Coluna Dominical



PROBLEMA NO MEIO

Não foi uma má notícia inesperada, pois as chances de aproveitá-lo sempre foram pequenas, mas a ausência de Casemiro é um problema na preparação da Seleção Brasileira para os dois próximos jogos das Eliminatórias Sul-Americanas. Especialmente contra a Argentina, dia 10, no Mineirão, as habilidades do ex-jogador do São Paulo seriam muito importantes no fluxo do meio de campo do Brasil. Casemiro organiza o setor por intermédio do que faz e do que permite que seus companheiros façam, capacidade que ajuda a explicar sua estatura no futebol europeu.

É perceptível a admiração de Tite ao falar sobre o espaço que Casemiro conquistou na Seleção, não apenas pelo desempenho defensivo (leitura, cobertura, desarme e proteção no jogo aéreo) e pelo auxílio após a recuperação da posse (passe curto ou longo), mas pela combinação das duas dinâmicas do jogo. A noção de posicionamento lhe permite participar da circulação da bola sem se desvencilhar de suas tarefas de vigilância, que com frequência estão ligadas a tendências cruciais do rival. No Brasil que se orienta pelo nível técnico no centro do campo, como quer Tite, Casemiro é uma presença multifuncional.

É um papel até mais avançado, em termos de sistema, do que o que ele faz no Real Madrid, onde sua principal atribuição é a proteção da defesa, diminuindo a carga de trabalho de Modric e Kroos (considerando, claro, a melhor escalação do time espanhol). Na base do meio-campo da Seleção, Casemiro se envolve na saída da bola do campo de defesa e é utilizado no reinício de movimentos, etapa obrigatória na construção do jogo com o objetivo de desorganizar o adversário. Planejar a atuação do Brasil contra a Argentina seria menos complicado se a fissura na fíbula da perna esquerda de Casemiro estivesse recuperada.

Está claro que, desde o início, esse planejamento contemplava a possibilidade de corte. Não por outro motivo foram relacionados vinte e quatro jogadores na última convocação. Enquanto torcia pelo retorno de Casemiro, a comissão técnica da Seleção trabalhava em uma escalação sem ele, o que, em teoria, significa a utilização de Fernandinho na posição. Não falta nível ao jogador do Manchester City para desempenhar a função, mas tomando emprestado um termo que Edgardo Bauza usava quando dirigia o São Paulo, Casemiro tem mais hierarquia, e jogos como Brasil x Argentina exigem o máximo de cada time.

Esqueça a colocação dos argentinos na classificação das Eliminatórias (sexto lugar, fora até da repescagem). Ainda é muito cedo para vislumbrar a Copa do Mundo de 2018 sem a seleção de Messi, e mesmo o futebol disfuncional que o time tem apresentado com Bauza não deve ser levado em conta para antecipar um jogo simples para o Brasil. Os clássicos são encontros especiais, afetados por circunstâncias motivacionais que não se apresentam em outras ocasiões, de modo que Belo Horizonte deve se preparar para um dos grandes choques que o futebol de seleções pode proporcionar. Tomara que seja assim.

CALENDÁRIO

O Campeonato Brasileiro se aproxima do final e já passou da hora de garantir que a disputa do título se dará nas condições mais corretas e justas possíveis. Não é admissível que clubes envolvidos na corrida pelo troféu joguem em horários diferentes, em uma rodada que pode ser a decisiva para estabelecer o campeão. É o que a programação divulgada pela CBF permitirá, por causa das jornadas desmembradas, se não forem feitos ajustes. É ruim para os envolvidos, para suas torcidas e para a imagem do campeonato. E não é possível que não se encontre uma forma de fazer adversários diretos atuarem no mesmo dia e horário.

(publicada em 5/11/2016, no LANCE!)



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