No LANCE! de hoje



MUITO PALMEIRAS

1 – O campeonato de pontos corridos tem jogos que são finais para apenas um dos times em campo. E se o empate valia o título para o Palmeiras, não deixava de ser um bom resultado para a Chapecoense. Curioso balanço emocional do jogo no Allianz Parque, xeque-mate de troféu para um e três pontos para o outro, em um ambiente totalmente favorável ao campeão-a-ser-coroado.

2 – Uma das questões era como o time catarinense se comportaria no papel de estraga-prazeres, curiosidade que perdeu em importância no instante em que Paolo Guerrero marcou para o Flamengo, no Maracanã, estabelecendo um cenário em que o Palmeiras seria campeão até com derrota. Esse entrelaçamento de gols e emoções é precisamente o motivo pelo qual os jogos de adversários pelo título devem sempre ser realizados no mesmo dia e horário.

3 – A situação controlada, tanto no jogo quanto no campeonato, pareceu estimular o Palmeiras a um comportamento oposto ao que o torcedor desejava. Embora o encontro estivesse equilibrado e não faltasse empenho ao time de Cuca, o Allianz Parque sentia falta de força ofensiva. O estádio lotado teve seu desejo finalmente atendido quando a jogada ensaiada de cobrança de falta gerou o toque por cobertura de Fabiano: 1 x 0.

4 – O desenho da jogada pode ter sido alterado em seu curso, mas o que isso importa? A perspectiva de uma vitória para celebrar o troféu se materializava, e por pouco não recebeu um gol de Gabriel Jesus, em sua última apresentação pelo Palmeiras em casa. Ainda havia metade do jogo para construir também essa satisfação para ele e para a torcida, que certamente gostaria de uma despedida com rede balançando.

5 – Seria um segundo tempo com níveis mínimos de tensão e máximos de comemoração, ocasião em que o título passa a ser palpável enquanto a bola segue rolando em campo. Uma experiência para ser saboreada e recordada como um desses raros momentos em que o futebol é felicidade pura. Se é que isso é possível.

6 – O único inconveniente para a festa era a postura ofensiva da Chapecoense, em uma atuação mais do que elogiável. Deve-se considerar, claro, que o time dirigido por Caio Júnior ainda conservava chances de se classificar para a Copa Libertadores 2017 via Campeonato Brasileiro. Um ponto somado neste domingo teria grande valor.

7 – O Palmeiras seguiu na perseguição do gol que encerraria qualquer dúvida sobre o vencedor do domingo, mesmo que as questões sobre o vencedor do ano já estivessem encerradas. À medida em que o cronômetro se aproximava do tempo regulamentar, a antecipação já contagiava o público recorde no estádio palmeirense. Mais de duas décadas, mesmo para quem não as viveu, condensadas em poucos minutos finais.

8 – Aos quarenta, Moisés quase marcou em um chute de fora da área. Seria um bônus bem mais do que merecido para o meiocampista de desempenho excelente durante todo o campeonato.

9 – Do outro lado da ponte-aérea, o lindo gol de Diego para o Flamengo foi a senha para a explosão final no Allianz Parque. Somada à bonita homenagem a Fernando Prass (e a Jaílson também, sensível gesto de Cuca que merece aplauso), a tarde estava completa, com todos os ingredientes que o palmeirense desejava para o dia em que a espera pelo título brasileiro chegaria ao fim.

10 – O Palmeiras não estava carente de conquistas. Estava carente de uma conquista dessa magnitude, de um campeonato desse tamanho, que coroa o melhor time e não admite questionamentos. Estava carente da sensação provocada por pensar na grandeza do Brasil e sorrir por ser o maior, o primeiro, o campeão. Isso é o que o Campeonato Brasileiro provoca, vinte e dois anos depois.

11 – Parabéns ao Palmeiras e aos palmeirenses.

(publicada em 28/11/2016, no LANCE!)



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