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GESTÃO DE ARQUIBANCADA

A frase de Rafael Carioca revela a que ponto chegou a neurose. Um dia depois da demissão de Marcelo Oliveira, o volante do Atlético Mineiro simplesmente voltou ao primeiro semestre para lembrar o que a maioria esqueceu: “Uma equipe que faz muitos gols, mas que sofre muitos gols, é uma equipe desequilibrada. Foi assim o ano inteiro, exceto quando estava o Aguirre, que (sic) tínhamos uma compactação melhor”. Diego Aguirre foi demitido (ou saiu por não se sentir apoiado, o que na prática é a mesma coisa) em maio, vítima da queda na Copa Libertadores. Para o substituto dele, a final da Copa do Brasil só teve o jogo de ida.

Mais do que um elogio a Aguirre, a declaração de Rafael Carioca é uma crítica a Marcelo Oliveira, a quem ele atribui – com razão – o “desequilíbrio” do time. O defeito foi mencionado pelo ex-técnico do Atlético em sua entrevista de retorno ao mercado, em uma tentativa evidente de dividir responsabilidades. A diferença é que Marcelo se referiu ao elenco, não ao time. Mas tudo faz sentido: elenco, time e diretoria, todos desequilibrados, explicam por que o Atlético corre grande risco de alcançar o final da temporada sem nada para mostrar.

O trabalho de Aguirre foi encerrado após vinte e nove jogos, um absurdo apoiado por muita gente que julga conhecer futebol, montagem de equipes e os diversos fatores que interferem neste processo. Gente que agora se encontra em uma situação sensível, pois também concordar com a dispensa de Marcelo significa entender que não há problema em interromper a formação do time antes da metade do ano, e, no final, tentar uma cartada entre a ida e a volta de uma decisão. Claro que há quem pense assim (o presidente Daniel Nepomuceno, por exemplo), e esse é exatamente o problema.

Demitir Aguirre foi um erro provocado pela gestão de arquibancada que caracteriza a cartolagem do futebol no Brasil. Contratar Marcelo Oliveira foi um erro provocado pelo erro principal. E dispensá-lo por causa da derrota da última quarta-feira foi a admissão de todos os erros, maquiada pelo arremesso para a torcida do que deveria ser responsabilidade de dirigentes. É típico, é cíclico, é inacreditável. Não há como afirmar até onde o Atlético iria com o treinador uruguaio, mas é escandalosamente óbvio que jamais se viu um time, no sentido coletivo, desde que Marcelo assumiu. Agora volte à frase de Carioca.

No futebol, equipes costumam ser mais bem sucedidas do que simples reuniões de jogadores renomados. Não é por outro motivo que a disputa do título da Copa do Brasil pende para o lado gremista, após um jogo decidido pela diferença de organização entre os adversários. Se o Atlético conseguir o improvável em Porto Alegre, terá sido um feito completamente desconectado da troca de comando. Mas se você acredita que esse tipo de atitude desesperada pode se converter em uma reação épica, largue o que estiver fazendo e procure a sede administrativa do clube pelo qual torce. São enormes as suas chances de se eleger presidente.

FEIO

A temporada do Internacional é tão horrorosa que o clube considera a possibilidade de tentar se manter na primeira divisão por intermédio da Justiça desportiva. O Inter deve acionar o STJD para tirar pontos do Vitória, por suposta irregularidade na negociação que levou o zagueiro Victor Ramos ao clube baiano. A CBF já informou que não há nada de errado com o jogador, mas, ao que tudo indica, os dirigentes do Internacional perderam a capacidade de se constranger. Ao menos eles podem se apoiar na convicção de que qualquer outro clube brasileiro, sem exceção, faria exatamente o mesmo.

BONITO

Os zagueiros são superiores, Dudu é uma bateria, Gabriel Jesus é o diferente. Mas o Palmeiras provavelmente não seria (quase) campeão sem Moisés. E que boa iniciativa o troféu estar presente ao estádio em que o título pode ser definido neste domingo.

(publicada em 26/11/2016, no LANCE!)



  • J.H

    Feio também, (agora pode?) a liberação da Paulista para torcida de futebol.
    Seletividade financiada a crédito consignado?

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