No LANCE! de hoje



QUEM PROCURA…

Seja qual for sua opinião sobre o lance em que o árbitro assistente de vídeo atuou pela primeira vez em um jogo oficial, o episódio ocorrido no jogo entre Atlético Nacional e Kashima Antlers deixou lições valiosas. E apesar de ter gerado questionamentos, ao invés de diminui-los, o fato de ser um teste de um sistema que precisa ser aperfeiçoado fez com que a experiência imediatamente cumprisse seu papel.

Esta é a era da pós-verdade, na qual cada um acredita no que deseja que seja real. De modo que, mais do que opiniões, haverá conclusões precipitadas tanto a favor quanto contra o uso do vídeo para auxiliar a arbitragem. Por causa de um exemplo que teve a falta de sorte de envolver o aspecto interpretativo da lei do impedimento, os amantes do erro humano como fator de atração do futebol dirão que nem a tecnologia é capaz de esclarecer o que é “participar do lance”.

De fato, não é. Mas – crucial lembrar – não pretende ser. O protocolo de árbitro assistente de vídeo que está em ação no Mundial de Clubes da Fifa não tem o propósito de revisar situações de impedimento (exceto ao analisar possíveis irregularidades em gols validados), o que contribuiu para o aumento da polêmica em torno do pênalti marcado pela tecnologia a favor do time japonês. O primeiro ensinamento do teste feito ontem é esse: ao procurar o que quer, o vídeo pode encontrar o que não quer.

O debate em torno do apito eletrônico não pode ignorar que equipes de arbitragem alteram, com assustadora frequência, o resultado de jogos de futebol porque a dinâmica do esporte superou a capacidade humana de mediá-lo. A jogada em questão passou totalmente despercebida. O sistema que está em testes tem totais condições de corrigir esse problema sem prejudicar o fluxo das partidas ou estimular dúvidas, desde que se encontre a configuração correta.

RECOMEÇO

É confortante ver os brasileiros que sobreviveram ao desastre aéreo em Medellín retornando ao país e protagonizando cenas emocionantes em Chapecó. E é incrível pensar que, após tudo o que já superaram, a recuperação é uma jornada que ainda está começando e vai acompanhá-los para sempre. Que prossigam e possam participar da reconstrução da Chapecoense.

CAOS

O Corinthians caminha para o fim do ano com mais um exemplo do caos gerencial que contaminou o clube: em vias de demitir Oswaldo de Oliveira, contratado há dois meses, sem que o mercado apresente opções que representem otimismo para a próxima temporada. E há quem acredite que o verdadeiro problema foi não ter conseguido uma vaga na Copa Libertadores.

ATUALIZAÇÃO: O Corinthians demitiu Oswaldo de Oliveira na hora do almoço desta quinta-feira.

(publicada em 15/12/2016, no LANCE!)



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