No LANCE! de hoje



ENCRUZILHADA

Minutos após a derrota da Argentina para o Paraguai, o ex-jogador e comentarista Diego Latorre foi ao Twitter para resumir a situação da seleção de seu país, em quinto lugar nas Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa de 2018: “Estamos em uma encruzilhada. Quando se perde, analisamos o jogo. Quando ganhamos, não importa o conteúdo e tudo se justifica. Armadilha mortal.”, escreveu.

O eterno dilema do futebol – jogar ou ganhar? – é uma fantasia criada para enganar inocentes e perpetuar discussões que jamais o elucidarão. Uma mentira que estimula conflitos impossíveis e sugere escolhas que não existem, como se, para vencer, fosse necessário jogar mal. A maior falácia entre todas é a que insinua que a preocupação com o bom jogo diminui as chances de vitória.

Um treinador brasileiro recentemente disse: “não quero ter razão, só quero ganhar”. Você sabe quem foi, mas isso não importa. O que interessa é a absoluta distorção escondida em um esforço retórico que supõe que a conversa termina no resultado. Não existe razão no futebol, tampouco ganhar pode ser o único fim. O debate precisa se concentrar nas duas verdades do jogo; praticá-lo bem ou mal. Tudo emana do desempenho.

O problema das propostas que desconsideram o jogo elaborado, como se vê agora com a seleção argentina comandada por Edgardo Bauza, é o que acontece quando o resultado não vem. O exame revela que não sobra nada e a fragilidade das convicções leva a ideias mirabolantes como a presença em campo de cinco atacantes que não se associam, sem companhias para alimentá-los.

O fracasso da reunião dos melhores jogadores argentinos em algo que mereça ser chamado de time só se explica pela falta de interesse em fazê-lo, porque apenas se quer vencer. A Seleção Brasileira passa pelo processo inverso, exatamente pela preocupação com o conteúdo. Em 10 de novembro, essas duas forças se encontrarão no gramado do 1 x 7.

NEYMAR E…

Na ideia de Tite, Phillippe Coutinho é o jogador mais qualificado para substituir Neymar do lado esquerdo do ataque, quando necessário. Na posição, mas não na função. Ambos jogam como externos no 4-1-4-1 ou no 4-3-3, mas com papeis distintos. Neymar é segundo atacante no Barcelona e na Seleção. Coutinho trabalha na criação no Liverpool e na Seleção.

… COUTINHO

Respeitar a forma como os jogadores são utilizados em seus clubes é uma premissa de Tite para acomodá-los sem dificuldades adicionais. Algo essencial para um time que precisa se acertar e evoluir em pouco tempo. Alternativas devem ser experimentadas em treinamento, como aconteceu com Phillippe Coutinho antes de ser escalado no lado direito.

(publicada em 13/10/2016, no LANCE!)



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