No LANCE! de hoje 



UNIDOS

A maior tragédia da história do futebol brasileiro também foi a primeira catástrofe do esporte na era das mídias antissociais, que desde terça-feira cumprem seu incomparável papel de conectar pessoas, divulgar iniciativas, tornar o mundo um lugar menor. O potencial da internet em termos de mobilização só não é mais assustador do que a noção de que é utilizado primordialmente pelas razões e com as intenções erradas.

Do arrepiante silêncio absoluto em Anfield e Old Trafford aos telões em arenas da NBA, passando pela torre Eiffel alviverde e pelas mensagens de clubes e personalidades do futebol, o tsunami de bondade e solidariedade fez da hashtag “forçachape” a mais utilizada no Twitter anteontem. No mundo. Sem falar nas atitudes do Atlético Nacional, o time que mais brilhou neste ano na América do Sul, jogando bonito também nos gestos de conforto a quem está perdido.

Os clubes brasileiros se organizaram por um pacote de suporte à Chapecoense, assistências mais duradouras às famílias dos jogadores que se foram estão em estudo, até um amistoso com o Torino – com quem o clube catarinense estará eternamente unido pela dor – pode acontecer, um dia, quando houver condições humanas e esportivas para que uma instituição devastada volte a mandar jogadores ao gramado. Ajuda, auxílio, fraternidade.

Mas houve quem não fosse capaz de se controlar por muito tempo. O Marco Polo que não viaja quer que a Chapecoense jogue, com juniores, se for necessário, na última rodada do Campeonato Brasileiro. Del Nero acha que uma violência dessa ordem pode se converter em homenagem. E Fernando Carvalho, dirigente do Internacional, pede compreensão com a “tragédia particular” de seu clube: a possibilidade de rebaixamento. Carvalho também pede desculpas.

O silêncio é respeito e oportunidade.

SÓ EM 2017

A não ser que deseje atuar no dia 11 de dezembro, a Chapecoense deveria ser dispensada da última rodada do Campeonato Brasileiro. Os pontos do jogo, por W.O., ficariam com o Atlético Mineiro, o que não causaria nenhuma alteração na classificação final. O velório dos jogadores deveria encerrar 2016 para a Arena Condá. O futebol fica para o ano que vem.

LIÇÃO

O avião que caiu em Medellín era um velho conhecido do futebol sul-americano, personagem de uma coleção de histórias, agora conhecidas, de sustos e “quase acidentes”. Além da clientela formada e da recomendação pela Conmebol, a aeronave contava com a superstição dos clubes. Catástrofes costumam reformar comportamentos. Que a segurança seja prioridade.

(publicada em 01/12/2016, no LANCE!)



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