqueles que deveriam protegê-lo e criar todas as condições para facilitar seu caminho. Fizeram o oposto. E não importa o que tenham dito sobre uma situação contratual diferente; a interinidade não é uma questão de papel, mas de ambiente.

Nada, porém, é tão constrangedor quanto a forma como operam as pessoas que representam o departamento de futebol do Corinthians, um importante sinal da degradação que impõem à imagem de um clube dessa magnitude. Flávio Adauto, convertido em diretor de futebol sem o mínimo preparo para a função, simplesmente tentou convencer a opinião pública de que o Corinthians só conversou com Rueda. O argumento “se não falou comigo, não falou com o clube”, próprio de uma época em que se usavam telefones de disco e contratos eram redigidos em máquinas de escrever, foi o mesmo utilizado por Roberto de Andrade há sete meses. É estarrecedor que se prestem a esse papel.

Pode parecer inacreditável que um clube como o Corinthians seja administrado com base no “depois a gente vê”, mas é precisamente o que se passa, enquanto as cheerleaders de cartolas seguem balançando os pompons. O processo que foi classificado neste espaço, em outubro, como “corinthianização”, tem sido assustadoramente acelerado pela combinação do mais absoluto despreparo com a chegada de tempos desafiadores. Se a experiência com Carille não funcionar, ele será sacrificado diante dos olhares pesarosos de quem o ofereceu às feras. Se funcionar, será o responsável por salvar as mesmas pessoas, que ainda posarão como espertos.

DINÂMICA

A autoridade de um técnico é necessária para a melhor dinâmica do trabalho diário de um time de futebol. Não é algo que precisa ser imposto, apenas percebido, sem margens para dúvidas, pelos que estão ao redor. Ela emana da postura e da forma como o técnico se relaciona com todos, do respaldo dos superiores e do respeito dos comandados. É natural que um treinador em início de carreira tenha mais dificuldades para se posicionar e exercer a autoridade do cargo, o que se facilita quando o ambiente é de confiança e colaboração.

NOTA PESSOAL

Um feliz Natal, se você o celebra. E mesmo que não celebre, obrigado pela leitura.

(publicada em 24/12/2016, no LANCE!)



  • J.H

    Infelizmente o corinthians não tem um sossego que tem por exemplo, a Chapecoense. Citam a mesmo como exemplo, porém a pergunta que cabe:”E se Wagner Mancini fosse escolhido para substituir Osvaldo”. Resposta óbvia: ” Coitado”. Ouvi a declaração de um agente de jogador, explicando que em Chapecó não existe oposição, não tem clubes rivais. A Imprensa e toda a cidade é Chapecó. Aqui em São Paulo, só de especular o nome de um técnico para o Corinthians já começa o processo de destruição. A menos que Carille arrebente, a coisa estará sempre feia para o Corinthians em 2017, até o evento ELEIÇÕES no clube. Uma lástima. O Corinthians é diferente mesmo, não cabe argumentação nenhuma.

MaisRecentes

Presente



Continue Lendo

Em frente 



Continue Lendo

Acordo



Continue Lendo