No LANCE! de hoje



EMPATAÇO

1 – Primeiros movimentos de um grande, grande jogo. Um jogo do tamanho que o Maracanã merece na tarde de sua devolução ao futebol carioca e brasileiro. Imagens e sons que fizeram falta.

2 – Sinais de recuperação da capacidade de circulação ofensiva que o Flamengo havia perdido nas últimas rodadas. Notável volume no campo contrário, evidenciado pelas conhecidas deficiências da defesa do Corinthians. O gol de Guerrero, corretamente anulado por impedimento, não apaga a boa jogada que gerou a finalização de Mancuello e o rebote.

3 – Gol do Corinthians. Preciso chute rasteiro de Guilherme, de fora da área. Rafael Vaz e Romero disputaram a bola aérea e Réver optou por não pressionar o meia corintiano, que teve tempo e espaço para bater.

4 – O empate não tardou dez minutos, e materializou a pior sensação do torcedor corintiano: Guerrero, o herói de Toyota e Yokohama, de cabeça. Três jogadores do Flamengo estavam em posição de impedimento no momento da cobrança de falta de Diego, entre eles o peruano. Gol ilegal, grave equívoco da arbitragem.

5 – A iniciativa seguiu com o Flamengo, o perigo com o Corinthians. Guilherme por pouco não assinou uma maravilha digna da reabertura do Maracanã, ao notar Muralha adiantado e tentar o lance por cobertura. E Romero, habilitado por Marquinhos Gabriel, não viu o mesmo Guilherme entrando na área, desmarcado. O chute e a oportunidade passaram longe do gol.

6 – Se o Corinthians deixou o melhor para os acréscimos do primeiro tempo, caprichou. A jogada coletiva do gol – mais um – de Rodriguinho foi primorosa do início ao fim. O meia artilheiro matou a bola no peito na própria intermediária, adiantou-se no centro do campo para tabelar com Giovanni Augusto, acionou Romero do lado direito e surgiu na marca do pênalti para finalizar graças ao corta-luz de Guilherme. Brilhante.

7 – O Flamengo voltou do vestiário ainda mais determinado, por razões evidentes, a levar o jogo a ser disputado no campo do adversário. Uma dinâmica enfatizada pela aparente disposição do Corinthians de atrair e surpreender, expediente que depende, obrigatoriamente, de capacidade defensiva. É sempre um risco.

8 – Em jogada áerea, outra vez, Guerrero empatou. A soma de erros de marcação na cobrança de escanteio facilitou o trabalho de Réver e Guerrero pelo alto. Com 2 x 2 aos 13 minutos, o Maracanã tinha todos os motivos para acreditar na virada.

9 – Guilherme ofereceu mais um, ao estragar sua tarde com um cartão amarelo absolutamente infantil, seu segundo no jogo. Com dez homens em campo, o Corinthians teria de multiplicar esforços para suportar a pressão inevitável e ainda ameaçar o Flamengo de alguma forma.

10 – Zé Ricardo trocou Willian Arão por Leandro Damião, mais presença no ataque para a blitz final. Diego seguiu fazendo o Flamengo rodar e a bola frequentar a área de Walter, com oportunidades agudas para Guerrero e Emerson Sheik.

11 – O Corinthians teve um par de ocasiões para almejar um gol improvável. Apesar das entradas de Marlone e Lucca, claramente faltou força para competir nos dois lados do campo. Atuação promissora em vários aspectos, comprometida pela expulsão de um dos melhores jogadores em campo.

12 – Resultado decepcionante para o Flamengo, que vê o Palmeiras um pouco mais longe e o tempo acabando. Embora o ambiente fosse amplamente favorável, o rubro-negro não conseguiu estabelecer superioridade até ficar com um homem a mais.

MATERNAL

Vivemos a “era do menino bobo”, em que a reação diante do que não agrada é gritar para que o incômodo simplesmente desapareça. O episódio do último Fla-Flu foi caracterizado por incompreensão proposital e carência de argumentos, a ponto de iluminados relacionarem o gol irregular do Flamengo, contra o Corinthians, à situação gerada pelo gol de Henrique, em Volta Redonda. Quem não é capaz de diferenciar os casos deveria considerar largar a chupeta.

(publicada em 24/10/2016, no LANCE!)



  • J.H

    A destacar: Arão empurra Rodriguinho e o próprio árbitro, que foi “compreensivo” com a situação. Não foi nem de perto compreensivo com Guilherme, como fora com Scheik e Guerrero que retardaram a saída de bola de Walter. Quanto ao bandeira, a agilidade em inverter um lateral nos segundos finais da partida, com o flamenguista cabeceando para fora em um lance com Lucca na sua frente, explica o primeiro gol com tríplice impedimento simplesmente ignorado. Mesmo bandeira do flu. Coincidência.

  • Paulo Pinheiro

    O erro do assistente foi realmente terrível. Uma bola fácil. É bom que se diga que após isso ele paralisou dois bons ataques do Flamengo com impedimentos inexistentes e, no segundo tempo, inverteu um escanteio para tiro de meta, prejudicando novamente o Corinthians. Triste.
    Também é bom comentar o pênalti não marcado do Fagner, que segura o Fernandinho pelo short dentro da área. Aconteceu no segundo tempo em lance pela esquerda do ataque do Flamengo.
    O Flamengo vem perdendo visivelmente rendimento. O Diego estava apagado. Arão estava apagado.
    No segundo tempo até se viu empolgação. Mas no primeiro tempo parecia um time sem vontade. Acho que o Zé Ricardo escalou muito bem e substituiu melhor ainda, mas em muitas partidas – como a de ontem – faltou coragem de mandar o time marcar o adversário na saída de bola. Falta intensidade. Pena. Poderia ter sido campeão.

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