No LANCE! de hoje



O PIOR FATO NOVO

Imagine-se um jogador do Internacional. Três técnicos no mesmo campeonato, cada um com ideias, métodos e discursos diferentes. Três recomeços, o último deles já próximo do abismo, sob as ordens de um treinador – Celso Roth – que não só crê como declarou, em entrevista ao jornal Zero Hora, que “nada mudou no futebol desde 2006”. Imagine-se em seus momentos de dúvida e, provavelmente, angústia, questionando em voz baixa se alguém com tamanha desatualização poderia ser o escolhido para salvar um clube do porte do Inter da Série B. Imagine-se sabendo perfeitamente qual é a resposta, e sendo obrigado a bloqueá-la de sua mente porque há questões mais urgentes. Imagine-se subindo ao gramado rodada a rodada, com o precipício mais perto a cada ponto que escapa, e ouvindo de conhecedores do jogo que a culpa é sua.

Então, em mais uma noite de desespero no Beira-Rio, um trágico empate confere nova dose de realismo aos seus piores medos. Parte da torcida novamente demonstra sua neurose com violência, e os mágicos em posições de tomada de decisão voltam a balançar suas varinhas: outro técnico demitido, a três – TRÊS – rodadas do final do campeonato. Aqui, cabe um parêntese: a única explicação para a saída de Roth a esta altura é um motim no vestiário, em que todos os jogadores do elenco do Inter, sem exceção, tenham se recusado a seguir com ele. Salvo algo dessa proporção, que não foi noticiado, mas pode ter acontecido, a diretoria que contratou Roth deveria ter se abraçado ao equívoco que cometeu, pois não há nada que seu substituto possa fazer. E a propósito: no caso extremo de um motim, o dano causado pela escolha terá se mostrado ainda mais grave.

Talvez o Internacional saia da cratera que cavou para se enterrar e permaneça na primeira divisão no ano que vem. Mas o roteiro completo de mais um rebaixamento de um colosso do futebol brasileiro foi detalhadamente escrito pela diretoria representada por Vitorio Piffero, uma história que foi se desenrolando a cada ideia infeliz como uma profecia, dessas que nos convencem que a força de clubes como o Inter puxa para o sentido errado quando o andar de baixo começa a chamar. Mas esses processos macabros só acontecem por causa das exibições de incompetência irremediável de dirigentes, porque é preciso um esforço gerencial sobre-humano para conseguir derrubar camisas dessa magnitude. E não afaste a possibilidade de alguém diretamente envolvido nessa tragédia ter a ousadia de louvar a última troca de técnico, caso o Inter sobreviva no último instante.

Poderia haver uma regra limitando o número de treinadores contratados pelo mesmo clube durante o curso de um campeonato. Tratados como crianças mimadas, dirigentes seriam impedidos de tratar clubes como brinquedos. O planejamento da temporada seria confeccionado com mais seriedade, escolhas feitas com mais critério, decisões tomadas com mais responsabilidade. O que é inacreditável é que não se aprende nem com experiências educacionais como a demissão de Diego Aguirre, no ano passado, antes de um Gre-Nal que terminou em goleada e humilhação. A máquina colorada de “fatos novos” já deveria ter sido desativada há muito tempo, dando lugar a uma administração baseada em um mínimo de sanidade. A insistência levou ao risco máximo de uma novidade factual na vida do Internacional: o Campeonato Brasileiro da Série B.

À ESPERA DO TÍTULO?

Se o Palmeiras for campeão neste domingo, a celebração se dará em uma rodada com horários diferentes para os jogos dos times com chance de título. Uma depreciação do Campeonato Brasileiro que deveria ter sido evitada pela CBF, não só em nome do nível de emoção compartilhado pelas torcidas envolvidas, mas também em respeito ao potencial campeão. Não é correto deixar o Palmeiras e os palmeirenses esperando duas horas pelo desfecho.

(publicada em 19/11/2016, no LANCE!)



  • Correa Mj

    E seria o Corinthians ,rival de 2005 no título e 2007 no rebaixamento à jogar uma pá de cal no colorado ? André . Sei que não é o assunto aqui mas,vc poderia disponibilizar de alguma forma pra mim,a espetacular crônica que fez sobre o titulo do Leicester. Não está mais no site da ESPN e nem no youtube.Valeu. Abçs.

  • Marco Clerris

    Caríssimo Andre, o problema entre os dirigentes é o mesmo que acontece fora do esporte: cultural. Pessoas sem preparo, apenas escoradas no amor pelo seu clube, não conseguem perceber que todo este amor pode ser prejudicial à sua paixão. Temos que, um dia, colocar a razão e o profissionalismo na frente das coisas pra seguirmos em frente de uma forma melhor, não apenas no futebol mas em todos os setores sociais.

  • J.H

    Certamente sobre os torcedores do Inter deve estar passando aquela dor de barriga pelas atitudes que tiveram seus dirigentes, quando em 2005 se indignaram (caras de pau) pelo cancelamento de 10 jogos fraudados e confessados pelo juiz, e pior, pela combinação anti desportiva com o Goiás em 2007.
    Imaginem se o Corinthians tivesse tido uma atitude dessas, como estaria sendo tratado por certa parte da imprensa. Imaginem mais, se o Corinthians estivesse a 37 anos sem saber o que é conquistar um titulo nacional. Então, neste final de semana, até segunda antes da partida, muitos comprimidos anti diarreicos deverão ser consumidos á pelos lados do RS.!

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