No LANCE! de hoje



QUESTÕES DE URGÊNCIA

A ação dos maquiadores de fatos não pode afastar a opinião pública, as autoridades, a Odebrecht e o Corinthians das duas questões mais importantes relativas ao que hoje se sabe sobre o estado da Arena de Itaquera. É provável que estejamos diante de um caso semelhante ao da interdição do Engenhão (em 2013, com a mesma construtora envolvida), que pode ter sido uma mentira conveniente para interesses inconfessáveis.

A primeira questão, por ordem de urgência, é determinar as condições de segurança do estádio do Corinthians para todos os tipos de frequentadores. Não basta que um funcionário da Odebrecht afirme que não há hipótese de o prédio ser engolido por uma cratera descomunal; é obrigatório que seja feita uma análise independente dos riscos antes que um jogo volte a ser realizado lá. E não é só o problema subterrâneo. As lâminas de porcelana que voam da fachada, por exemplo, são igualmente perigosas.

A segunda questão é menos complicada: explicar como um estádio inaugurado em maio de 2014 pode ter tantos problemas estruturais. É possível que uma obra que custou mais de um bilhão de reais – se é que o custo foi mesmo esse – tenha sido erguida com tal nível de irresponsabilidade? A elucidação das circunstâncias em que a arena ficou em pé, e recebeu a abertura da Copa do Mundo, permite que se suspeite de um exemplo prático da inimizade entre a pressa e a perfeição.

Os dramas da Arena Corinthians eram financeiros. O pagamento impossível, a utópica comercialização do nome, a equação insolúvel para torná-la rentável. Agora são mais graves e obviamente afetam o que já era de noção pública. Todos os participantes do espetáculo são conhecidos pelo nome, motivo pelo qual não faltam condições para o total esclarecimento dessas questões. Assim como no caso do Engenhão, porém, será difícil acreditar.

O FUTEBOL…

Como disse Pep Guardiola, o Manchester City jogou melhor durante cerca de uma hora no Camp Nou, no encontro em que foi goleado pelo Barcelona, do que em casa, quando venceu por 3 x 1. A questão do índice de posse de bola (35%, o menor da carreira do técnico catalão) foi mal interpretada por quem não se interessa pelo processo de construção de equipes.

… NOS ENSINA

Tão notável quanto a evolução do Manchester City em cerca três meses é o declínio no jogo do Barcelona. Mesmo levando em conta a ausência de Iniesta, o time tem se distanciado de suas principais virtudes e passa a impressão de se apoiar demasiadamente na capacidade de decisão dos três atacantes, que desequilibram a maioria dos jogos, mas não todos.

(publicada em 3/11/2016, no LANCE!)



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