No LANCE! de hoje 



PERDIDO

Muito mais difícil do que contratar um treinador nas últimas semanas do ano, com o calendário exercendo a pressão diária para que se tenha uma vaga ideia da temporada seguinte, é administrar – e disfarçar – a certeza de que esse técnico não será o profissional desejado. Assim termina 2016 para o Corinthians, desnorteado a ponto de ter perdido a capacidade de diferenciar o certo e o errado: a diretoria que afirma não ter compromisso com os próprios equívocos se aproxima do Natal sem saber quem dirigirá o time no ano que vem.

As declarações públicas de Flávio Adauto, diretor de futebol, revelam o nível de confusão que predomina na procura pelo substituto de Tite (Tite? Sim, porque nem Cristóvão Borges e nem Oswaldo de Oliveira o foram). De acordo com o cartola, o clube aguardava, no último fim de semana, a resposta positiva de um técnico que tinha “bons trabalhos realizados no Brasil” em seu currículo. Adauto não quis oferecer mais detalhes para que a identidade do treinador em questão não ficasse evidente.

Guto Ferreira se encaixa na descrição? Se a referência a “bons trabalhos” inclui passagens por times do tamanho do Corinthians, não. Jair Ventura? Não. Dorival Júnior? Certamente. A questão em relação ao técnico do Santos é que o Corinthians não poderia estar à espera de uma resposta dele, pois não lhe fez proposta. Dorival recebeu um telefonema de Alessandro e logo disse que não poderia aceitar um convite. De quem Adauto falava, então? Não seria de Reinaldo Rueda, o colombiano que ele desconhecia e, claro, nunca trabalhou no Brasil.

Os dias passam, o bom velhinho já prepara seu trenó e o Corinthians segue sem técnico, enquanto todos os rivais planejam o próximo ano. E o que é ainda pior: a velha história do elefante no canto da sala se aplica a nomes como Marcelo Oliveira e Vanderlei Luxemburgo, aos quais dirigentes anacrônicos podem recorrer usando qualquer argumento que lhes venha à mente. O erro, de fato, foi cometido em junho, após a saída de Tite. De lá para cá, o Corinthians apenas trocou a etiqueta.

Há uma semana, quando Oswaldo de Oliveira foi demitido após sessenta dias de trabalho, o cenário era conhecido. De modo que “veja-bem-é-preciso-entender-as-dificuldades-do-mercado-que-se-apresenta” não é uma explicação aceitável. Está claro que o Corinthians não tinha um plano, assim como não foi capaz de improvisar uma solução. E quando ideias se resumem a sugestões de agentes interessados em posicionar seus clientes, o clube se vê em situação desesperadora. Para entender por que, basta pensar em quem toma as decisões.

(publicada em 22/12/2016, no LANCE!)



  • Joao Henrique Levada

    André, você implodiu o Flávio Adauto.

    Senti vergonha, mais uma vez, ao notar o despreparo de quem dá as cartas no mais importante clube de futebol do Brasil.

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